A quinta edição da Série D do Campeonato Brasileiro encerrou-se com história: em 2013, o Botafogo-PB ergueu o troféu e escreveu seu nome como o primeiro clube do estado da Paraíba a conquistar um título nacional. Em uma campanha disputada por 40 equipes de todas as regiões do país, a competição entregou 489 gols em 190 jogos, revelou um artilheiro dominante e projetou quatro clubes ao acesso para a Série C de 2014.
Visão Geral da Temporada
A Série D de 2013 foi a quinta edição da quarta divisão do futebol brasileiro e contou com uma participação ampliada: 40 equipes, número superior ao planejamento inicial de 32 (Wikipédia). O torneio teve sua realização marcada por uma pausa obrigatória durante a Copa das Confederações de 2013, realizada no Brasil em junho e julho, o que exigiu adaptações no calendário. No cômputo geral, a competição produziu uma média próxima a 2,6 gols por jogo, reflexo de um torneio vibrante e com equipes famintas por acesso.
O formato combinou fase de grupos com mata-mata eliminatório, até a grande decisão em dois jogos. Ao final, quatro clubes conquistaram o direito de disputar a Série C em 2014: Botafogo-PB, Juventude, Salgueiro e Tupi (Wikipédia).
O Campeão e a Final
O Botafogo-PB e o Juventude protagonizaram a decisão mais aguardada da temporada. No primeiro jogo da final, disputado em Porto Alegre, o clube gaúcho levou a melhor e venceu por 2–1, abrindo vantagem no placar agregado (Wikipédia). A situação colocava o Botafogo-PB na obrigação de reverter o resultado diante de sua torcida, em João Pessoa.
E foi exatamente o que o clube paraibano fez. No segundo jogo, em casa, o Botafogo-PB superou o Juventude por 2–0, virando o agregado para 3–2 em seu favor e sagrando-se campeão (Wikipédia). Além do troféu inédito para o clube, a conquista representou um marco histórico para o futebol da Paraíba: nenhum time do estado havia alcançado um título nacional antes daquele momento.
O Juventude, por sua vez, também teve razões para celebrar. O clube de Caxias do Sul chegou à final e garantiu o acesso à Série C, encerrando a campanha como vice-campeão e com o segundo maior artilheiro individual do torneio em seus quadros.
Destaques e Clubes de Maior Campanha
Além dos dois finalistas, outros dois clubes merecem destaque por terem alcançado o acesso e figurado entre os melhores da competição:
- Salgueiro (PE): O clube pernambucano garantiu o acesso à Série C e apresentou, ao longo da fase de grupos e do mata-mata, um elenco combativo. O nome de Ricardo Braz de Lima, com seis cartões amarelos em 11 jogos, e de Moreilândia, com cinco amarelos e um vermelho em 13 partidas, ilustram o perfil aguerrido da equipe. Élvis José de Lima também contribuiu ofensivamente, com três gols e presença constante.
- Tupi (MG): O clube juiz-forano chegou ao acesso sustentado, em grande parte, na potência ofensiva de seu artilheiro. Com Ademilson Correa em altíssimo nível, o Tupi foi uma das equipes mais perigosas do torneio e selou o retorno à terceira divisão nacional.
- Nacional-AM: O clube amazonense não alcançou o acesso final, mas protagonizou uma das campanhas mais expressivas na fase de grupos, com o melhor ataque do torneio: 21 gols marcados (Wikipédia). Leonardo foi um dos nomes mais produtivos da equipe, contribuindo com 7 gols em apenas 9 jogos.
A Fase de Grupos
A fase de grupos reuniu as 40 equipes distribuídas em chaves regionais, com clubes de todas as unidades da federação. O recorte dos dados disponíveis aponta para nomes que se destacaram nessa etapa e que definiram o nível de competitividade da competição.
Entre os times que se fizeram notar na fase inicial, o Nacional-AM foi o que mais balançou as redes, com 21 gols — melhor ataque da competição (Wikipédia). No outro extremo, o Tiradentes-CE apresentou a melhor defesa do torneio, com apenas 2 gols sofridos (Wikipédia), demonstrando uma organização defensiva notável para a quarta divisão. Esses dois extremos — o time mais goleador e o mais hermético — ilustram bem o leque de estilos e recursos que caracterizou a edição.
A maior goleada da competição ocorreu ainda na fase de grupos: Sergipe 6–1 Juazeirense, em 7 de julho, no Grupo A4 (Wikipédia). O Maranhão também protagonizou um resultado expressivo ao bater o Gurupi por 5–0 no Grupo A2, em 25 de agosto, mesma data em que o Nacional-AM aplicou 6–1 no Náutico-RR pelo Grupo A1 (Wikipédia). Essa coincidência de goleadas na mesma rodada evidenciou o caráter desigual de alguns embates entre equipes de estruturas muito distintas.
Artilharia e Destaques Individuais
O grande nome individual da Série D de 2013 foi Ademilson Correa, do Tupi. Com 12 gols em 14 jogos, o atacante foi reconhecido como artilheiro oficial da competição (Wikipédia) e apresentou um rendimento que poucos conseguiram sequer se aproximar. Sua eficiência — quase um gol por partida em uma competição tão disputada — foi determinante para o desempenho do clube mineiro.
Confira os cinco maiores artilheiros da temporada:
- Ademilson Correa (Tupi): 12 gols em 14 jogos — 1 cartão amarelo, nenhum vermelho
- Carlos Eduardo Alves Albina (Juventude): 8 gols em 16 jogos — 2 amarelos, nenhum vermelho
- Leonardo (Nacional-AM): 7 gols em 9 jogos — disciplinado, nenhum cartão
- Bombom (Aracruz): 6 gols em 8 jogos — sem cartões
- Lourival Gonçalves (Gurupi): 6 gols em 7 jogos — 1 amarelo e 1 vermelho
A distância entre o artilheiro e o segundo colocado é significativa: quatro gols separam Ademilson do vice-artilheiro Carlos Eduardo, do Juventude. O centroavante gaúcho, por sua vez, foi consistente ao longo de 16 partidas — o maior número de jogos entre os cinco primeiros da lista —, o que reflete a jornada do Juventude até a final.
Chama atenção também a eficiência de Leonardo, do Nacional-AM: sete gols em apenas nove jogos, com zero cartões, combinando produtividade e disciplina exemplares para a divisão. Bombom, do Aracruz, apresentou desempenho semelhante: seis gols em oito jogos, também sem advertências, sinalizando que o clube capixaba teve ao menos um atleta de alto nível no setor ofensivo.
Números e Curiosidades
A edição de 2013 deixou alguns números e fatos que merecem registro à parte:
- 489 gols em 190 jogos (Wikipédia) resultam em uma média de aproximadamente 2,57 gols por partida — ritmo elevado para uma quarta divisão.
- A maior goleada foi Sergipe 6–1 Juazeirense (7 de julho, Grupo A4), seguida por Nacional-AM 6–1 Náutico-RR e Maranhão 5–0 Gurupi, ambas em 25 de agosto (Wikipédia).
- O melhor ataque pertenceu ao Nacional-AM, com 21 gols. A melhor defesa foi do Tiradentes-CE, com apenas 2 gols sofridos (Wikipédia).
- Na disciplina, três jogadores lideraram em cartões amarelos com seis punições cada: Ricardo Braz de Lima (Salgueiro), Thiaguinho (Tiradentes-CE) e Denis dos Santos (Nacional-AM).
- Moreilândia, do Salgueiro, foi o jogador com mais cartões vermelhos entre os destaques disciplinares, acumulando cinco amarelos e um vermelho em 13 jogos — o maior número de partidas entre os cinco mais advertidos da competição.
- O Botafogo-PB tornou-se o primeiro clube paraibano a conquistar um título de âmbito nacional (Wikipédia), um marco que ultrapassa a própria competição e entra para a história do futebol nordestino.
- A competição foi a quinta edição da Série D, criada em 2009 (Wikipédia), consolidando a quarta divisão como vitrine legítima para clubes do interior e das regiões menos representadas no futebol nacional.
A Série D de 2013 reafirmou o papel da competição como palco de revelação e de disputa real por espaço no cenário nacional. O título inédito do Botafogo-PB, construído com uma virada dramática na final, e o domínio de Ademilson Correa na artilharia são as imagens mais duradouras de uma edição que, com 40 clubes e quase cinco centenas de gols, entregou exatamente aquilo que a quarta divisão promete: intensidade, amplitude geográfica e futebol sem rede de proteção.




























































































