O Brasileirão Série D de 2018 ficará marcado na história do futebol brasileiro pela conquista inédita do Ferroviário, clube cearense que ergueu seu primeiro título nacional (Wikipédia), encerrando uma longa espera e colocando Fortaleza no mapa dos campeões do país. Com 68 equipes, 17 grupos, 266 jogos e 677 gols ao longo de toda a competição (Wikipédia), a quarta divisão do futebol nacional entregou uma temporada repleta de disputas regionais intensas, talentos individuais em evidência e uma final de alto impacto entre dois clubes nordestinos.
Visão Geral da Competição
A edição de 2018 da Série D foi disputada por 68 equipes distribuídas em 17 grupos de quatro clubes cada (Wikipédia), reunindo representantes de todas as regiões do Brasil em busca de acesso à Série C e, para os mais ambiciosos, do título nacional. O torneio seguiu o formato tradicional da quarta divisão, com fase de grupos dando passagem ao mata-mata, que se aprofundou até a grande final entre Ferroviário e Treze. Ao fim da competição, quatro clubes garantiram o acesso à Série C: Ferroviário, Treze, São José-RS e Imperatriz (Wikipédia), sendo que três deles eram representantes do Nordeste — um feito inédito para a região em uma única edição da competição (Wikipédia).
A média de gols por jogo, calculada a partir dos 677 tentos em 266 partidas, ficou em aproximadamente 2,55 — um índice elevado para uma competição de quarta divisão, indicando que o equilíbrio técnico entre as equipes abriu espaço para disputas abertas e com muitos gols. A maior goleada da competição teve contornos históricos: Santos-AP 8–1 Plácido de Castro, realizada no Estádio Zerão, em Macapá (Wikipédia), escancara a assimetria técnica que ainda persiste entre alguns participantes da divisão.
O Campeão e a Final
O Ferroviário Atlético Clube, fundado em Fortaleza, encerrou 2018 com uma conquista de proporções históricas para o clube e para o estado do Ceará. Ao derrotar o Treze nas duas partidas da decisão, o time coral ergueu seu primeiro título nacional em toda a sua trajetória (Wikipédia) e se tornou o primeiro clube de Fortaleza a conquistar um campeonato brasileiro (Wikipédia).
Na partida de ida da final, disputada em Fortaleza, o Ferroviário foi avassalador e venceu o Treze por 3–0, abrindo uma vantagem confortável para o jogo de volta (Wikipédia). Em Campina Grande, o Treze venceu por 1–0, honrando a torcida e buscando uma virada que, matematicamente, nunca esteve ao alcance (Wikipédia). O placar agregado de 3–1 coroou o Ferroviário como o grande campeão da Série D 2018, com autoridade e margem de sobra.
A conquista também representa o primeiro título do Ferroviário no século XXI (Wikipédia), o que acrescenta uma dimensão de alívio histórico para a sua torcida, que aguardava por um momento de glória nacional há décadas. O vice-campeão Treze, clube paraibano de longa tradição regional, também garantiu seu acesso à Série C, saindo da temporada com mérito inegável apesar da derrota na final.
Destaques e Clubes de Maior Campanha
Além do campeão e do vice, outros dois clubes se destacaram ao longo da competição a ponto de garantir o acesso à Série C: o São José-RS, representante gaúcho, e o Imperatriz, do Maranhão (Wikipédia). A presença de três nordestinos entre os quatro promovidos — Ferroviário (CE), Treze (PB) e Imperatriz (MA) — é um dado inédito na história da Série D (Wikipédia) e sinaliza um crescimento organizacional do futebol nordestino, capaz de competir de igual para igual com representantes de regiões historicamente mais fortes do país.
O Imperatriz, em especial, chamou atenção também pelos números individuais de seu elenco, com Geraldo Santana Ferreira Junior figurando como vice-artilheiro da competição. O São José-RS, por sua vez, teve dois jogadores entre os mais cartunados da competição — Fabiano e Felipe Guedes —, o que aponta para uma campanha intensa e muitas vezes disputada no limite do regulamentar.
A Fase de Grupos
Com 17 grupos de quatro equipes cada, a fase inicial da Série D 2018 foi o alicerce sobre o qual toda a campanha foi construída. O formato de grupos pequenos — quatro times — confere à competição uma característica particular: não há margem para erros reiterados. Um tropeço pontual pode ser fatal, e cada partida carrega peso desproporcional na classificação. Isso tende a elevar a intensidade dos jogos desde o início e, consequentemente, explica índices de cartões e gols mais altos.
Os dados da competição registram clubes de praticamente todas as regiões do país, do Amapá — com Santos-AP participando e protagonizando a maior goleada do torneio — ao Rio Grande do Sul, passando por Goiás, com o Iporá, e Amazonas, com o Manaus FC. Essa diversidade geográfica é uma das marcas registradas da quarta divisão nacional e torna a competição um retrato fiel da pluralidade do futebol brasileiro em suas camadas mais profundas.
Artilharia e Destaques Individuais
No campo individual, nenhum nome brilhou tanto em 2018 quanto Edson Caríus, atacante do Ferroviário. Com 11 gols em 15 partidas, o artilheiro da competição liderou a tabela de goleadores com larga vantagem sobre o segundo colocado (Wikipédia) e foi peça fundamental na campanha do time campeão. Sua média de 0,73 gol por jogo ao longo de toda a competição é expressiva para qualquer divisão do futebol nacional.
- Edson Caríus (Ferroviário): 11 gols em 15 jogos — artilheiro e campeão
- Geraldo Santana Ferreira Junior (Imperatriz): 8 gols em 12 jogos — vice-artilheiro, com atuação consistente pela equipe maranhense
- Jailson (Fluminense de Feira): 7 gols em apenas 8 jogos — a melhor média entre os artilheiros, com 0,875 gol por partida
- Wesley Pacheco (Caxias): 6 gols em 12 jogos
- Mateus Oliveira (Rio Branco): 6 gols em 9 jogos, com um cartão vermelho ao longo da campanha
Chama atenção o caso de Jailson, do Fluminense de Feira. Com sete gols em apenas oito partidas, o atacante baiano apresentou a maior taxa de conversão entre os cinco primeiros da artilharia. Seu clube, no entanto, não avançou entre os promovidos, o que evidencia que desempenhos individuais excepcionais nem sempre se traduzem em campanhas coletivas bem-sucedidas.
Também merece destaque o fato de que Edson Caríus acumulou quatro cartões amarelos ao longo das 15 partidas, permanecendo sem cartões vermelhos — o que significa que o artilheiro conseguiu equilibrar a intensidade física característica da quarta divisão com a necessidade de estar disponível em campo para o time campeão.
Números e Curiosidades
Do ponto de vista disciplinar, a competição revelou algumas histórias interessantes. Luis Fernando, do próprio Ferroviário, foi o jogador mais advertido da competição, com sete cartões amarelos e um vermelho em 12 partidas. Curiosamente, o mais cartunado da equipe campeã dividiu espaço em rankings com outros dois companheiros de clube: André de Lima Silva e Juninho Quixadá também aparecem entre os jogadores com cartão vermelho na competição, todos pelo Ferroviário. O time coral, portanto, combinou o melhor artilheiro do torneio com três dos jogadores mais punidos disciplinarmente — um perfil que mistura intensidade e talento.
- Total de gols na competição: 677 em 266 jogos (média de ~2,55 por partida)
- Maior goleada: Santos-AP 8–1 Plácido de Castro, no Estádio Zerão, em Macapá (Wikipédia)
- Artilheiro: Edson Caríus (Ferroviário), 11 gols
- Clubes participantes: 68, divididos em 17 grupos de 4
- Promovidos à Série C: Ferroviário, Treze, São José-RS e Imperatriz
- Jogador com mais cartões amarelos: Luis Fernando (Ferroviário), 7 amarelos e 1 vermelho em 12 jogos
- Jogador com mais cartões vermelhos: Djalma Silva (Treze), 2 expulsões em 13 partidas
Djalma Silva, do vice-campeão Treze, foi o único jogador da competição a acumular dois cartões vermelhos. Apesar das expulsões, o atleta anotou dois gols ao longo das 13 partidas disputadas, o que indica que seguiu sendo utilizado pela comissão técnica ao longo da campanha, mesmo com o histórico disciplinar negativo.
No ranking de disciplina coletiva, o São José-RS se destaca negativamente: dois de seus jogadores — Fabiano (6 amarelos e 1 vermelho) e Felipe Guedes (6 amarelos) — figuram entre os mais punidos da competição, o que sugere que a equipe gaúcha adotou uma postura física e agressiva ao longo da campanha que a levou ao acesso, mas também deixou marcas nos árbitros.
Por fim, o feito histórico de três clubes nordestinos conquistando acesso em uma mesma edição da Série D (Wikipédia) merece ser destacado como dado estrutural relevante. O Nordeste, que durante décadas foi visto como região periférica no mapa do futebol organizado do Brasil, mostrou em 2018 que possui condições técnicas, organizacionais e de resultados para disputar de igual para igual com os melhores do país — e o título do Ferroviário é o símbolo maior dessa afirmação.



























































































































