A Premier League 2021/22 entrou para a história como uma das edições mais disputadas da era moderna da competição. Manchester City e Liverpool protagonizaram uma corrida ao título de tirar o fôlego ao longo de 38 rodadas, enquanto a luta pela Champions League animou a metade superior da tabela e a zona de rebaixamento revelou disparidades gritantes entre os elencos. Ao fim de 380 partidas e 1.071 gols marcados, o City ergueu seu oitavo troféu nacional (Wikipédia), consolidando a hegemonia de Pep Guardiola no futebol inglês.
Visão Geral da Temporada
Disputada por 20 clubes no formato de pontos corridos com 38 rodadas cada, a edição registrou média de 2,82 gols por partida — um total de 1.071 tentos em 380 jogos (Wikipédia). A temporada também marcou o terceiro ano consecutivo de uso do VAR e o terceiro com intervalo programado em fevereiro (Wikipédia). O nível de competitividade foi atestado pelos números da ponta da tabela: o campeão somou 93 pontos e o vice chegou a 92, uma diferença de apenas um ponto ao cabo de todo o calendário. Raramente a Premier League viu uma disputa tão cerrada se estender por tantas rodadas.
O Campeão e Como Conquistou o Título
O Manchester City confirmou seu oitavo título da Premier League (Wikipédia) com uma campanha de altíssimo nível: 29 vitórias, 6 empates e apenas 3 derrotas em 38 jogos, totalizando 93 pontos. O aproveitamento de 81,6% ao longo de toda a temporada demonstra uma consistência quase sem precedentes na história recente da competição.
Além do desempenho coletivo notável, o City ostentou o melhor ataque da liga, com 99 gols marcados — quase cem bolas nas redes ao longo da temporada (Wikipédia) —, e dividiu com o Liverpool a condição de melhor defesa, com apenas 26 gols sofridos. O saldo resultante foi de +73, o mais expressivo de toda a tabela e 5 a mais do que o vice-campeão Liverpool (+68). A goleada de 7 a 0 sobre o Leeds United, em 14 de dezembro de 2021 (Wikipédia), figurou entre as demonstrações mais contundentes de força ao longo da campanha.
O prêmio de melhor jogador da competição ficou com Kevin De Bruyne (Wikipédia), peça central no sistema tático do clube e símbolo da qualidade técnica que diferenciou o City dos demais concorrentes ao longo do ano.
A Briga pelo G4 e a Classificação Europeia
Se no topo a diferença foi de um ponto, no restante do G4 o cenário foi de maior separação. Chelsea e Tottenham completaram as quatro vagas para a Liga dos Campeões da UEFA, mas com campanhas bem distintas entre si e em relação à dupla de frente.
- Chelsea (3º lugar): 74 pontos, 21 vitórias, 11 empates, 6 derrotas, 76 gols marcados e 33 sofridos. O clube de Londres ficou 19 pontos atrás do campeão, mas garantiu sua vaga com relativa tranquilidade. O Chelsea protagonizou uma das maiores goleadas da temporada ao superar o Norwich City por 7 a 0 em Stamford Bridge, em 25 de outubro de 2021 (Wikipédia).
- Tottenham (4º lugar): 71 pontos, 22 vitórias, mas apenas 5 empates e 11 derrotas. Os Spurs foram o time do G4 com o pior aproveitamento em situações de empate, o que custou pontos relevantes ao longo da campanha. Com 69 gols marcados e 40 sofridos, o saldo de +29 foi o menor entre os classificados para a Champions.
Na briga pela Liga Europa, Arsenal (5º, 69 pontos) e Manchester United (6º, 58 pontos) ficaram fora da elite continental da Champions. O Arsenal terminou com 22 vitórias, mas apenas 3 empates e 13 derrotas — uma inconsistência que custou caro. O United, por sua vez, apresentou o curioso dado de saldo de gols zero: 57 marcados e 57 sofridos em 38 partidas, a maior evidência numérica de uma temporada sem identidade definida. West Ham (7º, 56 pontos) e Leicester (8º, 52 pontos) também ficaram próximos das posições europeias, mas sem alcançá-las.
A Zona de Rebaixamento
O trio rebaixado — Norwich City, Watford e Burnley (Wikipédia) — expôs níveis de desempenho bastante distintos, mas todos insuficientes para a permanência na elite.
- Norwich City (20º): A campanha mais fraca da temporada: apenas 5 vitórias, 7 empates e 26 derrotas, somando 22 pontos. O ataque foi o mais inoperante da liga, com somente 23 gols marcados, enquanto a defesa sofreu 84 — o pior número entre todos os 20 clubes. O saldo de -61 não deixa margem para interpretações: o rebaixamento foi inevitável e precoce.
- Watford (19º): 23 pontos em 38 jogos, com 27 derrotas — a pior marca nesse quesito entre os rebaixados. Somou 34 gols marcados e 77 sofridos, saldo de -43. E. Dennis, um dos destaques ofensivos do clube com 10 gols, foi também um dos jogadores com mais cartões vermelhos na temporada.
- Burnley (18º): Com 35 pontos, o Burnley foi o clube que mais lutou pela permanência antes de ser relegado. Registrou 14 empates em 38 jogos — o maior número entre os rebaixados —, o que ilustra um time que raramente venceu, mas também teve dificuldade para perder de forma acachapante. Com 34 gols marcados e 53 sofridos, o saldo de -19 foi bem menos negativo que o dos outros dois descidos.
A linha divisória entre o rebaixamento e a permanência passou por Leeds United, que ficou em 17º com 38 pontos — três a mais que o Burnley. O Leeds sofreu 79 gols ao longo da temporada, saldo de -37, o que mostra que a permanência foi conquistada de forma dramática e com uma defesa igualmente porosa.
Artilharia: Empate Histórico no Topo
A artilharia da Premier League 2021/22 foi decidida de forma inédita: Son Heung-Min, do Tottenham, e Mohamed Salah, do Liverpool, encerraram a temporada empatados com 23 gols cada (Wikipédia), dividindo o prêmio de artilheiro da competição.
- Son Heung-Min (Tottenham): 23 gols e 7 assistências em 35 jogos. Dois cartões amarelos e nenhum vermelho completam o perfil de um atacante letal e disciplinado.
- Mohamed Salah (Liverpool): 23 gols e 13 assistências em 35 jogos. Com apenas 1 cartão amarelo em toda a temporada, Salah foi o jogador mais decisivo da liga em termos de participações diretas em gols: 36 no total. Seu volume de assistências o coloca também no topo dessa lista individual.
- Cristiano Ronaldo (Manchester United): 18 gols e 3 assistências em 30 jogos. O português foi o terceiro na artilharia, mas acumulou 8 cartões amarelos — o maior número entre os cinco primeiros artilheiros.
- H. Kane (Tottenham): 17 gols e 9 assistências em 37 jogos, sendo o jogador mais utilizado entre os cinco primeiros artilheiros. Kane foi o atacante com maior número de partidas disputadas nesse grupo.
- S. Mané (Liverpool): 16 gols e 2 assistências em 34 jogos, completando um ataque do Liverpool que terminou com 94 gols marcados, o segundo melhor da competição.
Destaques em Assistências e Contribuições Criativas
Salah, além de dividir a artilharia, liderou com folga o ranking de assistências com 13 passes para gol — uma combinação de eficiência ofensiva raramente vista no futebol inglês. O lateral T. Alexander-Arnold, também do Liverpool, foi o segundo com 12 assistências em 32 partidas, reforçando o papel atacante que o clube de Merseyside exige de seus laterais.
- J. Bowen (West Ham): 12 gols e 10 assistências em 36 jogos — um dos jogadores mais completos da temporada fora do G4.
- M. Mount (Chelsea): 11 gols e 10 assistências em 32 jogos, confirmando-se como referência criativa dos Blues.
- H. Barnes (Leicester): 6 gols e 10 assistências em 32 jogos, destacando-se pelo volume de criação no contexto de um Leicester que terminou em 8º lugar.
Cartões: Disciplina e Indisciplina em Números
No campo da disciplina, três jogadores lideraram o ranking de cartões amarelos com 11 cada: T. Mings (Aston Villa, em 36 jogos), J. Tarkowski (Burnley, em 35 jogos) e Junior Firpo (Leeds, em apenas 24 jogos). O caso de Firpo é particularmente expressivo: 11 amarelos em 24 partidas representa uma média de advertência a cada 2,18 jogos disputados.
G. Xhaka (Arsenal) e Bruno Fernandes (Manchester United) aparecem em seguida com 10 amarelos cada. Xhaka foi ainda o único dos cinco primeiros nessa lista a receber cartão vermelho, acumulando também 1 expulsão em 27 partidas.
Na lista de cartões vermelhos, cinco jogadores foram expulsos ao menos uma vez: E. Konsa (Aston Villa), G. Xhaka (Arsenal), E. Dennis (Watford), D. James (Leeds) e Allan (Everton). Dennis, que contabilizou 9 amarelos e 1 vermelho em 33 jogos, foi o jogador mais penalizado da temporada em termos absolutos de cartões recebidos.
Os Números e Curiosidades da Temporada
A Premier League 2021/22 produziu estatísticas que merecem registro cuidadoso:
- A diferença de apenas 1 ponto entre campeão (93) e vice (92) tornou a disputa pelo título uma das mais acirradas da era Premier League.
- Manchester City e Liverpool dividiram a melhor defesa da competição, ambos com 26 gols sofridos (Wikipédia) — número impressionante considerando que a média da liga foi de 53,5 gols sofridos por equipe.
- O Manchester City quase atingiu a marca de 100 gols marcados, parando em 99 (Wikipédia).
- O Manchester United terminou com saldo zero (57 gols marcados e 57 sofridos), dado que sintetiza numericamente a falta de identidade da campanha.
- O Norwich City sofreu 84 gols e marcou apenas 23 — a maior diferença entre gols sofridos e marcados da temporada, com saldo de -61.
- O empate na artilharia entre Son Heung-Min e Mohamed Salah, ambos com 23 gols, resultou no compartilhamento da chuteira de ouro da competição (Wikipédia).
- Foram disputados 380 jogos com total de 1.071 gols e média de 2,82 gols por partida — um dos índices mais altos da competição nos últimos anos.
A edição 2021/22 da Premier League ficará na memória pela rivalidade excepcional entre City e Liverpool, pela goleada histórica do Chelsea sobre o Norwich (7 a 0) (Wikipédia) e pela artilharia compartilhada que uniu em reconhecimento dois dos melhores atacantes da geração. O futebol inglês entregou, ao longo de toda a temporada, uma vitrine de alto rendimento coletivo e individual que poucos campeonatos no mundo foram capazes de igualar naquele ciclo.































































