O Retrô Futebol Clube escreveu a página mais importante de sua história em 2024: ao superar o Anápolis na final do Brasileirão Série D, o clube pernambucano conquistou o seu primeiro título no futebol profissional e garantiu o acesso à Série C de 2025 (Wikipédia). A edição reuniu 64 equipes distribuídas em oito grupos e revelou um campeonato marcado por equilíbrio nas fases de grupos, artilharia concentrada e uma final decidida no detalhe, em confronto direto que precisou dos dois jogos para definir o campeão.
Visão geral da temporada
A Série D de 2024 seguiu o formato de copa: 64 clubes foram divididos em oito grupos de oito equipes cada, com os classificados avançando ao mata-mata até a grande final (Wikipédia). Ao longo da fase de grupos, somaram-se 14 rodadas por chave, produzindo um volume expressivo de dados que permitem radiografar o desempenho coletivo e individual da competição. O certame, porém, ficou marcado por um dado negativo fora de campo: a edição registrou a pior média de público pagante da história da Série D, sendo a primeira vez que a média ficou abaixo de mil torcedores pagantes por partida (Wikipédia). O resultado esportivo, contudo, reservou emoções até o minuto final da decisão.
O campeão e a final
O Retrô chegou à final como um dos times mais consistentes do torneio. Na decisão, o roteiro foi de virada coletiva: o Anápolis venceu o primeiro jogo por 2 a 1 em seus domínios, colocando pressão sobre os pernambucanos. No jogo de volta, em São Lourenço da Mata, o Retrô respondeu com uma goleada de 3 a 1 que garantiu a taça pelo placar agregado de 4 a 3 (Wikipédia). O título representou a maior conquista da história do clube, fundado em 2018, que em apenas alguns anos de existência chegou ao futebol profissional e agora sobe para a terceira divisão nacional (Wikipédia).
O Anápolis, vice-campeão, também garantiu o acesso à Série C de 2025 (Wikipédia). Os semifinalistas AO Itabaiana e Maringá completaram o grupo dos quatro promovidos (Wikipédia), recompensando campanhas de destaque ao longo de toda a competição.
Destaques e clubes de maior campanha na fase de grupos
Entre os oito líderes de grupo ao final da fase classificatória, dois times se destacaram pela margem de pontos conquistados e pela solidez defensiva.
- Manauara (Grupo 1): a campanha mais dominante da fase de grupos. Com 34 pontos em 14 jogos, o clube amazonense venceu 10 partidas, empatou 4 e não perdeu nenhuma. O saldo de gols de +28 (35 marcados, apenas 7 sofridos) foi o melhor de toda a fase classificatória, um número que chama atenção pela consistência defensiva combinada ao poderio ofensivo.
- Brasiliense (Grupo 5): também com 32 pontos, o Brasiliense foi o segundo time com mais pontos entre todos os grupos, com 10 vitórias, 2 empates e apenas 2 derrotas. Seu ataque marcou 27 gols e sofreu apenas 10, resultando em saldo de +17.
- Maringá (Grupo 7): igualmente com 32 pontos e campanha espelhada à do Brasiliense — 10 vitórias, 2 empates, 2 derrotas —, com 25 gols marcados e 10 sofridos (saldo +15). O clube paranaense confirmou a regularidade avançando às semifinais e conquistando o acesso.
- Treze (Grupo 3): 31 pontos, 9 vitórias, apenas 1 derrota e um dos melhores saldos de gols da fase (+19), com 28 gols marcados e somente 9 sofridos. O clube paraibano ainda contou com o artilheiro da competição em suas fileiras.
- Nova Iguaçu (Grupo 6): também com 31 pontos, o clube fluminense apresentou a melhor defesa entre todos os líderes de grupo, com apenas 5 gols sofridos em 14 jogos e saldo de +14.
Na ponta oposta, o Humaitá teve a pior campanha entre todos os times da fase de grupos: apenas 1 ponto em 14 jogos, com zero vitórias e saldo de -29. O CAP, no Grupo 7, também atravessou dificuldades, somando 5 pontos e sofrendo 32 gols.
A fase de grupos: equilíbrio e particularidades por chave
A fase de grupos revelou padrões distintos entre as oito chaves. O Grupo 1 foi o mais desequilibrado pelo domínio do Manauara, que terminou 6 pontos à frente do segundo colocado Porto Velho. Já o Grupo 8, com Cianorte liderando com apenas 22 pontos, foi o mais equilibrado de toda a fase — a diferença entre o primeiro e o oitavo colocado (Cascavel, com 15 pontos) foi de apenas 7 pontos, e os quatro primeiros estavam separados por apenas 4 pontos.
O Grupo 4 também chamou atenção pelo equilíbrio no meio da tabela: AO Itabaiana e Retrô, os dois classificados, terminaram empatados com 26 pontos cada, com mesmo número de vitórias (8) e derrotas (4), sendo separados apenas pelo saldo de gols — 10 contra 9, respectivamente. Abaixo deles, ASA, CSE e Juazeirense terminaram todos com 21 pontos, evidenciando a disputada corrida pelas vagas.
No Grupo 6, Nova Iguaçu e Portuguesa RJ formaram uma dupla de defesas sólidas: os dois primeiros colocados sofreram, juntos, apenas 11 gols em 28 jogos. A goleada máxima da edição veio do Grupo 7: São José-SP 6 a 0 sobre o CA Patrocinense, em 12 de junho (Wikipédia).
Artilharia e destaques individuais
A artilharia da Série D 2024 foi encerrada com domínio do camisa do Treze. Thiaguinho, atacante do clube paraibano, terminou como artilheiro com 10 gols em 19 jogos — confirmado também pelos Fatos Externos (Wikipédia). O rendimento representa uma média de 0,53 gols por partida, número expressivo para a quarta divisão nacional. Thiaguinho acumulou ainda 7 cartões amarelos ao longo da campanha, o que o torna também o mais advertido entre os artilheiros.
Na segunda colocação, dois jogadores terminaram com 9 gols cada:
- Franklin Mascote (Retrô): 9 gols em 23 jogos, maior número de partidas entre os cinco principais artilheiros. O atacante foi peça importante no time campeão e concluiu a campanha sem nenhum cartão amarelo ou vermelho — o mais disciplinado dos artilheiros.
- Ari (Uniclinic Atletico Clube): 9 gols em apenas 16 jogos, apresentando a melhor média entre os que chegaram a essa marca (0,56 gols por partida). Só dois cartões amarelos e nenhum vermelho completam um desempenho limpo.
Na quarta e quinta posições, com 8 gols cada, aparecem Luan Viana Patrocínio (Porto Velho, 16 jogos) e Romario (Manauara, 16 jogos). Romario se destaca por ter contribuído de forma decisiva para a melhor campanha da fase de grupos, com apenas um amarelo em toda a fase.
No ranking de assistências, Weslley (Fluminense PI) liderou com 8 passes para gol em apenas 7 jogos — média excepcional de mais de uma assistência por partida. Marcos Otacílio (Iguatu) aparece em seguida com 7 em 6 jogos, reforçando o dado de que os criadores mais eficientes da competição atuaram em times do Nordeste.
Números e curiosidades
A Série D 2024 reservou estatísticas que merecem registro:
- Pior público da história: pela primeira vez, a competição registrou média inferior a mil torcedores pagantes por partida (Wikipédia), um indicador preocupante para o futebol de base nacional.
- Grupo mais goleador: o Grupo 1 somou 165 gols marcados pelos oito times em 56 jogos, puxado pelo Manauara (35 gols marcados) e agravado pelos 36 sofridos pelo Humaitá.
- Grupo mais equilibrado: no Grupo 8, a diferença entre o primeiro e o último colocado foi de apenas 7 pontos, e seis dos oito clubes terminaram com 15 a 22 pontos.
- Rei dos amarelos: Darlan, do Cianorte, foi o jogador com mais cartões amarelos na competição: 10 em 15 jogos. Márcio, do Rio Branco, acumulou 9 amarelos em somente 11 partidas.
- Duplos vermelhos: Rafael Ibiapino (Manaus FC) e Lucas Mingoti (River AC) foram os únicos jogadores a receberem dois cartões vermelhos ao longo da competição, o que representa suspensões automáticas cumulativas que pesaram na trajetória de seus times.
- Primeiro título do Retrô: fundado em 2018, o clube pernambucano levantou a taça da Série D 2024 como sua primeira conquista no futebol profissional (Wikipédia), encerrando a temporada como o time de maior ascensão simbólica do futebol nacional no ano.
- Quatro promovidos confirmados: Retrô, Anápolis, AO Itabaiana e Maringá garantiram vaga na Série C de 2025 (Wikipédia), com perfis variados — do clube estreante ao campeão com história recente, passando por tradições regionais consolidadas.
A Série D de 2024 ficará registrada pela combinação de um campeão inédito, uma final decidida no detalhe do agregado e números de campo que revelaram um torneio competitivo, mesmo diante do cenário adverso nas arquibancadas. O Retrô sobe, o futebol do interior segue produzindo histórias e a quarta divisão nacional encerra mais uma edição com sua vocação de revelar — e promover — o inesperado.










































































































