O Brasileirão Série A de 2015 ficará marcado pela dominância avassaladora do Corinthians, que encerrou a temporada com 81 pontos em 38 rodadas e conquistou o hexacampeonato brasileiro com três rodadas de antecedência (Wikipédia), entregando ao torcedor uma campanha que beirou a perfeição no contexto do futebol nacional. A edição reuniu 20 clubes, produziu 897 gols em 380 partidas — média de 2,36 por jogo — e jogou luz sobre disputas acirradas na parte de cima e dramas intensos na zona de rebaixamento.
Visão geral da temporada
Com 380 jogos disputados ao longo de toda a temporada, o campeonato de 2015 apresentou um equilíbrio considerável entre a maioria dos clubes do meio da tabela, mas nenhum equilíbrio quando o assunto era o líder. O Corinthians operou em uma dimensão distinta: enquanto o vice-campeão Atlético-MG terminou com 69 pontos, o clube paulistano acumulou 81, uma diferença de 12 pontos que, em termos práticos, equivale a quatro vitórias de vantagem sobre o segundo colocado. Foram 24 vitórias, 9 empates e apenas 5 derrotas em toda a competição.
A temporada também foi marcada por um recorte geográfico inédito: Santa Catarina chegou a ter quatro representantes na Série A — Avaí, Chapecoense, Figueirense e Joinville —, o maior número de clubes de um único estado fora do eixo tradicional na história dos pontos corridos (Wikipédia). Em sentido oposto, o Nordeste viu-se representado por apenas um clube, o Sport Recife, configurando o menor número de representantes nordestinos na história do formato (Wikipédia).
O campeão e como o título foi conquistado
Nenhuma análise da Série A 2015 pode começar por outro lugar que não o Corinthians. O time dirigido pelo técnico Tite — eleito o melhor treinador da competição (Wikipédia) — construiu a campanha mais sólida da era dos pontos corridos no clube e uma das mais expressivas da história recente do Brasileirão.
Os números falam por si. O Corinthians foi, ao mesmo tempo, o melhor ataque (71 gols marcados) e a melhor defesa (apenas 31 gols sofridos) do campeonato. O saldo de gols de +40 foi mais que o dobro do segundo melhor saldo, pertencente ao próprio Grêmio (+20). Com aproveitamento de 71,1% dos pontos disputados, o clube encerrou a campanha com a tranquilidade de quem nunca precisou esperar o apito final para garantir a festa.
O título foi matematicamente confirmado em um empate de 1 a 1 diante do Vasco da Gama, fora de casa, com três rodadas ainda a serem disputadas (Wikipédia). A conquista foi o sexto título brasileiro do Corinthians (Wikipédia), reafirmando a hegemonia do clube no cenário nacional naquela época. O melhor jogador da competição foi Renato Augusto, também do Corinthians (Wikipédia).
A briga pelo G4 e as classificações para a Libertadores
Atrás do Corinthians, quatro vagas para a Copa Libertadores estavam em disputa, e a batalha foi travada com intensidade considerável ao longo de toda a temporada.
- Atlético-MG (2º, 69 pts): Vice-campeão com 21 vitórias, 6 empates e 11 derrotas. O Galo marcou 65 gols, o segundo maior ataque da competição, mas sofreu 47, o que revelou certa fragilidade defensiva comparada ao campeão.
- Grêmio (3º, 68 pts): Apenas um ponto atrás do Atlético-MG, o Tricolor gaúcho foi o time mais equilibrado do G4 fora do Corinthians: 20 vitórias, 8 empates, 10 derrotas, com a segunda melhor defesa da competição (32 gols sofridos) e saldo de +20.
- São Paulo (4º, 62 pts): Com 18 vitórias e saldo de +6, o Tricolor paulistano fechou o grupo dos quatro classificados, mas com folga inferior — seis pontos separavam o São Paulo do Internacional, quinto colocado com 60 pontos.
A disputa pelo quinto lugar ilustra bem o equilíbrio no restante do torneio: Internacional (60 pts), Sport Recife (59 pts) e Santos (58 pts) ficaram fora da Libertadores por margem mínima. O Santos, em particular, apresentou o terceiro maior ataque da competição, com 59 gols, mas viu a falta de consistência defensiva — 41 sofridos — custar caro no cômputo final.
A zona intermediária da tabela revelou um bloco denso de times próximos em pontuação. Entre o Cruzeiro (8º, 55 pts) e o Figueirense (16º, 43 pts), havia apenas 12 pontos separando oito clubes diferentes, o que demonstra como qualquer sequência negativa poderia arrastar um time da segurança para a ameaça de queda.
A zona de rebaixamento e os dramas do Z4
O rebaixamento de 2015 envolveu quatro clubes com histórias e situações bastante distintas, mas com um denominador comum: campanhas insuficientes ao longo de 38 rodadas.
- Joinville (20º, 31 pts): O pior desempenho da competição. Sete vitórias, dez empates e 21 derrotas. Com saldo de -22 e apenas 26 gols marcados — o pior ataque do torneio —, o clube catarinense foi o primeiro a confirmar o rebaixamento, já na 36ª rodada (Wikipédia), sem qualquer suspense na reta final.
- Goiás (19º, 38 pts): Dez vitórias não foram suficientes diante de 20 derrotas. O clube goiano sofreu 49 gols e marcou 39, encerrando a temporada com saldo de -10.
- Vasco da Gama (18º, 41 pts): O rebaixamento do clube carioca foi especialmente doloroso. Com a pior defesa entre os times relegados — 54 gols sofridos e saldo de -26, o pior do campeonato —, o Vasco não conseguiu emendar resultados positivos em sequência suficiente para escapar.
- Avaí (17º, 42 pts): O clube catarinense terminou na borda da queda com 42 pontos, mas o saldo de -22 (60 gols sofridos em 38 jogos) foi determinante para selar o destino. A diferença de apenas um ponto em relação ao Vasco mostra o quanto a temporada foi dramática na parte de baixo da tabela.
Vale ressaltar que a distância entre o 16º colocado, o Figueirense (43 pts), e o 17º, o Avaí (42 pts), foi de apenas um ponto — sinalizando como o encerramento foi tenso para diversos clubes que navegaram próximos à linha de corte.
Artilharia e destaques individuais
No plano individual, a temporada de 2015 produziu números expressivos, especialmente no que diz respeito à artilharia.
Ricardo de Oliveira, do Santos, foi o grande nome ofensivo da competição. O centroavante marcou 20 gols em 32 jogos — uma média de 0,625 gols por partida —, consagrando-se artilheiro com folga de seis gols sobre o segundo colocado (Wikipédia). Com apenas 1 assistência e nenhum cartão vermelho, Ricardo de Oliveira foi eficiência pura, personificando o paradoxo de ser o melhor artilheiro de um time que terminou apenas em sétimo lugar.
Na sequência da artilharia, três jogadores empataram com 13 gols cada:
- Vágner Love (Corinthians): 14 gols em 31 jogos, contribuindo diretamente para o melhor ataque da competição.
- André Felipe (Sport Recife): 13 gols em 29 jogos, com 3 assistências — uma das peças mais importantes da campanha do Sport, que terminou em sexto lugar.
- Jádson Rodrigues da Silva (Corinthians): 13 gols e, sobretudo, 9 assistências em 34 jogos — o maior número de assistências entre todos os jogadores da competição. Jádson foi o maestro do time campeão, combinando criatividade e finalização de forma única.
- L. Pratto (Atlético-MG): 13 gols em 36 jogos, representando o setor ofensivo do vice-campeão.
Na tabela de assistências, Jádson liderou com 9 passes para gol. Na sequência, PH Ganso (São Paulo) distribuiu 6 assistências em 31 partidas, e Giovanni Augusto (Atlético-MG) e Marlone (Sport Recife) contribuíram com 5 cada. O Sport Recife apareceu de forma expressiva nessa tabela, tendo também Diego Souza como um jogador influente, com 9 gols e 4 assistências — ao custo de 8 cartões amarelos e 1 vermelho em 34 jogos.
Cartões e indisciplina
A edição de 2015 também trouxe registros relevantes em relação à indisciplina. Eduardo da Silva Nascimento Neto, do Avaí, foi o líder isolado em cartões amarelos, somando 13 advertências em apenas 28 partidas — uma média que se aproxima de meio cartão por jogo. Na sequência, três jogadores terminaram com 12 amarelos cada: Willians Domingos Fernandes (Cruzeiro), Walace (Grêmio) e Marcos Júnior (Fluminense).
Entre os expulsos mais recorrentes, o Vasco da Gama dominou o topo da lista de cartões vermelhos. Jorge Henrique acumulou 3 expulsões em apenas 14 jogos, o número mais alto da competição. Seu companheiro de clube Rafael Silva somou 2 vermelhos em 25 partidas. O alto índice de disciplina negativa do Vasco, combinado à pior defesa da temporada, contribui para explicar as dificuldades do clube ao longo do campeonato.
Números e curiosidades da temporada
A Série A 2015 consolidou algumas marcas dignas de registro:
- Foram 897 gols marcados em 380 jogos, com média de 2,36 por partida — um índice elevado para os padrões do campeonato.
- O Corinthians foi o único clube a liderar simultaneamente as categorias de melhor ataque (71 gols marcados) e melhor defesa (31 gols sofridos), combinação que explica, por si só, a vantagem de 12 pontos sobre o vice-campeão.
- O Internacional aplicou uma goleada de 6 a 0 sobre o Vasco da Gama em 2 de setembro, na 22ª rodada (Wikipédia), em um dos placares mais expressivos da temporada.
- Santa Catarina viveu uma edição histórica com quatro representantes no torneio: Avaí, Chapecoense, Figueirense e Joinville — recorde na era dos pontos corridos (Wikipédia). O desfecho, porém, foi amargo: Avaí e Joinville desceram à Série B.
- O Nordeste teve apenas o Sport Recife como representante — menor participação regional da história do formato (Wikipédia). O clube pernambucano correspondeu à responsabilidade, terminando em 6º lugar com 59 pontos.
- A Chapecoense terminou em 14º lugar com 47 pontos — resultado que, à época, representava a consolidação crescente do clube catarinense no cenário nacional.
- O Flamengo encerrou a temporada em 12º lugar com 49 pontos, resultado marcado por uma das piores relações entre vitórias (15) e derrotas (19) do elenco, reflexo de uma campanha irregular ao longo do ano.
Em síntese, o Brasileirão Série A de 2015 foi uma temporada de contrastes: dominância absoluta no topo, tensão permanente no meio e dramas coletivos na zona de queda. O Corinthians escreveu um dos capítulos mais expressivos de sua história no torneio de pontos corridos, enquanto Joinville, Goiás, Vasco da Gama e Avaí deixaram a elite com a missão de reconstrução pela frente. A artilharia de Ricardo de Oliveira e a dupla função de Jádson como goleador e distribuidor foram os principais destaques individuais de uma edição que entrou para o repertório histórico do futebol brasileiro.

































































