A edição de 2012 do Brasileirão Série D ficou marcada por turbulências jurídicas antes mesmo de uma bola ser chutada, mas superou os obstáculos para entregar uma temporada intensa, com o Sampaio Corrêa erguendo o troféu da quarta divisão nacional e garantindo o acesso inédito à Série C. A competição reuniu clubes de todas as regiões do país, testou o novo modelo de custeio centralizado pela CBF e revelou um artilheiro que dominou as redes com autoridade.
Visão Geral da Temporada
O Brasileirão Série D 2012 quase não aconteceu. O Superior Tribunal de Justiça Desportiva suspendeu a competição três dias antes do início previsto, em 26 de maio, em razão de pendências judiciais envolvendo a organização do torneio (Wikipédia). A CBF chegou a estudar o cancelamento das Séries C e D naquele ano, com possível adiamento para 2013 (Wikipédia). Somente após a resolução das ações em trâmite, o campeonato pôde ser iniciado, em 23 de junho (Wikipédia), com um atraso considerável em relação ao calendário original.
A edição também ficou registrada na história por outro marco administrativo: foi a primeira em que a CBF arcou com as despesas de deslocamento e hospedagem de todos os clubes participantes (Wikipédia), medida que democratizou a participação de agremiações de menor poder financeiro oriundas de estados distantes dos grandes centros.
Ao final, quatro clubes conquistaram o acesso à Série C de 2013: Sampaio Corrêa, CRAC, Baraúnas e Mogi Mirim (Wikipédia).
O Campeão e a Final
O Sampaio Corrêa, tradicional clube maranhense, foi o grande protagonista da Série D 2012. A campanha do time de São Luís foi consistente do início ao fim, sustentada por um sistema defensivo notável e por uma produção ofensiva que não encontrou rival na competição. Na fase de grupos, o Sampaio registrou a melhor defesa do torneio, com apenas dois gols sofridos, e o melhor ataque, com 25 gols marcados (Wikipédia) — números que evidenciam o domínio absoluto da equipe sobre os adversários nessa etapa.
A decisão do título colocou frente a frente Sampaio Corrêa e CRAC, dois dos times mais regulares ao longo de toda a campanha. Na partida de ida, disputada em Catalão, o CRAC arrancou um empate por 1 a 1, mantendo a decisão em aberto. No jogo de volta, realizado em São Luís, o Sampaio Corrêa não deixou dúvidas: venceu por 2 a 0 diante de sua torcida, sacramentando o título com placar agregado de 3 a 1 (Wikipédia). O troféu coroou uma temporada quase perfeita para o clube maranhense, que somou ao título o acesso à terceira divisão nacional.
Destaques e Clubes de Maior Campanha
Além dos finalistas, outros dois clubes se destacaram a ponto de garantir o acesso à Série C. O Baraúnas, representante do Rio Grande do Norte, e o Mogi Mirim, de São Paulo, completaram o quarteto de promovidos (Wikipédia), evidenciando o caráter nacional da competição, com representantes de diferentes regiões entre os melhores do torneio.
O CRAC, de Catalão (GO), merece menção especial por ter chegado à final e conquistado o vice-campeonato. A equipe goiana foi a que mais avançou nas fases eliminatórias entre os clubes que não ergueram o troféu, e contou com o artilheiro do torneio em seus quadros — fator que contribuiu decisivamente para a longa trajetória até a decisão.
O Mixto, do Mato Grosso, também chamou atenção com uma campanha sólida na fase de grupos, apresentando dois jogadores entre os artilheiros mais produtivos da competição.
A Fase de Grupos
A fase de grupos da Série D 2012 serviu como palco para goleadas expressivas que ficaram registradas como marcos da edição. O Cianorte aplicou 6 a 0 sobre o Marília em 25 de junho (Wikipédia), resultado que também figura entre os recordes do torneio ao lado da goleada de 6 a 0 do Sampaio Corrêa sobre o Santos-AP em 12 de maio — este último provavelmente disputado em fase preliminar ou copa específica (Wikipédia) — e do 6 a 0 do Friburguense sobre o Guarani-MG em 26 de agosto (Wikipédia).
Esses placares expressivos indicam o alto grau de desigualdade técnica entre alguns participantes em determinadas chaves, algo típico de uma quarta divisão que agrega clubes em estágios muito distintos de organização esportiva. A ampla participação geográfica, com times do Amapá ao Rio Grande do Sul, naturalmente gerou disparidades dentro dos grupos regionalizados.
O Sampaio Corrêa dominou sua fase de grupos de forma avassaladora: com apenas dois gols sofridos e 25 marcados (Wikipédia), o time maranhense apresentou saldo positivo de 23 gols nessa etapa, estatística que por si só revela a superioridade da equipe em relação ao restante do pelotão durante a fase inicial.
Artilharia e Destaques Individuais
No plano individual, a Série D 2012 foi dominada de ponta a ponta por um único nome. Ederson da Silva Lima, pelo CRAC, terminou o torneio como artilheiro absoluto com 13 gols em 16 partidas disputadas — uma média superior a 0,81 gol por jogo (Wikipédia). Sua produção foi a principal alavanca ofensiva do clube goiano na trajetória até a final.
Vale registrar, porém, uma divergência entre as fontes consultadas: os dados da competição identificam o artilheiro pelo nome Ederson da Silva Lima, enquanto os registros da Wikipédia mencionam o mesmo jogador pelo nome Nino Guerreiro. Ambos constam como artilheiro do CRAC com 13 gols — trata-se, portanto, do mesmo atleta identificado por nome diferente nas duas fontes. A coincidência de clube, número de gols e posição na artilharia não deixa margem para outra interpretação.
Os demais destaques na artilharia foram:
- Ronaldo Mendes (CSA): segundo colocado com 9 gols em apenas 9 partidas — uma eficiência impressionante de exatamente um gol por jogo, a maior taxa entre os cinco primeiros colocados na artilharia.
- Ratinho (Remo): 8 gols em 10 partidas pelo clube paraense, confirmando o Remo como uma das forças do torneio na fase de grupos.
- Raimundo Nonato de Lima Ribeiro (Mixto): 8 gols em 10 jogos, contribuindo para a campanha do clube mato-grossense.
- Nonato (Mixto): também com 8 gols em 10 partidas, o que fez do Mixto o único clube a colocar dois jogadores simultaneamente na quinta posição da artilharia geral.
A presença de Raimundo Nonato e Nonato com números idênticos pelo Mixto é um dado que chama atenção: os dois dividindo a mesma colocação, com o mesmo número de gols, jogos e cartões, demonstra como o clube mato-grossense construiu um ataque bem distribuído e sem dependência exclusiva de um único finalizador.
Números e Curiosidades
Alguns dados e comparações derivados dos registros da temporada merecem destaque:
- A diferença entre o artilheiro da competição (13 gols) e o segundo colocado (9 gols) foi de quatro tentos — uma margem relevante que confirma o domínio individual de Ederson/Nino Guerreiro pelo CRAC.
- O CRAC foi o clube com mais jogadores entre os líderes de cartões amarelos: José Ednei Amaro de Brito e Emerson Feliciano de Barros Freitas dividiram o topo do ranking com sete amarelos cada, ambos em 14 partidas — o que sugere um estilo de jogo mais aguerrido por parte da equipe goiana ao longo do torneio.
- O Baraúnas teve em Nildo seu jogador mais advertido: seis cartões amarelos em apenas dez partidas, média de 0,6 por jogo, o que coloca o jogador nordestino entre os mais punidos da competição no recorte de dez jogos.
- Ronaldo Mendes, do CSA, não recebeu nenhum cartão amarelo ou vermelho em seus nove jogos, sendo o único entre os cinco primeiros artilheiros a encerrar o torneio sem qualquer punição disciplinar registrada.
- O Cianorte, cujo Cleiton Fernando acumulou seis amarelos em dez partidas, produziu a maior goleada da fase inicial, o 6 a 0 sobre o Marília (Wikipédia), unindo portanto destaque coletivo e protagonismo disciplinar no mesmo clube.
- A defesa do Sampaio Corrêa na fase de grupos, com somente dois gols sofridos (Wikipédia), representa uma impermeabilidade rara para uma quarta divisão marcada por alto volume de gols. Combinada ao melhor ataque, com 25 tentos, a equipe maranhense produziu um saldo de gols de +23 apenas na fase de grupos — estatística que antecipava, numericamente, a supremacia que seria confirmada com o título.
- A edição de 2012 marcou a estreia do modelo de custeio integral pela CBF (Wikipédia), política que abriu caminho para a presença de clubes de estados como Amapá — representado pelo Santos-AP — que dificilmente poderiam arcar com os custos de viagens interestaduais por conta própria.
A Série D de 2012, apesar dos percalços jurídicos que quase a inviabilizaram antes do apito inicial, cumpriu sua função essencial: revelou novos protagonistas, promoveu quatro clubes à terceira divisão e coroou o Sampaio Corrêa como campeão de uma das edições mais movimentadas da história recente do futebol brasileiro nas divisões de acesso.



























































Brasiliense · MID · 21a





































