O Racing Club, de Avellaneda, encerrou 2024 como o clube mais importante da CONMEBOL Sudamericana. Em uma edição que reuniu 56 clubes de dez associações sul-americanas, o time argentino percorreu a competição com consistência, liderou sua chave na fase de grupos com campanha impecável e coroou a jornada com o título inédito, superando o Cruzeiro na decisão. A Copa Sul-Americana de 2024 ficará marcada pelo protagonismo argentino, pelo brilho individual do artilheiro Adrián Martínez e por uma fase de grupos repleta de goleadas e números expressivos.
Visão Geral da Competição
A edição de 2024 da CONMEBOL Sudamericana contou com a participação de 56 clubes oriundos das dez associações filiadas à CONMEBOL (Wikipédia). O torneio foi estruturado em oito grupos de quatro equipes na fase inicial, com os primeiros colocados de cada chave avançando diretamente às oitavas de final, enquanto os segundos colocados disputaram uma fase de repescagem — via de regra, contra clubes eliminados da fase de grupos da Copa Libertadores. O mata-mata subsequente culminou na grande final realizada em Assunção, capital do Paraguai, no Estádio General Pablo Rojas (Wikipédia).
A competição confirmou a força dos clubes brasileiros e argentinos na fase de grupos, com representantes de ambos os países entre os líderes de suas respectivas chaves. Ao mesmo tempo, times de menor tradição continental, como Sportivo Ameliano (Paraguai) e Independiente Medellín (Colômbia), demonstraram que o torneio segue sendo uma vitrine para diferentes latitudes do futebol sul-americano.
O Campeão e a Final
O Racing Club conquistou seu primeiro título da Copa Sul-Americana ao derrotar o Cruzeiro por 3 a 1 na final disputada em 23 de novembro de 2024, no Estádio General Pablo Rojas, em Assunção, Paraguai (Wikipédia). O placar não deixou margem para dúvidas: o clube argentino foi superior ao longo da decisão e sacramentou o título de forma convincente. Com a conquista, o Racing garantiu vaga na fase de grupos da Copa Libertadores da América de 2025 (Wikipédia), reforçando o valor continental do troféu.
Para o Cruzeiro, chegar à final representou uma campanha de alto nível. O clube mineiro foi o líder do Grupo B na fase inicial, com 12 pontos em seis jogos — campanha invicta, com três vitórias e três empates, tendo sofrido apenas três gols ao longo de toda a fase de grupos. A sólida defesa cruzeirense esteve entre as referências da etapa classificatória, mas não foi suficiente para segurar o ímpeto do adversário argentino na decisão.
O caminho do Racing até o título começou com uma fase de grupos dominante: 15 pontos em seis partidas, com cinco vitórias, nenhum empate, apenas uma derrota, 14 gols marcados e somente três sofridos — saldo de +11. Foi o melhor desempenho absoluto da fase de grupos em toda a edição, tanto em pontuação quanto em consistência.
Destaques e Clubes de Maior Campanha
Além do campeão e do vice, outros clubes chamaram atenção pela qualidade de suas campanhas ao longo do torneio:
- Fortaleza EC liderou o Grupo D com 13 pontos, anotando 15 gols e apresentando um dos ataques mais produtivos da fase de grupos, com saldo de +7. O clube cearense demonstrou maturidade continental e avançou com autoridade.
- Corinthians foi o líder do Grupo F com 13 pontos e a melhor defesa da fase de grupos ao lado de Universidad Católica, tendo sofrido apenas dois gols em seis jogos e marcado 14, com saldo de +12 (Wikipédia). O Timão construiu a melhor média ofensiva combinada à solidez defensiva.
- Lanus liderou o Grupo G com 13 pontos, marcando 12 gols e sofrendo apenas três — saldo de +9. O clube argentino foi um dos mais equilibrados da fase inaugural.
- Atletico Paranaense terminou em segundo no Grupo E, mas foi o time com mais gols marcados de toda a fase de grupos: 17 tentos em seis partidas, com saldo de +12. A equipe paranaense registrou a maior goleada da edição (ver seção de números).
- Independiente Medellín liderou o Grupo A com 13 pontos e impressionante saldo de +9, marcando 16 gols — o maior volume ofensivo entre os líderes de grupo.
- RB Bragantino terminou em segundo no Grupo H com 13 pontos, apenas dois atrás do Racing, o que ilustra a dificuldade da chave mais competitiva da fase inicial.
A Fase de Grupos
Os oito grupos ofereceram dinâmicas bastante distintas. No extremo da competitividade, o Grupo H foi o mais equilibrado no topo: Racing e RB Bragantino somaram, respectivamente, 15 e 13 pontos, com o time brasileiro eliminado apesar de uma campanha que, em qualquer outro grupo, garantiria a liderança com folga. O Grupo E também apresentou alto nível ofensivo, com Sportivo Ameliano (13 pontos) e Atletico Paranaense (12) separados por apenas um ponto.
No espectro oposto, alguns grupos tiveram desfechos antecipados. O Grupo C viu Real Tomayapo encerrar a fase com apenas 1 ponto em seis jogos e saldo de -8, enquanto o Grupo G registrou Metropolitanos FC com apenas 1 ponto e -13 de saldo. Rayo Zuliano, no Grupo E, foi a equipe mais goleada da fase: recebeu 18 gols e marcou 1, resultado em saldo de -17 — o pior de toda a competição.
No cômputo geral da fase de grupos, destacam-se:
- Quatro grupos (A, D, E e F) tiveram líderes com 13 pontos, enquanto os Grupos B, C e G foram encabeçados por times com 12 pontos.
- Apenas o Racing, no Grupo H, chegou a 15 pontos — campanha máxima possível com cinco vitórias.
- Belgrano Córdoba e Cruzeiro foram os únicos líderes invictos na fase de grupos, com três vitórias e três empates cada.
- O Grupo B teve a melhor média defensiva combinada: Cruzeiro e Universidad Católica somaram apenas 5 gols sofridos nos 12 jogos da chave.
Artilharia e Destaques Individuais
A artilharia da edição consagrou Adrián Martínez, do Racing Club, como o jogador mais decisivo da competição em termos de gols. O atacante argentino marcou 10 gols em 13 partidas — participando da campanha do time desde a fase de grupos até a conquista do título (Wikipédia). Além dos gols, Martínez contribuiu com 4 assistências, totalizando 14 participações diretas em gols ao longo da edição. Ele também encerrou o torneio como o quarto maior assistente, reforçando sua relevância no esquema ofensivo do campeão.
A lista completa dos cinco maiores artilheiros:
- Adrián Martínez (Racing Club) — 10 gols, 4 assistências em 13 jogos
- Yuri Alberto (Corinthians) — 9 gols, 2 assistências em 10 jogos
- G. Mastriani (Atletico Paranaense) — 7 gols, 0 assistências em 12 jogos
- W. Bou (Lanus) — 7 gols, 0 assistências em 11 jogos
- J. Lucero (Fortaleza EC) — 7 gols, 0 assistências em 8 jogos
Yuri Alberto, do Corinthians, foi o segundo artilheiro com 9 gols em apenas 10 partidas — média de 0,9 gols por jogo, a melhor entre os cinco primeiros classificados. O atacante brasileiro esteve entre os pilares do time paulista, que construiu a campanha mais equilibrada ofensiva e defensivamente na fase de grupos.
Na tabela de assistências, três jogadores dividiram a liderança com 5 passes para gol cada: M. Moreno (Lanus), A. Terrazas (Always Ready) e J. Urretaviscaya (Racing Montevideo). T. Pochettino, do Fortaleza, fechou o top 5 com 4 assistências em 10 jogos, contribuindo para o poder ofensivo da equipe cearense.
Números e Curiosidades
A edição de 2024 foi rica em estatísticas que merecem registro:
- Maior goleada da edição: Atletico Paranaense 6–0 Rayo Zuliano, em 9 de abril, na fase de grupos do Grupo E (Wikipédia). O resultado evidenciou a superioridade do clube paranaense dentro do grupo e o despreparo do adversário venezuelano para o nível continental.
- Melhor ataque da fase de grupos: Atletico Paranaense, com 17 gols marcados em seis partidas — média superior a 2,8 gols por jogo (Wikipédia).
- Melhor defesa da fase de grupos: Corinthians e Universidad Católica, ambos com apenas 2 gols sofridos em seis rodadas (Wikipédia).
- Maior saldo de gols negativo: Rayo Zuliano, com -17 (1 gol marcado, 18 sofridos).
- Único time a atingir 15 pontos: Racing Club, no Grupo H, com cinco vitórias em seis jogos.
- Times invictos na fase de grupos: Cruzeiro (3V-3E) e Belgrano Córdoba (3V-3E) encerraram a etapa sem derrotas; Cuiabá também foi invicto no Grupo G (3V-3E), com 12 pontos.
- Cartões amarelos: L. Romero (Cruzeiro) e G. Fernández (Boca Juniors) lideraram com 5 amarelos cada ao longo da competição. L. Advíncula (Boca Juniors) somou 4 amarelos e 1 vermelho em 8 jogos.
- Participação ampla: As dez associações filiadas à CONMEBOL tiveram representantes na competição, com 56 clubes no total (Wikipédia), reforçando o caráter continental e inclusivo do torneio.
A CONMEBOL Sudamericana 2024 consolidou-se como uma das edições mais movimentadas da história recente do torneio, com Racing Club inscrevendo seu nome pela primeira vez no troféu e Adrián Martínez assinando a campanha individual mais produtiva da competição. O legado da edição vai além do título: revelou o equilíbrio crescente entre clubes de diferentes países e reforçou o papel da Sudamericana como principal plataforma de acesso às grandes competições do continente.











































































































