O Brasileirão Série A de 2022 ficou marcado pela hegemonia palmeirense, por uma artilharia histórica de Germán Cano e por uma zona de rebaixamento que deixou quatro clubes na Série B — entre eles o Juventude, primeiro a confirmar o descenso com quatro rodadas de sobra. Ao longo de 380 partidas disputadas por 20 clubes, a competição produziu 905 gols, a uma média de 2,38 por jogo, entregando ao torcedor um campeonato tecnicamente desigual no topo, mas dramaticamente disputado nas posições intermediárias e na luta contra o rebaixamento.
Visão geral da temporada
A edição de 2022 teve uma peculiaridade no calendário: a competição foi iniciada um mês antes do habitual, em abril, para acomodar a pausa imposta pela Copa do Mundo FIFA de 2022, realizada no Qatar (Wikipédia). A adaptação afetou o ritmo de todos os clubes, exigindo planejamento de elenco para cobrir uma janela de paralisação no segundo semestre. Ainda assim, a organização técnica manteve o VAR disponível em todas as 380 partidas do campeonato (Wikipédia), reforçando a padronização arbitral que vinha sendo implementada nos anos anteriores. A temporada contou ainda com três representantes do Centro-Oeste — o maior número de clubes dessa região na era dos pontos corridos (Wikipédia) —, o que conferiu diversidade geográfica ao pelotão.
O campeão e como conquistou o título
O Palmeiras encerrou a temporada com 81 pontos, fruto de 23 vitórias, 12 empates e apenas 3 derrotas em 38 rodadas. O aproveitamento de 71,05% foi o mais alto da competição e refletiu uma consistência difícil de questionar pelos números. O título foi sacramentado matematicamente na 35ª rodada, após a derrota do Internacional para o América Mineiro por 1 a 0 (Wikipédia), confirmando que nenhum adversário conseguiu manter ritmo suficiente para ameaçar a liderança até o fim.
A superioridade palmeirense ficou evidente em dois pilares fundamentais: o melhor ataque e a melhor defesa da competição. Com 66 gols marcados e apenas 27 sofridos, o saldo de gols de +39 foi o maior de toda a tabela — 12 pontos acima do segundo colocado, o Internacional, que terminou com saldo de +27. Nenhum outro clube sequer chegou próximo de combinar produção ofensiva e solidez defensiva nesse nível. O título foi o 11º do Palmeiras no Campeonato Brasileiro (Wikipédia), consolidando o clube como o maior campeão da era dos pontos corridos. O técnico Abel Ferreira foi eleito o melhor treinador da competição (Wikipédia), reconhecimento que acompanhou os números excepcionais de sua equipe.
Na análise individual, o meio-campista Gustavo Scarpa terminou como o jogador mais criativo do elenco campeão: foram 10 assistências e 7 gols em 35 jogos, números que lhe renderam o prêmio de melhor jogador da temporada (Wikipédia). Dudu, outro pilar do ataque alviverde, somou 9 assistências e 7 gols em 38 partidas disputadas — contribuição direta e constante ao longo de todo o campeonato.
A briga pelo G4 e as classificações para a Libertadores
Atrás do Palmeiras, a disputa pelo G4 — e consequentemente pela vaga direta na fase de grupos da Copa Libertadores — foi bem mais equilibrada do que a liderança sugeria. O Internacional chegou à vice-liderança com 73 pontos: 20 vitórias, 13 empates e 5 derrotas, com saldo de +27. A diferença de 8 pontos para o Palmeiras, embora expressiva, esconde o fato de que o Colorado foi o segundo time com menos derrotas da competição.
O Fluminense completou o pódio com 70 pontos, numa campanha ofensiva de respeito: 63 gols marcados, segundo maior ataque do torneio, com 21 vitórias em 38 rodadas. O Corinthians fechou o G4 com 65 pontos, 18 vitórias e um dos ataques mais modestos entre os classificados para a Libertadores — apenas 44 gols marcados —, compensado por uma defesa relativamente sólida de 36 gols sofridos e saldo de +8.
A diferença de pontos entre o quarto e o quinto colocados foi relevante: o Flamengo terminou em quinto com 62 pontos, apenas 3 atrás do Corinthians. Com 60 gols marcados e um aproveitamento razoável de 18 vitórias, o Rubro-Negro ficou de fora do G4 num resultado que evidencia o equilíbrio do meio da tabela. O Athletico Paranaense e o Atlético-MG terminaram empatados em pontos — ambos com 58 —, em sexto e sétimo lugar respectivamente, separados pelo critério de desempate.
- 1º Palmeiras — 81 pts | 23V 12E 3D | GP 66 GC 27 SG +39
- 2º Internacional — 73 pts | 20V 13E 5D | GP 58 GC 31 SG +27
- 3º Fluminense — 70 pts | 21V 7E 10D | GP 63 GC 41 SG +22
- 4º Corinthians — 65 pts | 18V 11E 9D | GP 44 GC 36 SG +8
- 5º Flamengo — 62 pts | 18V 8E 12D | GP 60 GC 39 SG +21
A zona de rebaixamento
A parte de baixo da tabela reservou histórias de dificuldades expressivas. O Juventude encerrou a temporada na lanterna com 22 pontos — o menor total da competição —, acumulando 22 derrotas, apenas 3 vitórias e um saldo de gols de -40, o pior do campeonato. O clube gaúcho foi o primeiro a confirmar matematicamente o rebaixamento, com quatro rodadas de antecedência (Wikipédia), o que ilustra a distância entre seu desempenho e o mínimo necessário para a permanência.
O Avaí terminou na 19ª posição com 35 pontos: 9 vitórias, 8 empates e 21 derrotas, com saldo de -26. O Atlético Goianiense, em 18º, somou 36 pontos com apenas 8 vitórias em 38 rodadas e saldo de -18. O Ceará fechou a zona de rebaixamento em 17º com 37 pontos — curiosamente, com apenas 7 vitórias em 38 jogos, mas com 16 empates, o maior número entre os rebaixados, o que aponta para uma equipe que resistiu sem conseguir vencer o suficiente.
A diferença entre o 17º e o 16º colocado foi de apenas 4 pontos: o Cuiabá escapou com 41 pontos, enquanto o Ceará ficou com 37. A linha que separa permanência e rebaixamento foi, portanto, bastante estreita na parte intermediária inferior da tabela.
- 17º Ceará — 37 pts | 7V 16E 15D | GP 34 GC 41 SG -7 (rebaixado)
- 18º Atlético Goianiense — 36 pts | 8V 12E 18D | GP 39 GC 57 SG -18 (rebaixado)
- 19º Avaí — 35 pts | 9V 8E 21D | GP 34 GC 60 SG -26 (rebaixado)
- 20º Juventude — 22 pts | 3V 13E 22D | GP 29 GC 69 SG -40 (rebaixado)
Artilharia e destaques individuais
A artilharia de 2022 foi dominada de forma contundente por Germán Cano, do Fluminense. O atacante argentino marcou 26 gols em 38 jogos disputados — uma média de 0,68 gols por partida —, distanciando-se em sete gols do segundo colocado, Pedro Raul, do Goiás, que somou 19 tentos em 34 aparições. A vantagem numérica de Cano sobre o restante do pelotão foi expressiva: o terceiro colocado, Jonathan Calleri, do São Paulo, terminou com 18 gols em 36 jogos. A diferença de 8 gols entre o artilheiro e o terceiro colocado indica um domínio individual fora do comum para os padrões da Série A.
Bissoli, do Avaí — time rebaixado —, encerrou com 14 gols em 32 partidas, ocupando o quarto lugar. Marcos Leonardo, do Santos, completou o top 5 com 13 gols em 35 jogos, sendo o jogador mais jovem entre os cinco primeiros artilheiros.
No quesito criação, Gustavo Scarpa liderou com 10 assistências em 35 jogos, seguido de perto por Dudu (Palmeiras) e Juan Arias (Fluminense), ambos com 9 assistências. G. de Arrascaeta, do Flamengo, também somou 9 assistências em apenas 24 partidas disputadas — uma média de criação por jogo que chama atenção. Ângelo, do Santos, fechou o top 5 com 7 assistências em 27 jogos, despontando como um dos jovens mais produtivos da temporada.
Cartões: disciplina e indisciplina
R. Fernández, do Santos, foi o jogador com mais cartões amarelos da competição: 15 advertências em 29 jogos, sem nenhuma expulsão direta. Richardson, do Ceará, acumulou 14 amarelos e 1 vermelho em 31 partidas — um perfil de alta intensidade num time que acabou rebaixado. Bruno Silva, do Avaí, também rebaixado, somou 13 amarelos em 31 jogos. Alef Manga, do Coritiba, se destacou por combinar indisciplina e produção: 12 amarelos, mas também 9 gols e 5 assistências em 35 partidas.
Entre os que mais foram expulsos, David Braz (Fluminense), Luan Cândido (RB Bragantino) e Ramon (RB Bragantino) lideraram com 2 cartões vermelhos cada. O RB Bragantino, que terminou a temporada em 14º com 44 pontos, aparece com três jogadores entre os cinco líderes de expulsões — Eric Ramires completa o grupo com 2 vermelhos em 25 jogos.
Números e curiosidades da temporada
A maior goleada da edição foi registrada na 37ª rodada: Fortaleza 6 a 0 sobre o Red Bull Bragantino (Wikipédia). O resultado ocorreu numa fase final do campeonato em que o Fortaleza, que terminou em oitavo com 55 pontos, buscava consolidar posição na tabela, enquanto o Bragantino encaminhava uma campanha irregular.
Entre as curiosidades numéricas que os dados revelam:
- O Palmeiras foi simultaneamente o melhor ataque (66 gols) e a melhor defesa (27 gols sofridos) da competição — combinação que raramente se observa numa mesma temporada.
- O saldo de gols do Palmeiras (+39) foi 12 pontos superior ao do segundo melhor saldo, do Internacional (+27), e 17 pontos acima do terceiro, o Fluminense (+22).
- América Mineiro e Botafogo terminaram empatados em pontos (53) e em vitórias (15), ocupando 10º e 11º lugares respectivamente, separados pelo saldo de gols: o América tinha saldo zero, o Botafogo, -2.
- O Athletico Paranaense terminou em 6º com saldo de gols exatamente zero: 48 gols marcados e 48 sofridos em 38 rodadas.
- O Juventude, lanterna com 22 pontos, sofreu 69 gols ao longo da temporada — a pior defesa do campeonato, com mais de 1,8 gol sofrido por partida em média.
- A média geral de 2,38 gols por jogo nas 380 partidas disputadas resultou em 905 gols no total da competição.
O Brasileirão 2022 ficará registrado, acima de tudo, como a temporada do Palmeiras invicto em espírito competitivo — apenas 3 derrotas em 38 rodadas —, da artilharia expressiva de Germán Cano e de uma Série B que recebeu quatro novos integrantes, dois deles, Avaí e Juventude, sem condições de competir em nível igual ao restante do pelotão durante a maior parte do ano.




































































