O Chelsea encerrou a Premier League 2016-17 de forma avassaladora, acumulando 93 pontos em 38 rodadas para conquistar o sexto título da história do clube na liga inglesa (Wikipédia). Com 30 vitórias, apenas 3 empates e 5 derrotas, os Blues entregaram uma das campanhas mais sólidas da era moderna da competição, deixando o vice-campeão Tottenham a sete pontos de distância numa temporada marcada por alto volume de gols, uma briga acirrada pelo top 5 e um rebaixamento triplo que desfalcou a liga de três nomes tradicionais.
Visão Geral da Temporada
A edição 2016-17 da Premier League reuniu 20 clubes em 380 partidas e produziu 1.064 gols, média de 2,8 tentos por jogo — números que atestam o caráter ofensivo da temporada. O Leicester City, surpreendente campeão da edição anterior, não sustentou o rendimento e terminou em 12º lugar com apenas 44 pontos, ilustrando a volatilidade da liga. Na ponta oposta, Chelsea e Tottenham dominaram o noticiário durante praticamente toda a campanha, enquanto a zona de classificação para competições europeias permaneceu disputada até as últimas rodadas.
Uma curiosidade numérica chama atenção: Tottenham e Chelsea empataram no quesito melhor ataque, ambos com 86 gols marcados (Wikipédia). A diferença que separou o campeão do vice residiu na consistência defensiva e na capacidade de converter jogos equilibrados em vitórias — o Chelsea venceu 30 partidas contra 26 do Tottenham.
O Campeão e Como Conquistou o Título
Com 93 pontos, o Chelsea registrou um aproveitamento de 81,6% — marca expressiva para uma liga com o nível competitivo da Premier League. Os Blues sofreram apenas 33 gols em 38 jogos, segundo melhor índice defensivo da temporada, e construíram um saldo de +52, terceiro melhor da tabela. Trinta vitórias em 38 rodadas significam que o time perdeu apenas oito pontos em situações que não resultaram em triunfo.
No meio de campo, N'Golo Kanté foi eleito o melhor jogador da temporada (Wikipédia), desempenhando papel central no sistema que equilibrava recuperação de bola e transição rápida. Cesc Fàbregas, com 12 assistências em apenas 29 partidas, foi o principal distribuidor do elenco londrino. Na frente, Diego Costa anotou 20 gols em 35 jogos, sendo o mais amarelado entre os atacantes do top 5 da artilharia, com 10 cartões amarelos — reflexo de um estilo combativo que gerou tanto produção ofensiva quanto atrito disciplinar.
A Briga pelo G4 e a Classificação Continental
As quatro vagas para a Liga dos Campeões foram definidas com alguma margem, mas a corrida pelo quinto lugar — porta de entrada para a Liga Europa — foi muito mais equilibrada:
- Tottenham (2º, 86 pts): Vice-campeão com melhor defesa da liga — apenas 26 gols sofridos (Wikipédia) — e 86 gols marcados. Saldo de +60, o melhor da tabela inteira. Uma campanha virtualmente impecável ofensiva e defensivamente, porém insuficiente diante da regularidade do Chelsea.
- Manchester City (3º, 78 pts): Terceiro colocado com 80 gols marcados e saldo de +41, mas a defesa com 39 tentos sofridos ficou aquém dos dois primeiros. K. De Bruyne foi o assistente-mor da temporada, com 18 passes para gol em 36 jogos.
- Liverpool (4º, 76 pts): Quarta colocação com 78 gols e 76 pontos. A diferença de apenas dois pontos para o City e o saldo de +36 indicam uma equipe que produziu bem ofensivamente, mas que cedeu 42 gols — sete a mais que o rival de Manchester.
- Arsenal (5º, 75 pts): Os Gunners ficaram de fora da Liga dos Campeões por apenas um ponto em relação ao Liverpool. Com 23 vitórias e 77 gols marcados, o ataque foi prolífico, mas nove derrotas e uma defesa que sofreu 44 gols custaram caro.
O Manchester United terminou em 6º com 69 pontos. Sua marca mais notável foi a solidez defensiva — apenas 29 gols sofridos, melhor entre os times fora do top 4 — mas o ataque com 54 gols foi o mais tímido entre os seis primeiros, explicando a ausência na Champions League.
O Everton, em 7º com 61 pontos, fechou o grupo imediatamente abaixo das grandes potências. R. Lukaku marcou 25 gols em 37 partidas pelo clube de Liverpool, sendo o segundo artilheiro da competição.
A Zona de Rebaixamento
Os três rebaixados foram Hull City, Middlesbrough e Sunderland (Wikipédia), e os números explicam o destino de cada um:
- Sunderland (20º, 24 pts): Último colocado com apenas seis vitórias, seis empates e 26 derrotas. Marcou 29 gols e sofreu 69, saldo de -40. Um dos piores desempenhos registrados na era Premier League em termos de pontuação final.
- Middlesbrough (19º, 28 pts): Retornou à elite pelo acesso da temporada anterior (Wikipédia), mas não sobreviveu. Apenas 27 gols marcados — menor número entre todos os 20 clubes — e 53 sofridos, com saldo de -26. O time empatou 13 partidas, o que mostra dificuldade em converter pressão em vitórias.
- Hull City (18º, 34 pts): Nove vitórias e saldo de -43, pior da liga. Os 80 gols sofridos também foram o maior volume de tentos cedidos na temporada. A goleada sofrida diante do Tottenham por 7 a 1 (Wikipédia) sintetizou as fragilidades defensivas do clube de Kingston upon Hull.
A fronteira da permanência foi estabelecida em 40 pontos, marca atingida por Burnley (16º) e Watford (17º). Burnley havia retornado à Premier League pela promoção da temporada anterior (Wikipédia) e sobreviveu com exatamente os mesmos 40 pontos do Watford, sendo salvo pelo saldo de gols: -16 contra -28. Uma diferença de doze gols no saldo separa quem permaneceu na elite de quem desceu — margem que evidencia o quanto os jogos finais de temporada pesaram para ambos os clubes.
Artilharia e Destaques Individuais
Harry Kane, do Tottenham, encerrou a temporada como artilheiro com 29 gols em 30 partidas (Wikipédia) — média de 0,97 gol por jogo, a melhor entre os cinco primeiros colocados na artilharia. Seu aproveitamento é ainda mais notável quando comparado ao segundo colocado, R. Lukaku, que precisou de 37 jogos para marcar 25 vezes. Kane ainda contribuiu com 7 assistências, acumulando participação direta em 36 gols na temporada.
A. Sánchez, do Arsenal, foi o único jogador do top 5 da artilharia a disputar todas as 38 rodadas e o único a combinar mais de 20 gols com duplo dígito em assistências — 24 e 10, respectivamente. Foi também o segundo na tabela de assistências, com atuação completa e constante ao longo de toda a campanha. Diego Costa e S. Agüero empataram com 20 gols cada, mas em contextos distintos: o centroavante do Chelsea atuou em 35 jogos com comportamento disciplinar turbulento (10 amarelos), enquanto Agüero jogou 31 partidas e acumulou o único cartão vermelho entre os artilheiros do top 5.
Dele Alli, do Tottenham, foi eleito a revelação da temporada (Wikipédia), consolidando o Spurs como o clube com maior presença entre os destaques individuais da edição.
Assistências e Criatividade
K. De Bruyne, do Manchester City, foi o principal criador da liga com 18 assistências em 36 jogos — média de 0,5 passe para gol por partida, número excepcional no contexto da competição. C. Eriksen, do Tottenham, ficou em segundo com 15 assistências e ainda contribuiu com 8 gols, somando participação direta em 23 tentos. Sua disciplina também se destacou: zero cartões amarelos em 36 partidas.
G. Sigurðsson, do Swansea, foi o terceiro na tabela de assistências com 13, além de 9 gols, totalizando participação em 22 gols. Seus números foram determinantes para manter o Swansea na 15ª posição com 41 pontos — distante, mas seguro da zona de rebaixamento.
Cartões e Disciplina
No quesito disciplinar, José Holebas, do Watford, liderou a tabela de amarelos com 14 cartões em 33 partidas — média de um cartão a cada 2,4 jogos. H. Arter, do Bournemouth, e D. Simpson, do Leicester, dividiram o segundo lugar com 12 amarelos cada. Curiosamente, Simpson acumulou seus 12 amarelos sem marcar um único gol e com apenas 2 assistências, perfil típico de lateral defensivo agressivo.
G. Xhaka, do Arsenal, e Fernandinho, do Manchester City, lideraram os cartões vermelhos com dois cada em 32 partidas — desfalques pontuais que podem ter influenciado o desempenho de suas equipes em momentos decisivos da temporada. M. Arnautović (Stoke City) e S. Clucas (Hull City) acumularam, respectivamente, 9 cartões amarelos e 1 vermelho em suas campanhas, reflexo de um estilo de jogo intenso característico dos times da parte de baixo da tabela.
Números e Curiosidades da Temporada
- O Chelsea somou 93 pontos, aproveitamento de 81,6% em 38 rodadas.
- Chelsea e Tottenham empataram no melhor ataque: 86 gols cada (Wikipédia).
- O Tottenham teve a melhor defesa com 26 gols sofridos (Wikipédia) e o melhor saldo: +60.
- A diferença do Chelsea para o 5º colocado (Arsenal, 75 pts) foi de 18 pontos — margem que traduz a superioridade dos dois primeiros em relação ao restante.
- Arsenal e Liverpool ficaram separados por apenas um ponto na disputa pela 4ª vaga na Champions.
- Burnley e Watford escaparam do rebaixamento com os mesmos 40 pontos; o critério de desempate foi o saldo de gols.
- O Sunderland somou somente 24 pontos, terminando como o clube com pior campanha da edição.
- A temporada produziu 1.064 gols em 380 partidas, média de 2,8 por jogo.
- O Middlesbrough, promovido da Championship (Wikipédia), marcou apenas 27 gols — menor número entre todos os participantes.
- Hull City sofreu 80 gols, maior volume cedido, incluindo uma derrota por 7 a 1 diante do Tottenham (Wikipédia).
A Premier League 2016-17 ficará registrada como uma edição de contrastes nítidos: um Chelsea dominante e eficiente na ponta, um Tottenham brilhante tecnicamente mas incapaz de ultrapassar os Blues, e uma zona intermediária densamente compactada onde a separação entre a manutenção e o rebaixamento foi medida em gols de saldo. A temporada encerra um ciclo e projeta novos desafios para os clubes que permaneceram na elite — e para os três que precisarão reconstruir o caminho de volta.


































































