O Brasileirão Série A de 2017 entrou para a história do futebol brasileiro como a edição da hegemonia corintiana. Com 72 pontos em 38 jogos, o Corinthians conquistou o sétimo título nacional da sua história de forma soberana, tornando-se o primeiro clube a encerrar o primeiro turno invicto na era dos pontos corridos (Wikipédia). Ao longo de uma temporada marcada pela competitividade no meio da tabela e pelo drama na zona de rebaixamento, os 20 clubes disputaram 380 partidas e produziram 923 gols, a uma média de 2,43 por jogo.
Visão Geral da Temporada
A edição de 2017 reuniu vinte equipes numa longa jornada de trinta e oito rodadas, resultando em 380 confrontos ao longo do calendário. A produção ofensiva foi de 923 gols, o que equivale a 2,43 por partida — indicativo de uma temporada razoavelmente aberta. O topo da tabela foi dominado por clubes paulistas e gaúchos, ao passo que a zona de rebaixamento consumiu times de perfis variados, incluindo tradicionais candidatos ao meio de tabela.
A amplitude da tabela revela o domínio corintiano: 36 pontos separaram o campeão do último colocado, o Atlético Goianiense, com 36 pontos. Mesmo a diferença entre o primeiro e o quarto colocado — dez pontos — expressa a vantagem confortável com que o Corinthians navegou pela competição. O equilíbrio ficou concentrado nas posições intermediárias: entre o 5º colocado (Cruzeiro, 57 pontos) e o 16º (Vitória, 43 pontos), a margem foi de apenas 14 pontos para doze clubes, evidenciando densidade competitiva no núcleo da tabela.
O Campeão: Como o Corinthians Conquistou o Título
O Corinthians de 2017 foi uma das equipes mais consistentes da história recente do Brasileirão. Com 21 vitórias, 9 empates e apenas 8 derrotas, o clube alvinegro acumulou 72 pontos — um aproveitamento de 63,2%. Mais do que os números absolutos, a regularidade foi a marca registrada: o time liderado pelo técnico Fábio Carille (Wikipédia) foi o único na era dos pontos corridos a chegar ao intervalo da competição sem nenhuma derrota, feito que selou o caráter histórico da campanha.
No campo defensivo, o Corinthians foi simplesmente o mais sólido do país. A defesa corintiana sofreu apenas 30 gols em 38 partidas — o melhor do torneio —, resultando num saldo positivo de 20. Nenhum outro clube combinou eficiência defensiva com regularidade de resultados em nível semelhante. Enquanto times do G-4 como Palmeiras e Grêmio sofreram 45 e 36 gols, respectivamente, o escudo alvinegro permaneceu quase intransponível ao longo da temporada.
O título foi sacramentado três rodadas antes do término da competição, com uma vitória por 3 a 1 sobre o Fluminense na Arena Corinthians (Wikipédia). O triunfo antecipado sublinhou a superioridade corintiana: ao fechar o campeonato com folga, o clube deixou para trás rivais diretos como Palmeiras e Santos, que chegaram a poucos pontos do segundo lugar, mas nunca ameaçaram seriamente a liderança. Fábio Carille foi reconhecido como o melhor técnico da competição (Wikipédia), e o centroavante Jô levou o prêmio de melhor jogador do torneio (Wikipédia).
A Briga pelo G-4 e as Classificações à Libertadores
Se o Corinthians cruzou a linha de chegada com folga, a disputa pelas demais vagas à Copa Libertadores foi intensa até os momentos finais. Palmeiras, Santos e Grêmio completaram o G-4, mas com margem estreita entre si:
- Palmeiras (2º, 63 pts): Melhor ataque do campeonato, com 61 gols marcados — dez a mais do que o vice-artilheiro ofensivo do G-4, o Grêmio, com 55. O Palmeiras venceu 19 jogos, mas sofreu 13 derrotas e cedeu 45 gols, fragilidade que o impediu de ameaçar o líder.
- Santos (3º, 63 pts): Empatado em pontos com o Palmeiras, o Santos se diferenciou pela solidez defensiva — apenas 32 gols sofridos, segundo melhor da competição — e pelas 12 igualdades, o maior número de empates entre os quatro primeiros. O saldo de gols (+10) foi decisivo para separá-lo do Grêmio.
- Grêmio (4º, 62 pts): A apenas um ponto do Santos, o Grêmio encerrou com 18 vitórias e saldo de +19, o segundo melhor da competição. Com 55 gols marcados, o clube gaúcho apresentou o segundo ataque mais produtivo do G-4.
A diferença de apenas um ponto entre o 3º e o 4º colocados ilustra o nível de disputa pela última vaga. Cruzeiro (57 pts, 5º) e Flamengo (56 pts, 6º) ficaram de fora da zona de classificação à fase de grupos da Libertadores por margens pequenas, num bloco em que cada ponto tinha peso decisivo.
O Meio da Tabela: Equilíbrio e Tensão
Entre a 6ª e a 16ª posições, dez clubes se espalharam em apenas 13 pontos — de 56 (Flamengo e Vasco da Gama) a 43 (Vitória, Coritiba e Avaí). Esse adensamento criou situações inusitadas: Flamengo e Vasco terminaram empatados com 56 pontos e resultados idênticos em vitórias (15), derrotas (12) e empates (11), sendo separados pelo saldo de gols — +11 para o Flamengo contra -7 do Vasco.
A Chapecoense, em seu retorno emocionante ao futebol de alto nível, terminou na 8ª posição com 54 pontos e um saldo negativo de -2, resultado que, dados os acontecimentos que marcaram o clube no final de 2016, representou um desempenho notável. O Atlético-MG, também com 54 pontos e saldo de +3, ficou em 9º, separado da Chapecoense pelos critérios de desempate.
São Paulo e Bahia, com 50 pontos cada, terminaram em 13º e 12º respectivamente, distantes de qualquer risco, mas também longe de qualquer objetivo continental. O Fluminense, 14º com 47 pontos, protagonizou uma das contradições da temporada: terminou com o segundo artilheiro da competição no elenco, mas não traduziu esse poder ofensivo em classificação expressiva.
A Zona de Rebaixamento: Drama até o Fim
O rebaixamento de 2017 combinou casos relativamente precoces com definições de última hora, tornando a parte inferior da tabela um ambiente de angústia crescente durante os meses finais do campeonato.
O Atlético Goianiense foi o primeiro clube a ter o descenso matematicamente confirmado — fato consumado com um empate de 1 a 1 contra a Chapecoense (Wikipédia). Com apenas 9 vitórias, 9 empates e 20 derrotas, o clube goiano terminou com 36 pontos e saldo de -18, o segundo pior da competição. Seus 56 gols sofridos evidenciaram fragilidade defensiva crônica ao longo de todo o ano.
A Ponte Preta viveu um rebaixamento dramático: o clube de Campinas, que chegou a figurar em posições mais confortáveis durante a temporada, teve o descenso confirmado na penúltima rodada, após uma derrota por 3 a 2 para o Vitória (Wikipédia). Com 39 pontos, 10 vitórias e 19 derrotas, a Ponte encerrou com saldo de -15. Curiosamente, o clube foi o mais indisciplinado da competição na lista de cartões vermelhos: quatro dos cinco jogadores com mais expulsões no campeonato vestiam a camisa da Ponte — Rodrigo Baldasso da Costa (2 vermelhos), Elton, Naldo e Fernando Paixão da Silva (1 vermelho cada).
Avaí e Coritiba completaram o quarteto rebaixado, com destinos selados apenas na última rodada (Wikipédia). Ambos encerraram com 43 pontos, mas com perfis distintos: o Avaí teve o pior saldo de gols do campeonato (-19) e apenas 29 gols marcados — o ataque mais apagado da Série A —, enquanto o Coritiba chegou a 42 gols marcados e saldo de -9. Vitória e Sport Recife, com os mesmos 43 pontos do Avaí e do Coritiba, escaparam do rebaixamento pelos critérios de desempate, numa das disputas mais acirradas das últimas rodadas de um Brasileirão.
Artilharia e Destaques Individuais
A artilharia de 2017 foi compartilhada por dois centroavantes com histórias e contextos completamente distintos, mas que terminaram nivelados no topo:
- Jô (Corinthians): 18 gols em 34 jogos, com 3 assistências e apenas 5 cartões amarelos. Artilheiro do campeão, Jô foi eleito o melhor jogador do torneio (Wikipédia), combinando eficiência goleadora com comportamento disciplinado dentro de campo.
- Henrique Dourado (Fluminense): 18 gols em 32 jogos, com 2 assistências e 9 cartões amarelos. O atacante produziu individualmente numa equipe que não conseguiu converter seu poder ofensivo em classificação entre os primeiros.
- André Felipe (Sport Recife): 16 gols em 35 jogos, com 1 assistência. Terceiro artilheiro do campeonato, o jogador foi o principal trunfo ofensivo de um Sport que terminou em 15º lugar.
- Lucca (Ponte Preta): 13 gols em 37 jogos, num dos casos mais emblemáticos da temporada — artilheiro de um time rebaixado, presente em quase toda a campanha.
- Frederico Chaves Guedes (Atlético-MG): 12 gols em apenas 29 jogos, além de 5 assistências — a melhor relação gols+assistências entre os cinco primeiros artilheiros.
No ranking de assistências, Gustavo Scarpa (Fluminense) liderou com 12 passes para gol em 38 partidas, seguido por Bruno Henrique (Santos), com 11 assistências e 8 gols em 28 jogos — duplo dígito em participações diretas num número reduzido de partidas. Rodrigo Pimpão (Botafogo) somou 9 assistências, e Reinaldo (Chapecoense) e J. Cazares (Atlético-MG) empataram com 8 cada.
Entre os cartões amarelos, cinco jogadores atingiram o número máximo registrado na competição: 12 advertências cada para Judson (Avaí, 33 jogos), Á. Romero (Corinthians, 30 jogos), J. Carli (Botafogo, 28 jogos), Wellington (Vasco da Gama, 26 jogos) e Lucas Lima (Santos, 25 jogos).
Números e Curiosidades da Temporada
Os dados da Série A 2017 revelam algumas análises que merecem destaque:
- O Corinthians foi ao mesmo tempo o campeão e o dono da melhor defesa da competição (30 gols sofridos), enquanto o Palmeiras terminou vice-campeão com o melhor ataque (61 gols). O título ficou com quem defendeu melhor, não com quem marcou mais.
- O Sport Recife foi o time que mais sofreu gols entre os não rebaixados: 58 gols sofridos, empatado com o Vitória, também com 58. Ambos escaparam do rebaixamento com 45 e 43 pontos, respectivamente.
- Nas goleadas da temporada, destacaram-se Atlético-PR 5 a 0 sobre o Avaí, na Arena da Baixada em 3 de agosto, e Grêmio 5 a 0 sobre o Sport, na Arena do Grêmio em 2 de setembro (Wikipédia).
- A Ponte Preta foi, ao mesmo tempo, o clube com mais jogadores na lista dos maiores cartões vermelhos da temporada e um dos rebaixados — quatro de seus jogadores figuram entre os cinco com mais expulsões no campeonato.
- O aproveitamento do Corinthians (63,2%) foi 5,3 pontos percentuais superior ao do Palmeiras (55,3%), diferença que, em 38 rodadas, se traduz em 9 pontos a menos para o vice-campeão.
- A diferença entre o 17º colocado (Coritiba, 43 pts) e o 15º (Sport Recife, 45 pts) foi de apenas 2 pontos — o que revela que a linha de rebaixamento foi disputada em fio de navalha.
O Brasileirão Série A de 2017 será lembrado, acima de tudo



































































