O Barra, clube de Itajaí (SC), escreveu o capítulo mais importante de sua história ao conquistar o título do Brasileirão Série D 2025, derrotando o Santa Cruz por 2 a 1 no placar agregado da final e garantindo o acesso inédito à Série C. A edição do torneio nacional da quarta divisão reuniu 64 clubes divididos em oito grupos regionais e entrou para a história também pela média de público: a maior registrada na Série D desde 2021 (Wikipédia), impulsionada em boa parte pela presença do próprio Santa Cruz, que levou média de 26.031 pagantes por partida (Wikipédia).
O Campeão e a Final
O Barra chegou à decisão carregando o melhor retrospecto do Grupo A8 na fase de grupos — 26 pontos em 14 jogos, com oito vitórias, dois empates e quatro derrotas, saldo de gols de +10 e 20 tentos marcados. A campanha regular serviu de alicerce para uma trajetória que culminou na final diante do histórico Santa Cruz, clube pernambucano que também acumulou 27 pontos no Grupo A3, dividindo a liderança com o América-RN.
A decisão foi travada em dois confrontos. No primeiro jogo, disputado na Arena de Pernambuco, o Barra venceu por 2 a 1 — resultado que se mostrou suficiente, pois o duelo de volta, em Itajaí, terminou sem gols (Wikipédia). O placar agregado de 2 a 1 coroou o clube catarinense com seu primeiro título nacional (Wikipédia). Além de Barra e Santa Cruz, completaram o quarteto de promovidos à Série C o Inter de Limeira, que dominou o Grupo A7 ao longo de toda a fase de grupos, e o Maranhão, representante do A2.
A Fase de Grupos: Domínio, Equilíbrio e Surpresas
A fase de grupos da Série D 2025 revelou quadros bastante distintos entre si. Em alguns grupos, houve domínio claro de um clube; em outros, o equilíbrio entre as equipes se estendeu até a última rodada.
- Grupo A5 — O mais dominante: O Aparecidense foi a equipe mais avassaladora de toda a fase de grupos, registrando 32 pontos em 14 jogos — o maior total entre todos os líderes —, com dez vitórias, dois empates e duas derrotas. O clube goiano também ostentou o melhor ataque da fase, com 32 gols marcados (Wikipédia), e saldo de +20. A Ceilândia apareceu em segundo com 28 pontos, configurando um grupo competitivo nas posições intermediárias.
- Grupo A7 — Melhor defesa compartilhada: O Inter de Limeira liderou com 30 pontos e apenas 7 gols sofridos em 14 jogos (Wikipédia), compartilhando com o Central SC (Grupo A3) a condição de defesa menos vazada da fase. A eficiência defensiva foi a marca registrada do clube paulista.
- Grupo A4 — O mais bem-pontuado individualmente: O ASA terminou com 31 pontos, nove vitórias, quatro empates e apenas uma derrota, além de saldo de gols de +19. Foi o clube com menor número de derrotas entre todos os líderes de grupo.
- Grupo A3 — O mais acirrado no topo: América-RN e Santa Cruz terminaram empatados com 27 pontos cada, ambos com oito vitórias, três empates e três derrotas. O Central SC ficou a apenas um ponto, com 26.
- Grupo A8 — Final com sabor especial: Barra e São José dividiram o topo com 26 pontos cada, mas o Barra levou a ponta por critério de desempate. Os dois times mostraram consistência ao longo das 14 rodadas.
- Grupo A1 — Norte competitivo: Tuna Luso liderou com 27 pontos, seguida de perto pela Manauara, com 26, e pelo Manaus FC, com 23 — um dos grupos com maior concentração de pontos nas três primeiras colocações.
- Grupo A6 — Portuguesa consistente: Com 30 pontos, a Portuguesa-RJ dominou o grupo, com nove vitórias em 14 jogos, deixando o Rio Branco-ES em segundo com 26.
- Grupo A2 — Nordeste equilibrado: Altos liderou com 26 pontos, seguido de Imperatriz com 24 e Sampaio Corrêa com 21, num grupo em que nenhum time disparou de forma definitiva.
Na ponta oposta da tabela, o Humaitá (A1) teve o desempenho mais sofrível da fase: apenas 4 pontos em 14 jogos, uma vitória, um empate, 12 derrotas e um saldo de gols de impressionantes -33 — com 45 gols sofridos, o pior número da competição entre todos os participantes.
A Goleada da Edição
O jogo de maior placar da fase de grupos foi protagonizado justamente pelo líder do Grupo A5. O Aparecidense aplicou 7 a 0 sobre o Gazin Porto Velho em 5 de julho, pela 11.ª rodada (Wikipédia). O Porto Velho, que terminou a fase com 7 pontos e saldo de -21, sofreu o maior placar registrado na edição.
Artilharia e Destaques Individuais
A artilharia da Série D 2025 pertenceu a Ronaldy, da Tuna Luso, que terminou a competição como o maior goleador do torneio, com 10 gols (Wikipédia). O número coloca o atacante da equipe paraense em destaque absoluto na edição.
Na fase de grupos, o ranking de artilheiros foi disputado com mais equilíbrio:
- Jonas (Trem): 6 gols em 6 jogos — melhor média de aproveitamento por partida entre os cinco mais bem colocados da fase inicial.
- Marcos Otacilio (Iguatu): 6 gols em 5 jogos, sem nenhum cartão durante toda a participação.
- Júnior Viçosa (ASA): 5 gols em 6 jogos, contribuindo para o melhor grupo em termos de campanha individual coletiva.
- Giovane Gomes (São José): 5 gols em 6 jogos, sem cartões.
- Alex Gonçalves dos Santos Gonçalves (Marcílio Dias): 5 gols em 6 jogos, com dois cartões amarelos.
Um dado que chama atenção: Jonas, artilheiro da fase de grupos pelo Trem, atuou pelo clube que terminou apenas na sexta colocação do Grupo A1 com 18 pontos, demonstrando que a produção individual nem sempre se traduz em resultados coletivos.
Na lista de destaques individuais dos grupos — que consolida gols marcados e jogos disputados — também figuraram Santana Rian (Jequié), com 4 gols em 4 partidas, e Mage (Uberlândia), com 3 gols em apenas 2 jogos.
Disciplina: Cartões e Advertências
O aspecto disciplinar da Série D 2025 revelou cinco jogadores empatados no topo da lista de cartões amarelos, todos com quatro advertências cada ao longo da fase de grupos:
- Danilo Xexéu (Parnahyba) — 5 jogos
- Samuel Ethor (União Carmolandense) — 5 jogos, também com 2 gols marcados
- Weverton (São Luiz) — 5 jogos
- Kennedy Lucas Cordeiro Nunes (Ceilândia) — 5 jogos, 1 gol
- Jadson (São José) — 5 jogos
Nos cartões vermelhos, Waldson (Barcelona-BA) foi o único a acumular duas expulsões em apenas três jogos disputados, número que explica em parte a participação discreta do clube baiano, que terminou na sétima colocação do Grupo A4 com 11 pontos.
Números e Curiosidades
A edição de 2025 deixou uma série de números que contextualizam a dimensão do torneio:
- O Aparecidense foi o time mais pontuado da fase de grupos (32 pontos) e o maior artilheiro coletivo (32 gols), com aproveitamento de 76,2% no período.
- O ASA teve a melhor campanha defensiva entre os líderes de grupo em proporção de gols sofridos: apenas 8 em 14 jogos, com saldo de +19.
- Inter de Limeira e Central SC dividiram a condição de defesas menos vazadas da fase, ambos com 7 gols sofridos (Wikipédia).
- O Humaitá, do Amazonas, encerrou a fase de grupos com 45 gols sofridos — média de mais de três por partida —, a pior defesa da competição por larga margem.
- A diferença de pontos entre o líder (Aparecidense, 32) e o lanterna (Humaitá, 4) dentro dos grupos chegou a 28 pontos, ilustrando a disparidade técnica entre os extremos da quarta divisão.
- A edição registrou a maior média de público pagante da Série D desde 2021 (Wikipédia), com o Santa Cruz sendo o principal responsável pelo volume de torcida nas arquibancadas, levando média de 26.031 pagantes por jogo (Wikipédia).
- Cinco times encerraram a fase de grupos com saldo de gols negativo entre os quatro primeiros de seus grupos — indicativo do nível técnico heterogêneo da quarta divisão.
A Série D 2025 cumpriu seu papel histórico de revelar o futebol do interior e das regiões menos representadas nas divisões de elite. O título inédito do Barra de Itajaí e o acesso conquistado por Santa Cruz, Inter de Limeira e Maranhão encerram uma edição que, além dos resultados, marcou pela presença das torcidas e pela qualidade de disputas que, em mais de um grupo, só foram decididas nas rodadas finais.













































































































