O Brasileirão Série D de 2022 ficou marcado pelo feito histórico do América de Natal, que se tornou o primeiro clube do Rio Grande do Norte a erguer o troféu da quarta divisão nacional, garantindo o acesso à Série C ao lado de Pouso Alegre, Amazonas e São Bernardo (Wikipédia). Em uma edição enxuta — 64 participantes contra 68 em 2021, com a extinção da fase preliminar (Wikipédia) —, a competição entregou futebol de alta intensidade, goleadas expressivas e uma disputa de artilharia protagonizada inteiramente por jogadores do Amazonas.
Visão Geral da Edição
A Série D 2022 reuniu 64 equipes de todas as regiões do Brasil em um formato de copa com fase de grupos e mata-mata. Ao longo de 510 partidas, a competição produziu 1.154 gols — uma média próxima a 2,3 gols por jogo —, com público total de 718.348 pessoas nas arquibancadas (Wikipédia). A InStat TV assumiu a exclusividade das transmissões em acordo de três temporadas firmado com a CBF, ampliando o alcance da quarta divisão para o torcedor brasileiro (Wikipédia). Ao final, quatro clubes conquistaram o tão almejado acesso à Série C: América de Natal, Pouso Alegre, Amazonas e São Bernardo.
O Campeão e a Final
O América de Natal percorreu uma campanha sólida ao longo do torneio e chegou à decisão com confiança para enfrentar o Pouso Alegre. No primeiro jogo da final, disputado na Arena das Dunas, o time potiguar venceu por 2–0, construindo uma vantagem considerável no saldo de gols (Wikipédia). Na partida de volta, o Pouso Alegre reagiu e triunfou por 1–0, mas o resultado não foi suficiente para reverter a desvantagem acumulada. Com o agregado favorável, o América de Natal sagrou-se campeão e inscreveu seu nome na história como o primeiro representante do Rio Grande do Norte a conquistar o título da Série D (Wikipédia). Para o Pouso Alegre, o vice-campeonato, ainda que amargo, também garantiu o acesso à terceira divisão nacional — reconhecimento justo por uma campanha que levou o clube mineiro à última etapa da competição.
Destaques e Clubes de Maior Campanha
Além dos dois finalistas, Amazonas e São Bernardo também conquistaram o acesso à Série C, completando o quarteto de promovidos da edição (Wikipédia). O Amazonas, em particular, foi a grande potência da fase de grupos: liderou sua chave com 31 pontos em 14 jogos, aproveitamento de 73,8%, e exibiu o ataque mais produtivo de toda a fase classificatória, com 37 gols marcados e saldo positivo de 25 — números que o destacaram como a equipe mais dominante dos grupos. O São Bernardo, por sua vez, protagonizou o outro extremo do espetáculo: registrou a melhor defesa da competição, com apenas 3 gols sofridos (Wikipédia), evidenciando uma solidez defensiva que se tornou sua principal identidade ao longo do torneio.
O Retrô, representante pernambucano, também se notabilizou pela campanha consistente e pela contribuição de Franklin Mascote na artilharia, terminando entre os clubes com maior destaque na competição, mesmo sem alcançar o acesso.
A Fase de Grupos
Os dados disponíveis da fase de grupos revelam o desempenho de oito equipes em uma das chaves da competição, onde o Amazonas se sobressaiu de maneira inequívoca. Confira o panorama:
- Amazonas – 31 pontos: 9 vitórias, 4 empates e apenas 1 derrota em 14 jogos. Ataque avassalador com 37 gols marcados e somente 12 sofridos, saldo de +25. A equipe manauara foi, isoladamente, a mais dominante da fase classificatória.
- Rio Branco – 27 pontos: 8 vitórias, 3 empates e 3 derrotas. Com 24 gols pró e 11 contra, o clube acreano entregou equilíbrio e eficiência, terminando 4 pontos atrás do líder.
- São Raimundo AM – 24 pontos: 6 vitórias e 6 empates em 14 jogos, mostrando consistência sem sobressaltos. Saldo de +8 com 19 gols marcados.
- São Raimundo (RR) – 23 pontos: 6 vitórias, 5 empates e 3 derrotas. Gols pró: 21; contra: 14. Apenas 1 ponto atrás do rival homônimo.
- Porto Velho – 21 pontos: Ataque generoso com 28 gols marcados, mas defesa vulnerável — 20 sofridos. Os 6 triunfos em 14 jogos foram insuficientes para uma posição mais confortável.
- Trem – 16 pontos: Equipe amapaense com 29 gols marcados, o segundo maior ataque desta chave, mas 27 sofridos, tornando o saldo apenas +2. As 6 derrotas comprometeram a trajetória.
- Humaitá – 6 pontos: Apenas 1 vitória em 14 partidas, com saldo de -21. A campanha foi comprometida pela fragilidade defensiva: 32 gols sofridos.
- Náutico RR – 5 pontos: O pior desempenho defensivo da chave: 57 gols sofridos em 14 jogos, saldo de -42. Apenas 15 gols marcados e somente 1 vitória em toda a fase de grupos.
A disparidade entre o topo e a base desta chave é notável: o Amazonas, com 31 pontos e saldo de +25, e o Náutico RR, com 5 pontos e saldo de -42, somam uma diferença de 26 pontos — retrato de uma chave extremamente desequilibrada em seus extremos, mas competitiva nas posições intermediárias.
Artilharia e Destaques Individuais
A disputa pela artilharia da Série D 2022 foi resolvida em família: Rafael Tavares e Ítalo Carvalho, ambos do Amazonas, terminaram empatados no topo da tabela de gols, com 11 tentos cada (Wikipédia). A diferença entre os dois está nos jogos disputados: enquanto Rafael Tavares precisou de 21 partidas para chegar ao marco, Ítalo Carvalho atingiu o mesmo número em apenas 17 jogos — o que torna o desempenho do segundo ainda mais expressivo em termos de eficiência por jogo. A dupla somou 22 gols apenas entre si, dominando o ranking de artilheiros de forma inédita.
Franklin Mascote, do Retrô, ficou na terceira posição com 10 gols em 15 partidas, enquanto Aleílson, do Trem, igualou o número em apenas 11 jogos — a melhor relação gols-por-jogo entre os cinco primeiros colocados. Wallace Pernambucano, do America-RN, fechou o top 5 com 9 gols em 21 partidas, contribuindo diretamente para a campanha do campeão.
- Rafael Tavares (Amazonas): 11 gols em 21 jogos — 4 cartões amarelos, sem vermelhos.
- Ítalo Carvalho (Amazonas): 11 gols em 17 jogos — 2 cartões amarelos, sem vermelhos.
- Franklin Mascote (Retrô): 10 gols em 15 jogos — comportamento disciplinar exemplar: apenas 1 amarelo.
- Aleílson (Trem): 10 gols em 11 jogos — 1 amarelo, zero vermelhos. Alta eficiência.
- Wallace Pernambucano (America-RN): 9 gols em 21 jogos — 4 amarelos, zero vermelhos.
No quesito disciplina, os jogadores mais advertidos foram Marcinho, do Tocantinópolis, com 9 cartões amarelos em 18 jogos, seguido por Rhuan (Lagarto) e Charles (Retrô), com 8 cada. Nenhum dos cinco jogadores mais amarelados recebeu cartão vermelho, sugerindo que as punições foram distribuídas ao longo da competição sem expulsões diretas. Já no ranking de cartões vermelhos, Renato, do CSE, acumulou dois ao longo de 11 partidas — o único jogador com mais de uma expulsão na edição.
Números e Curiosidades
A Série D 2022 foi pródiga em goleadas históricas. Três resultados se destacaram pelo placar elástico ao longo da competição (Wikipédia):
- Ferroviária 8–0 URT — ainda na primeira rodada, em 17 de abril, sinalizando que a edição teria placares expressivos desde o início.
- Trem 10–2 Náutico-RR — na nona rodada, em 6 de junho. O Trem, que terminou com 16 pontos na fase de grupos, produziu a maior goleada da edição nesta partida. O Náutico-RR, que sofreu 57 gols no total da fase, foi o protagonista involuntário de dois dos maiores placares do torneio.
- Porto Velho 8–0 Náutico-RR — na 14ª rodada, em 16 de julho. O Náutico-RR encerrou a fase de grupos tendo sofrido 57 gols em apenas 14 jogos — média de mais de 4 gols por partida.
O Amazonas encerrou a fase de grupos com o melhor ataque: 37 gols em 14 jogos, média de 2,64 por partida. Já o São Bernardo construiu a melhor defesa de toda a competição, com apenas 3 gols sofridos ao longo do torneio (Wikipédia) — números que colocam os dois clubes em polos opostos, mas igualmente impressionantes, do desempenho técnico da edição. A competição registrou ao todo 1.154 gols em 510 jogos, com público acumulado de 718.348 torcedores nas arenas de norte a sul do Brasil (Wikipédia).
A Série D 2022, portanto, além de revelar o América de Natal como protagonista histórico do futebol potiguar, consolidou a Série D como vitrine de talentos regionais e palco de disputas genuínas — com goleadas, artilheiros prolíficos e o drama de uma final decidida no saldo de gols.






































































































































