O Brasileirão Série A de 2023 encerrou sua 38ª e última rodada com um campeão decidido no limite, um rebaixamento histórico e uma disputa no topo que manteve a tabela comprimida até os minutos finais. Ao longo de 380 jogos disputados, 946 gols marcados e uma média de 2,49 tentos por partida, a edição deixou registros técnicos e dramáticos que a distinguem das temporadas recentes.
Visão Geral da Temporada
Com 20 clubes em disputa, o campeonato revelou uma concentração de qualidade incomum no topo da tabela: os cinco primeiros colocados somaram, juntos, 70, 68, 66, 66 e 64 pontos — uma sequência que evidencia o quanto o título e as vagas em competições continentais foram discutidos até tarde. A separação entre o campeão Palmeiras (1º, 70 pontos) e o quinto colocado Botafogo (5º, 64 pontos) foi de apenas seis pontos, com quatro clubes encaixados num intervalo de apenas dois pontos entre o 3º e o 4º lugar. Ao mesmo tempo, a zona de rebaixamento apresentou contrastes agudos: o 17º colocado Santos somou 43 pontos — 27 a mais do que o lanterna América Mineiro. O VAR foi utilizado em todas as 380 partidas do campeonato (Wikipédia), consolidando a tecnologia como elemento permanente da competição.
O Campeão e Como o Título Foi Conquistado
O Palmeiras encerrou a temporada com 70 pontos — fruto de 20 vitórias, dez empates e apenas oito derrotas em 38 rodadas, o que equivale a um aproveitamento de 61,4%. O título do bicampeonato foi sacramentado na última rodada, com empate de 1 a 1 diante do Cruzeiro, em Belo Horizonte (Wikipédia). A vaga do vice-campeão Grêmio dependia de tropeço alviverde, o que não ocorreu.
O ataque palmeirense foi o mais produtivo do campeonato, com 64 gols marcados — saldo de 31, o maior da competição, e mais que o dobro do saldo do vice-campeão (7). A defesa, com 33 gols sofridos, ficou apenas um gol atrás das melhores do torneio. A combinação de eficiência ofensiva e solidez defensiva explica por que a margem sobre o Grêmio foi de dois pontos mesmo com o Tricolor gaúcho registrando o maior número bruto de vitórias na temporada: 21 — contra 20 do Palmeiras.
A Briga Pelo G4 e as Classificações Continentais
O grupo que garantiu vaga na fase de grupos da Libertadores 2024 foi composto por Palmeiras (1º, 70 pts), Grêmio (2º, 68 pts), Atlético-MG (3º, 66 pts) e Flamengo (4º, 66 pts). Entre o 3º e o 4º lugar, o critério de desempate foi necessário: ambos somaram 19 vitórias, nove empates e dez derrotas. O Atlético-MG levou a melhor pelo saldo de gols — +20 contra +14 do Flamengo.
O Botafogo, 5º colocado com 64 pontos, encerrou o campeonato a dois pontos do G4, com saldo de +21 e apenas 37 gols sofridos — a segunda melhor marca defensiva do torneio. O RB Bragantino, 6º com 62 pontos, completou o pelotão que se classificou para a fase preliminar da Libertadores ou para a Sul-Americana, dependendo dos regulamentos das competições internacionais.
- 1º – Palmeiras: 70 pts | 20V-10E-8D | GP 64, GC 33, SG +31
- 2º – Grêmio: 68 pts | 21V-5E-12D | GP 63, GC 56, SG +7
- 3º – Atlético-MG: 66 pts | 19V-9E-10D | GP 52, GC 32, SG +20
- 4º – Flamengo: 66 pts | 19V-9E-10D | GP 56, GC 42, SG +14
- 5º – Botafogo: 64 pts | 18V-10E-10D | GP 58, GC 37, SG +21
- 6º – RB Bragantino: 62 pts | 17V-11E-10D | GP 49, GC 35, SG +14
O miolo da tabela concentrou clubes tradicionais numa faixa estreita entre 50 e 56 pontos. Fluminense (7º, 56 pts) e Atlético Paranaense (8º, 56 pts) empataram em pontos; Internacional (9º, 55 pts) e Fortaleza (10º, 54 pts) ficaram próximos. São Paulo (11º, 53 pts) e Cuiabá (12º, 51 pts) completaram um bloco intermediário com aproveitamentos entre 45% e 49%. Corinthians (13º, 50 pts) e Cruzeiro (14º, 47 pts) encerraram o campeonato sem grandes riscos, mas também sem ambições continentais concretas.
A Zona de Rebaixamento
Os quatro rebaixados para a Série B de 2024 foram Santos (17º), Goiás (18º), Coritiba (19º) e América Mineiro (20º). A combinação de números revela trajetórias distintas de queda.
O América Mineiro foi o primeiro clube a confirmar o acesso à segunda divisão, com cinco rodadas de antecedência (Wikipédia). Ao fim, o clube mineiro somou apenas 24 pontos — apenas cinco vitórias em 38 jogos —, sofreu 81 gols (o pior número da competição) e encerrou com saldo de -39, também o mais negativo do campeonato. O Coritiba, 19º com 30 pontos, apresentou números igualmente preocupantes: 24 derrotas, 73 gols sofridos e saldo de -32.
O Goiás (18º, 38 pontos) e o Santos (17º, 43 pontos) desceram com números relativamente menos catastróficos na coluna de pontos, mas insuficientes para a permanência. O caso santista foi o de maior repercussão histórica: o Santos foi rebaixado para a Série B pela primeira vez em sua história (Wikipédia). O clube da Baixada Santista somou 17 derrotas, sofreu 64 gols e terminou com saldo negativo de -25. A margem entre o Santos (43 pts) e o Bahia, 16º colocado e primeiro clube fora da zona (44 pts), foi de apenas um ponto — diferença mínima que traduz o drama da temporada.
- 17º – Santos: 43 pts | 11V-10E-17D | GP 39, GC 64, SG -25
- 18º – Goiás: 38 pts | 9V-11E-18D | GP 36, GC 53, SG -17
- 19º – Coritiba: 30 pts | 8V-6E-24D | GP 41, GC 73, SG -32
- 20º – América Mineiro: 24 pts | 5V-9E-24D | GP 42, GC 81, SG -39
Artilharia e Destaques Individuais
A artilharia do Brasileirão 2023 ficou com Paulinho, do Atlético-MG. O atacante disputou 35 partidas e marcou 18 gols pelo campeonato — número que, segundo os FATOS EXTERNOS, chegou a 20 gols ao longo de toda a temporada do clube (Wikipédia), consolidando-o como referência ofensiva da competição. Logo atrás, Luis Suárez (Grêmio) e Tiquinho Soares (Botafogo) dividiram o segundo posto com 17 gols cada. Hulk, do Atlético-MG, marcou 15 vezes. Marcos Leonardo, do Santos, anotou 13 gols em 29 jogos — desempenho individual notável num clube que terminou rebaixado.
Na tabela de assistências, Luis Suárez liderou com 11 passes para gol em 32 partidas — combinando essa cifra com seus 17 gols, o uruguaio participou diretamente de 28 tentos do Grêmio, clube que marcou 63 ao todo na temporada. Hulk apareceu em segundo, com 10 assistências, além dos 15 gols: participação direta em 25 dos 52 gols do Atlético-MG. Gerson (Flamengo) distribuiu oito assistências; Raphael Veiga (Palmeiras) e Cauly (Bahia) somaram sete cada.
- Artilheiros: Paulinho (Atlético-MG, 18 gols), L. Suárez (Grêmio, 17), Tiquinho Soares (Botafogo, 17), Hulk (Atlético-MG, 15), Marcos Leonardo (Santos, 13)
- Assistências: L. Suárez (Grêmio, 11), Hulk (Atlético-MG, 10), Gerson (Flamengo, 8), Raphael Veiga (Palmeiras, 7), Cauly (Bahia, 7)
No campo disciplinar, W. Kannemann (Grêmio) foi o jogador que mais recebeu cartões amarelos: 16 advertências em 27 partidas, além de um vermelho. G. Mercado (Internacional) e Robson (Coritiba) acumularam 13 amarelos cada. Entre os expulsos com maior frequência, Reinaldo (Grêmio), Hulk (Atlético-MG) e G. Gómez (Palmeiras) lideraram com dois vermelhos cada — além de Kanu (Bahia) e Lucas Halter (Goiás) na mesma marca.
Números e Curiosidades da Temporada
A edição de 2023 foi a mais equilibrada em termos de pontuação no topo em anos recentes: apenas seis pontos separaram o campeão (70) do 5º colocado (64). Ao mesmo tempo, a concentração de gols foi alta: os 946 tentos em 380 jogos resultaram na média de 2,49 por partida, número acima de edições anteriores.
A maior goleada do campeonato foi aplicada pelo Internacional sobre o Santos: 7 a 1, no Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, na 28ª rodada, em 22 de outubro (Wikipédia). O resultado agravou a crise santista e simbolizou a fragilidade defensiva do clube que terminaria rebaixado — 64 gols sofridos no total.
O Atlético-MG compartilhou com o Cruzeiro a melhor defesa da competição: apenas 32 gols sofridos cada (Wikipédia). O dado é revelador porque Atlético-MG e Cruzeiro encerraram o campeonato em posições opostas da tabela — 3º e 14º, respectivamente —, indicando que a solidez defensiva, por si só, não determina a posição final sem correspondência ofensiva: o Atlético marcou 52 gols; o Cruzeiro, apenas 35.
O Grêmio apresentou o dado mais curioso entre os candidatos ao título: foi o time com mais vitórias na temporada — 21 —, mas terminou vice-campeão porque acumulou cinco empates a menos que o Palmeiras (cinco contra dez), o que reduziu a pontuação em partidas que poderiam ter sido convertidas em mais pontos. A gestão dos empates, portanto, foi determinante na definição do campeão.
Por fim, o Vasco da Gama (15º, 45 pts) e o Bahia (16º, 44 pts) escaparam do rebaixamento por margens confortáveis em relação ao Santos, mas a diferença de dois e um pontos, respectivamente, para a zona de descenso lembra que a permanência na elite foi construída ao longo de toda a temporada, sem espaço para erros prolongados.
























































