O Brasileirão Série A de 2024 ficará marcado como uma das edições mais competitivas e dramáticas da história recente da principal divisão do futebol brasileiro. Com 380 jogos disputados, 929 gols marcados e o título decidido apenas na última rodada, a temporada entregou emoção da abertura ao encerramento — e coroou o Botafogo campeão nacional após 29 anos de jejum na Série A (Wikipédia).
Visão Geral da Temporada
A edição 2024 reuniu os 20 clubes do país em 38 rodadas de pontos corridos e produziu uma média de 2,44 gols por partida, reflexo de um campeonato aberto e com poucas partidas de contenção pura. No total, 929 gols foram convertidos ao longo dos 380 jogos, números que revelam uma competição ofensiva. O torneio também foi marcado por uma interrupção extraordinária: em 15 de maio, a CBF suspendeu a competição em virtude das enchentes que assolaram o Rio Grande do Sul (Wikipédia), impondo reajuste no calendário sem, contudo, comprometer a integridade esportiva da disputa. Ao contrário de anos anteriores, não houve pausa para Copa América nem para os Jogos Olímpicos de Paris (Wikipédia), o que garantiu ritmo praticamente contínuo à competição ao longo do segundo semestre.
O Campeão: Botafogo e o Fim do Jejum
Com 79 pontos em 38 jogos, 23 vitórias, 10 empates e apenas 5 derrotas, o Botafogo encerrou 29 anos sem conquistar o título nacional da Série A (Wikipédia). O aproveitamento de 69,3% ao longo de toda a competição é a marca de uma equipe que sustentou consistência rara: menos de seis derrotas em um campeonato de pontos corridos com 38 rodadas é um indicador de solidez defensiva e regularidade acima da média.
A melhor defesa da competição foi justamente a do clube carioca, com apenas 29 gols sofridos em 38 partidas — uma média inferior a 0,8 gol por jogo. O saldo de gols positivo de +30 foi o maior entre todos os participantes. O título foi confirmado na última rodada, quando o Botafogo venceu o São Paulo por 2 a 1, no Rio de Janeiro (Wikipédia), encerrando qualquer suspense que ainda pudesse restar.
A conquista ganhou dimensão histórica adicional: ao vencer também a Copa Libertadores da América na mesma temporada, o Botafogo igualou Santos (1962–1963) e Flamengo (2019) como único clube brasileiro a conquistar os dois títulos no mesmo ano (Wikipédia). Os prêmios individuais confirmaram o domínio alvinegro: Luiz Henrique foi eleito o melhor jogador do campeonato, John levou o prêmio de melhor goleiro e o técnico Artur Jorge foi reconhecido como o melhor treinador da edição (Wikipédia).
A Briga pelo G4 e as Classificações para a Libertadores
O grupo dos quatro primeiros colocados — que garantiu vagas na fase de grupos da Copa Libertadores de 2025 — foi definido com margens relativamente confortáveis em relação ao quinto colocado, mas a disputa interna entre os classificados foi bastante acirrada.
- Botafogo (1º) — 79 pontos: 23V, 10E, 5D | GP 59, GC 29, SG +30
- Palmeiras (2º) — 73 pontos: 22V, 7E, 9D | GP 60, GC 33, SG +27
- Flamengo (3º) — 70 pontos: 20V, 10E, 8D | GP 61, GC 42, SG +19
- Fortaleza EC (4º) — 68 pontos: 19V, 11E, 8D | GP 53, GC 39, SG +14
A diferença entre o campeão Botafogo e o vice Palmeiras foi de seis pontos, margem que indica superioridade clara, mas não dominância absoluta. O Palmeiras, segundo colocado, foi o time com o segundo maior número de vitórias (22) e o segundo melhor saldo (+27), além de ter registrado o segundo maior número de gols marcados da competição (60). O clube paulista foi vice-campeão sem desmerecer: o problema foi simplesmente estar diante de um adversário ainda mais regular.
O Flamengo chegou ao pódio com o melhor ataque do campeonato — 61 gols marcados, a maior produção ofensiva entre todos os 20 times (Wikipédia) —, mas a defesa relativamente porosa (42 gols sofridos, saldo de +19) limitou o alcance do clube rubro-negro. O Fortaleza EC foi a grande surpresa positiva do G4, fechando o grupo dos classificados para a Libertadores com 68 pontos e saldo de +14, resultado expressivo para um clube do Nordeste em campeonato nacional de alto nível.
O Internacional ficou na quinta posição com 65 pontos — apenas três a menos que o Fortaleza —, o que demonstra quão acirrada foi a briga pela última vaga direta. São Paulo (6º, 59 pts), Corinthians (7º, 56 pts) e Bahia (8º, 53 pts) completaram a zona de classificação para a Sul-Americana, com o clube tricolor paulista e o alvinegro paulistano brigando pela sequência em competições continentais.
A Zona de Rebaixamento: Quatro Clubes Caem
Os quatro últimos colocados do Brasileirão Série A 2024 desceram para a Série B. A linha divisória entre a permanência e o rebaixamento ficou nítida na análise dos números.
- Athletico Paranaense (17º) — 42 pontos: 11V, 9E, 18D | GP 40, GC 46, SG -6
- Criciúma (18º) — 38 pontos: 9V, 11E, 18D | GP 42, GC 61, SG -19
- Atlético Goianiense (19º) — 30 pontos: 7V, 9E, 22D | GP 29, GC 58, SG -29
- Cuiabá (20º) — 30 pontos: 6V, 12E, 20D | GP 29, GC 49, SG -20
O Athletico Paranaense foi o rebaixado que mais se aproximou da salvação: com 42 pontos, o clube paranaense ficou a apenas dois pontos do RB Bragantino (16º, 44 pts) e a três do Juventude (15º, 45 pts). A diferença entre se manter na elite e cair foi mínima, o que evidencia o equilíbrio perturbador da zona intermediária. Para um clube com a tradição do Athletico, a queda representou um dos maiores percalços de sua história recente na elite nacional.
Criciúma, que havia retornado à elite após passagem na Série B, não resistiu: 18 derrotas, 61 gols sofridos e saldo de -19 expuseram as limitações defensivas da equipe catarinense. Atlético Goianiense e Cuiabá empataram em pontos (30 cada), mas o Atlético Goianiense terminou à frente apenas no número de vitórias (7 a 6). O Atlético Goianiense foi o time com mais derrotas do campeonato — 22 em 38 jogos —, ao passo que o Cuiabá encerrou a temporada com o pior aproveitamento absoluto. Ambos somaram apenas 29 gols marcados em 38 partidas, o menor ataque da competição, compartilhado entre os dois lanterninhas.
Artilharia e Destaques Individuais
A artilharia do Brasileirão 2024 terminou empatada: Yuri Alberto, do Corinthians, e Alerrandro, do Vitória, dividiram o posto de artilheiros com 15 gols cada (Wikipédia). O empate, porém, ganha contornos distintos ao se analisar o contexto: Yuri Alberto chegou ao topo em 29 jogos disputados, enquanto Alerrandro precisou de 35 partidas para igualar a marca. A eficiência do jogador corintiano foi, portanto, superior sob a perspectiva de gols por partida. Ambos também somaram quatro assistências cada.
Estêvão, do Palmeiras, foi eleito a revelação do campeonato (Wikipédia) e seus números justificam o reconhecimento: 13 gols e 9 assistências em 31 jogos fazem dele o jogador com maior participação direta em gols por partida entre os destaques individuais do torneio. O jovem palmeirense foi o segundo no ranking de assistências e o terceiro na artilharia, uma combinação que raramente se vê em atletas de sua faixa etária.
No quesito assistências, o destaque foi R. Garro, do Corinthians, que liderou com 10 passes para gol em 36 jogos — além de ter marcado outros 10 gols, consolidando-se como o jogador mais participativo do Corinthians na temporada. J. Savarino, do Botafogo, apareceu em terceiro lugar nas assistências (7) com 8 gols em 28 jogos, sendo peça importante do esquema do campeão. Matheus Pereira, do Cruzeiro, igualou Savarino com 7 assistências em apenas 13 partidas — índice de rendimento notável dentro do tempo em campo disponível. PH Ganso, do Fluminense, também somou 7 assistências, mas acumulou 11 cartões amarelos e 1 vermelho em 33 jogos, sendo o jogador mais advertido entre os líderes de assistências.
Cartões: Os Mais Indisciplinados da Temporada
Jádson, do Juventude, foi o jogador mais advertido da competição no quesito cartões amarelos, com 15 no total em 33 jogos — além de 1 cartão vermelho e 5 assistências. Zé Marcos, do Vitória, liderou os cartões vermelhos com 2 expulsões, somadas a 12 amarelos em 28 partidas. Allano, do Criciúma, também recebeu 2 vermelhos em 24 jogos, acompanhado de 10 amarelos. R. Battaglia, do Atlético-MG, e Hércules, do Fortaleza EC, completaram o grupo dos mais expulsos, com 2 vermelhos cada.
Os Números e Curiosidades da Temporada
A análise estatística global da edição 2024 revela uma competição de alto volume ofensivo e razoável equilíbrio. Alguns dados se destacam:
- A média de 2,44 gols por jogo em 380 partidas resultou em 929 gols no total, indicando uma edição generosa para os atacantes.
- O Flamengo teve o melhor ataque (61 gols), mas não converteu isso em título — prova de que eficiência defensiva pesa tanto quanto capacidade ofensiva (Wikipédia).
- O Botafogo teve a melhor defesa (29 gols sofridos) e foi campeão — a correlação entre solidez defensiva e conquista foi direta e inegável (Wikipédia).
- A diferença entre o 4º colocado (Fortaleza, 68 pts) e o 5º (Internacional, 65 pts) foi de apenas 3 pontos, tornando o G4 disputado até perto do fim.
- A diferença entre o 16º colocado (RB Bragantino, 44 pts) e o 17º rebaixado (Athletico Paranaense, 42 pts) foi de apenas 2 pontos — a margem mais estreita da tabela.
- O Bahia (8º) terminou com saldo de gols zerado: 49 marcados e 49 sofridos, equilíbrio perfeito e pouco usual.
- Vasco da Gama (10º, 50 pts) registrou saldo de -13, o pior entre os dez primeiros colocados, revelando uma equipe que marcou razoavelmente (43 gols) mas sofreu muito (56 gols). Entre os fatos marcantes, o clube carioca sofreu uma goleada de 1 a 6 para o Flamengo no Maracanã durante a 7ª rodada (Wikipédia).
- A edição de 2024 registrou a segunda maior média de público da história do Brasileirão, superada apenas pela temporada de 2023 (Wikipédia).
- O título foi decidido na última rodada, repetindo o padrão dramático da edição anterior (Wikipédia).
A temporada 2024 do Brasileirão Série A encerrou-se como um capítulo de referência para o futebol brasileiro: um campeão histórico, um artilheiro compartilhado, quatro rebaixamentos com margens que fizeram diferença de um jogo para o outro e uma produção de gols que manteve o espectador envolvido de ponta a ponta. Os números, como sempre, não mentem.



















































