A temporada 2017–18 da Premier League ficará marcada como uma das mais dominantes da história do campeonato inglês. O Manchester City, sob o comando de Pep Guardiola, encerrou a competição com 100 pontos — uma campanha que redefiniu os parâmetros de excelência na liga. Ao mesmo tempo, Mohamed Salah transformou sua primeira temporada pelo Liverpool em um espetáculo individual raramente visto no futebol inglês, enquanto o rebaixamento de três clubes tradicionais e a briga acirrada pelo quarto lugar completaram um calendário de alto valor narrativo, do início, em 12 de agosto de 2017, até o encerramento, em 13 de maio de 2018 (Wikipédia).
Visão Geral da Temporada
Os 20 clubes disputaram 380 partidas ao longo da temporada, produzindo 1.018 gols — média de 2,68 tentos por jogo. O número reflete um campeonato de alto volume ofensivo, marcado tanto pela supremacia avassaladora do campeão quanto pela vulnerabilidade defensiva de boa parte do pelotão intermediário. Com aproveitamentos tão díspares quanto os 87,7% do Manchester City e os 27,2% do West Brom, a tabela final retratou uma liga de contrastes nítidos: uma equipe em órbita própria no topo e uma briga intensa pela sobrevivência na parte de baixo.
O Campeão e Como Conquistou o Título
Os números do Manchester City na temporada 2017–18 desafiam a comparação. Em 38 rodadas, o clube venceu 32 partidas, empatou apenas quatro e perdeu duas, totalizando 100 pontos — marca histórica para o torneio (Wikipédia). O aproveitamento de 87,7% não deixa margem para interpretações: foi uma dominância sistemática, rodada após rodada.
O ataque do City produziu 106 gols marcados — o melhor da liga —, enquanto a defesa sofreu apenas 27, também o menor número entre todos os 20 participantes. O saldo de gols resultante, de +79, foi quase o dobro do segundo colocado na mesma métrica: o Liverpool terminou com +46. Nenhum rival chegou sequer a rondar aquele nível de consistência em ambas as fases do jogo.
A maior goleada da temporada ilustra bem o patamar do City: a equipe aplicou 6 a 0 no Watford em 16 de setembro de 2017, resultado que funcionou como um cartão de visitas antecipado do que viria pela frente (Wikipédia). A diferença em relação ao vice Manchester United foi de 19 pontos — uma lacuna que, em qualquer outra temporada, já seria considerada uma anomalia estatística.
A Briga pelo G4 e a Classificação para a Europa
Atrás do campeão, o Manchester United terminou em segundo lugar com 81 pontos — distante do City, mas suficientemente confortável para garantir a vaga na Liga dos Campeões. Os Reds de Old Trafford venceram 25 jogos, empataram seis e perderam sete, com 68 gols marcados e 28 sofridos.
O Tottenham ficou em terceiro, com 77 pontos, em campanha consistente: 23 vitórias, oito empates e sete derrotas. Os Spurs marcaram 74 gols e sofreram 36, com saldo de +38. O quarto lugar coube ao Liverpool, com 75 pontos — apenas dois a menos que o Tottenham —, em uma temporada marcada por um ataque prolífico de 84 gols, embora a defesa, com 38 gols sofridos, tenha ficado bem abaixo do nível dos rivais diretos na briga pela classificação europeia.
Vale notar a proximidade entre terceiro e quarto colocados: apenas dois pontos separaram Tottenham e Liverpool ao fim de 38 rodadas. O Chelsea, em quinto com 70 pontos, e o Arsenal, em sexto com 63, ficaram de fora do grupo dos quatro, com os Gunners acumulando 13 derrotas na temporada — número elevado para um clube com ambições de Liga dos Campeões.
O Burnley, em sétimo lugar com 54 pontos, foi a surpresa positiva entre os clubes de menor orçamento, terminando com saldo de gols negativo de apenas –3 — o que revela uma equipe equilibrada e difícil de ser batida, mesmo sem brilho ofensivo.
A Zona de Rebaixamento
Três clubes desceram à Championship ao final da temporada: West Brom (20º, 31 pontos), Stoke City (19º, 33 pontos) e Swansea (18º, 33 pontos) (Wikipédia). O West Brom foi o pior time do campeonato em pontuação, com apenas seis vitórias, 13 empates e 19 derrotas — aproveitamento de 27,2%. O clube marcou 31 gols e sofreu 56, com saldo de –25.
O Stoke City e o Swansea terminaram empatados em 33 pontos, mas com campanhas igualmente frágeis. O Stoke somou 19 derrotas e sofreu 68 gols — o maior número entre os rebaixados e o segundo maior da liga inteira. O Swansea venceu apenas oito partidas e marcou somente 28 gols em 38 jogos, o menor total entre os rebaixados.
O Southampton, em 17º com 36 pontos, escapou por margem pequena: apenas três pontos acima do Swansea e do Stoke. Os Saints somaram sete vitórias, 15 empates e 16 derrotas — o maior número de empates entre todos os times da zona de perigo, o que reflete uma equipe que frequentemente não perdia, mas também raramente vencia o suficiente para afastar o risco. A margem entre a permanência e a queda foi tênue no terço inferior da tabela.
O Huddersfield Town, em 16º com 37 pontos, foi um dos clubes promovidos que conseguiu se manter na elite, ao lado de Newcastle (10º, 44 pontos) e Brighton (15º, 40 pontos) — todos os três recém-chegados survivendo à primeira temporada de volta à Premier League (Wikipédia).
Artilharia e Destaques Individuais
Mohamed Salah foi o personagem individual dominante da temporada. Em 36 jogos pelo Liverpool, o egípcio marcou 32 gols e distribuiu dez assistências, com apenas um cartão amarelo — um perfil de eficiência e disciplina raros para um jogador tão decisivo. Salah foi eleito o melhor jogador da temporada pela PFA (Wikipédia), prêmio que coroou uma campanha sem precedentes para um jogador em sua estreia na liga inglesa. Seu domínio na artilharia foi claro: foram dois gols a mais que o segundo colocado.
Harry Kane, pelo Tottenham, terminou em segundo na artilharia com 30 gols em 37 partidas, contribuindo ainda com duas assistências. Apesar de cinco cartões amarelos, o centroavante inglês manteve presença constante e impacto direto nos resultados dos Spurs. A diferença de apenas dois gols para Salah mascara o quanto Kane foi igualmente prolífico — em volume de jogos praticamente idêntico, os dois formaram a dupla de artilheiros mais produtiva da liga há anos.
Sergio Agüero, do Manchester City, ficou em terceiro com 21 gols em apenas 25 partidas — aproveitamento de quase um gol por jogo, com seis assistências adicionais. Seu parceiro de ataque Raheem Sterling marcou 18 gols e distribuiu 11 assistências em 33 jogos, figurando simultaneamente entre os cinco maiores artilheiros e os cinco maiores assistentes da temporada.
Jamie Vardy, pelo Leicester, encerrou a temporada em quarto na artilharia com 20 gols em 37 jogos — contribuição notável para um clube que terminou em nono lugar com 47 pontos.
Os Números das Assistências
O ranking de assistências foi dominado quase inteiramente pelo Manchester City, reflexo direto da qualidade coletiva que sustentou o título. Kevin De Bruyne liderou com 16 passes para gol em 37 partidas, além de marcar oito gols — uma influência técnica central no esquema de Guardiola. Leroy Sané ficou em segundo com 15 assistências e dez gols em 32 jogos, sendo eleito revelação da temporada (Wikipédia). Sterling e David Silva completaram o pódio com 11 assistências cada — o City monopolizou quatro das cinco primeiras posições dessa tabela. Salah, único não-City no top 5, completou a lista com dez assistências.
Os Números dos Cartões
Oriol Romeu, do Southampton, liderou o ranking de cartões amarelos com 11 advertências em 34 jogos — média elevada para um volante que atuou em um time que brigou contra o rebaixamento. Wilfred Ndidi, do Leicester, somou dez amarelos e dois vermelhos em 33 partidas, sendo o jogador com mais expulsões na temporada entre os listados. Granit Xhaka, do Arsenal, acumulou dez amarelos em 38 jogos — presença completa no calendário, mas com alto índice de punições. Abdoulaye Doucouré, do Watford, e Ashley Barnes, do Burnley, completaram o top 5 com dez amarelos cada.
Números e Curiosidades da Temporada
- O Manchester City foi simultaneamente o melhor ataque (106 gols marcados) e a melhor defesa (27 gols sofridos) da temporada — feito que sintetiza a completude da campanha (Wikipédia).
- Os 100 pontos do City representam aproveitamento de 87,7% — 19 pontos à frente do segundo colocado, Manchester United (81 pontos).
- O total de 1.018 gols em 380 jogos gerou média de 2,68 gols por partida, indicando uma temporada ofensivamente abundante.
- Mohamed Salah foi o único jogador entre os cinco primeiros artilheiros a acumular também dez ou mais assistências, combinando 32 gols e dez passes decisivos com apenas um cartão amarelo em 36 jogos.
- O Liverpool terminou em quarto lugar com o terceiro melhor saldo de gols da liga (+46), à frente do Tottenham (+38) — mas os dois pontos a menos custaram a terceira posição.
- A goleada de 0 a 6 sobre o Watford, em 16 de setembro de 2017, foi o maior placar do campeonato na temporada (Wikipédia).
- Huddersfield Town, Brighton e Newcastle — os três promovidos — permaneceram na Premier League, evitando o rebaixamento imediato.
- West Ham (48 gols marcados) e Watford (44 gols marcados) figuraram entre os times mais ofensivos fora do G6, mas suas defesas vulneráveis — 68 e 64 gols sofridos, respectivamente — limitaram suas campanhas às posições intermediárias inferiores da tabela.
A temporada 2017–18 da Premier League será lembrada pela magnitude do título do Manchester City, mas também pela emergência de Mohamed Salah como um dos atacantes mais produtivos já vistos no campeonato inglês. Entre a hegemonia do topo e a tensão do fundo da tabela, os 380 jogos e mais de mil gols entregaram um calendário completo, com histórias de domínio, sobrevivência e renovação que definiram os rumos do futebol inglês para os anos seguintes.

































































