A Premier League 2010-11 — 19ª edição da competição sob este nome e 109ª da primeira divisão inglesa (Wikipédia) — encerrou-se com o Manchester United erguendo o troféu pela 19ª vez na história do clube, acumulando 80 pontos em 38 rodadas e abrindo distância significativa sobre os perseguidores. Em campo, a temporada entregou 1.063 gols em 380 partidas, média de 2,8 por jogo, com disputa acirrada no topo, drama na briga pela permanência e uma artilharia dividida em dois nomes que somaram, cada um, 20 gols.
Visão Geral da Temporada
Os 20 clubes participantes completaram o ciclo de 38 rodadas num formato de pontos corridos clássico. A temporada foi marcada por alto volume ofensivo — os 1.063 gols registrados representam uma média que poucas ligas europeias conseguem sustentar — e por um topo de tabela extremamente concentrado entre quatro times que se distanciaram visivelmente do restante da divisão. O 5º colocado, Tottenham, terminou com 62 pontos, 18 a menos do que o 4º colocado Arsenal, evidenciando o abismo entre o chamado "big four" e os demais concorrentes à Europa. Na outra ponta, a diferença de apenas dois pontos separou o 16º do 18º lugar, tornando a zona de rebaixamento uma disputa de nervos até as rodadas finais.
O Campeão e Como Conquistou o Título
O Manchester United foi o time mais completo da temporada em praticamente todos os indicadores objetivos. Com 23 vitórias, 11 empates e apenas 4 derrotas, o clube construiu o melhor ataque da competição — 78 gols marcados (Wikipédia) — aliado a uma solidez defensiva que resultou em apenas 37 gols sofridos, saldo positivo de 41. O aproveitamento de 70,2% ao longo de 38 jogos foi suficiente para estabelecer uma vantagem de 9 pontos sobre o vice-campeão Chelsea ao final da temporada.
A margem de 80 a 71 pontos sobre o Chelsea indica que o United não apenas venceu a liga: dominou-a. Em termos práticos, a equipe só poderia ter sido alcançada caso os adversários tivessem aproveitamento perfeito nas rodadas restantes — cenário que nunca se concretizou. O saldo de gols de +41 reforça a ideia de um elenco capaz de marcar em volume e defender com consistência, combinação rara numa liga tão competitiva.
A Briga pelo G4 e a Classificação Continental
As quatro vagas para a Liga dos Campeões foram distribuídas entre Manchester United (1º, 80 pts), Chelsea (2º, 71 pts), Manchester City (3º, 71 pts) e Arsenal (4º, 68 pts). O empate técnico entre Chelsea e Manchester City merece atenção especial: os dois clubes encerraram a temporada com exatamente os mesmos números em vitórias (21), empates (8), derrotas (9) e gols sofridos (33). A separação entre eles se deu pelo saldo de gols — Chelsea com +36, contra +27 do City —, reflexo direto do maior volume ofensivo londrino: 69 gols marcados ante 60 dos vizinhos de Manchester.
O Arsenal, por sua vez, foi o time do G4 com mais gols marcados fora do United: 72 ao todo, saldo positivo de 29. Contudo, a defesa mais vulnerável entre os quatro — 43 gols sofridos — pesou na pontuação final e resultou em 12 pontos a menos do que o campeão. O Tottenham, em 5º lugar com 62 pontos, ficou de fora da Champions por 6 pontos em relação ao Arsenal, encerrando com balanço de 16 vitórias, 14 empates e 8 derrotas. Liverpool foi 6º com 58 pontos.
A Zona de Rebaixamento
Os três rebaixados da temporada foram West Ham (20º, 33 pts), Blackpool (19º, 39 pts) e Birmingham (18º, 39 pts). O West Ham encerrou a campanha com o pior desempenho absoluto: apenas 7 vitórias em 38 jogos, 19 derrotas e saldo negativo de -27. Foram 70 gols sofridos, o pior número entre todos os participantes, ante apenas 43 marcados.
O Blackpool apresentou o panorama mais paradoxal dos rebaixados: 55 gols marcados — mais do que Tottenham (55) e Liverpool (59) em termos comparativos aproximados — mas também 78 sofridos, a pior defesa de toda a competição. A equipe atacou com disposição ao longo da temporada, porém a fragilidade defensiva foi decisiva para o retorno à segunda divisão.
Birmingham, com apenas 37 gols marcados — o menor entre todos os 20 clubes —, pagou caro pela falta de produção ofensiva: 8 vitórias e 58 gols sofridos fecharam o ciclo com rebaixamento por pontos corridos, empatada com o Blackpool em 39 pontos, mas com diferença de saldo (-21 para ambas, coincidentemente idêntico ao do Wigan, 16º com 42 pontos).
O Wolves escapou por margem estreita: 40 pontos, apenas um a mais do que Birmingham e Blackpool. Com 20 derrotas na temporada — o maior número entre todos os clubes — e saldo de -20, a permanência foi obtida no limite. O Wigan, em 16º com 42 pontos, também viveu temporada de tensão, terminando apenas 2 pontos acima da zona de rebaixamento.
Artilharia e Destaques Individuais: Gols
A artilharia da temporada foi compartilhada entre Dimitar Berbatov, do Manchester United, e C. Tevez, do Manchester City, ambos com 20 gols (Wikipédia). Os números são próximos em volume, mas diferem em contexto: Berbatov atingiu a marca em 32 partidas, enquanto Tevez o fez em 31 jogos. Ambos terminaram sem cartão vermelho; Tevez acumulou 6 amarelos ante apenas 1 de Berbatov, perfis distintos dentro de campo.
Robin van Persie, do Arsenal, completou o pódio da artilharia com 18 gols em apenas 25 partidas — o melhor índice de gols por jogo entre os cinco primeiros colocados. A produção do holandês em menos jogos do que os rivais diretos é um dado que evidencia eficiência individual destacada. F. Malouda, do Chelsea, e Dirk Kuijt, do Liverpool, encerraram o top-5 com 13 gols cada, sendo que Malouda disputou todos os 38 jogos da temporada — regularidade notável.
Assistências e Criação de Jogo
Os dados de assistências disponíveis trazem H. Rodallega (Wigan) e Nani (Manchester United) liderando o ranking com 9 gols participados cada, ambos em posições distintas na tabela de seus clubes. Nani, com 9 gols em 33 partidas pelo United, foi peça importante num elenco que terminou com o melhor ataque da liga. Rodallega contribuiu de forma expressiva para um Wigan que, apesar de ter escapado do rebaixamento, registrou apenas 40 gols marcados — o que evidencia que a distribuição de responsabilidades ofensivas no clube foi concentrada em poucos nomes.
M. Diouf (Blackburn, 3º), E. Džeko (Manchester City, 4º, em apenas 15 jogos) e V. Moses (Wigan, 5º, em 21 partidas) completam a lista. A presença de Džeko entre os líderes de assistências em apenas 15 partidas aponta para uma participação relevante do centroavante bósnio no esquema ofensivo do City, mesmo com tempo de jogo reduzido.
Cartões: Disciplina e Irregularidade
C. Tioté, do Newcastle, foi o jogador mais advertido da temporada com 14 cartões amarelos em 26 partidas — média expressiva que supera qualquer outro nome na competição. B. Ivanović (Chelsea) somou 12 amarelos em 34 jogos, enquanto Charles Graham Adam (Blackpool) chegou a 11 em 35 partidas, tendo ainda contribuído com 12 gols — um dos perfis mais peculiares do campeonato: meio-campista prolífico na frente e disciplinarmente custoso. M. Figueroa (Wigan) igualou Adam em 11 amarelos, e L. Cattermole (Sunderland) fechou o top-5 com 10 advertências em apenas 23 aparições, a maior densidade disciplinar entre os cinco.
Entre os cartões vermelhos, R. Shawcross (Stoke City) liderou com 1 expulsão, acompanhado de 8 amarelos em 36 partidas — perfil de zagueiro fisicamente intenso. C. Gardner (Birmingham) também foi expulso uma vez, somando 7 amarelos e 8 gols em 29 jogos, cifras que o colocam entre os meias mais participativos do clube rebaixado. Laurent Koscielny (Arsenal), Gary Cahill (Bolton) e K. Henry (Wolves) completam a lista de jogadores com um vermelho cada.
Números e Curiosidades da Temporada
- A Premier League 2010-11 foi a 19ª edição da competição sob este formato e a 109ª da primeira divisão inglesa (Wikipédia).
- O total de 1.063 gols em 380 jogos resultou em média de 2,8 gols por partida (Wikipédia) — índice elevado para um campeonato de elite europeu.
- Manchester United encerrou com o melhor ataque (78 gols) e Chelsea com a melhor defesa (33 gols sofridos), compartilhada com o Manchester City, que também sofreu exatamente 33 (Wikipédia).
- Chelsea e Manchester City terminaram com pontuação (71), vitórias (21), empates (8), derrotas (9) e gols sofridos (33) absolutamente idênticos — separados apenas pelo saldo de gols.
- O Manchester United perdeu apenas 4 vezes em 38 rodadas, o menor número de derrotas entre todos os clubes.
- O Blackpool sofreu 78 gols — a pior defesa da temporada — ao mesmo tempo que marcou 55, tornando-se o rebaixado com o ataque mais prolífico.
- Gareth Bale, do Tottenham, foi eleito o melhor jogador da temporada (Wikipédia), mesmo com o clube terminando em 5º lugar, fora da zona de Champions League.
- A artilharia compartilhada entre Berbatov e Tevez foi a primeira vez na história da Premier League em que o título de artilheiro foi dividido entre dois jogadores de Manchester.
- Robin van Persie atingiu 18 gols em apenas 25 partidas — melhor média entre os cinco primeiros artilheiros da competição.
- West Ham terminou com apenas 33 pontos e 7 vitórias, o pior desempenho absoluto da temporada entre todos os participantes.





























































