A CONMEBOL Sudamericana 2023 entregou ao futebol sul-americano uma edição recheada de números expressivos, disputas equilibradas na fase de grupos e um desfecho dramático nos pênaltis: a LDU Quito ergueu o troféu pela segunda vez na história, superando o Fortaleza em uma final decidida nas penalidades máximas. Ao longo de 157 partidas e 396 gols marcados (Wikipédia), a competição reuniu 56 clubes de dez associações sul-americanas e consolidou um novo formato que ampliou o número de participantes no mata-mata.
Visão geral da competição
A edição de 2023 trouxe mudanças estruturais relevantes. A primeira fase passou a ser disputada em jogo único, em vez de ida e volta, e foi introduzida uma série de play-offs entre os segundos colocados dos grupos e os terceiros eliminados da Copa Libertadores (Wikipédia). Isso ampliou o leque competitivo e tornou o torneio ainda mais imprevisível a partir das oitavas de final. Os oito grupos da fase inicial abrigaram 32 equipes, das quais os líderes de cada chave e os segundos colocados seguiram em frente — uns diretamente às oitavas, outros ao play-off intercontinental.
A competição produziu médias ofensivas notáveis. Com 396 gols em 157 jogos (Wikipédia), a média ficou acima de 2,5 tentos por partida, um indicador de que as equipes, especialmente na fase de grupos, apostaram no ataque como principal ferramenta.
O campeão e a final
A LDU Quito foi o time a levantar a taça, conquistando o bicampeonato da Sudamericana (Wikipédia). O adversário na decisão foi o Fortaleza — que havia sido um dos times mais dominantes na fase de grupos, conforme demonstram os dados. A final, originalmente prevista para o Estádio Centenário em Montevidéu, foi transferida para o Estádio Domingo Burgueño, em Maldonado, no Uruguai (Wikipédia).
O duelo terminou empatado em 1 a 1 tanto no tempo regulamentar quanto na prorrogação. A definição veio nas penalidades: LDU Quito converteu melhor e sagrou-se campeã por 4 a 3 nos pênaltis, em 28 de outubro (Wikipédia). Para o clube equatoriano, o título representou a confirmação de um protagonismo continental renovado. Para o Fortaleza, a vice-campeonato deixou a amargura de ter chegado perto do inédito troféu após uma fase de grupos impressionante.
É digno de nota que a LDU Quito, que encerrou a fase de grupos com 12 pontos no Grupo A — invicta, com três vitórias, três empates e saldo de gols de +8 —, manteve a solidez defensiva como marca ao longo de toda a campanha, tendo sofrido apenas dois gols na fase inicial.
Destaques e clubes de maior campanha na fase de grupos
Embora o título e o vice sejam definidos no mata-mata, a fase de grupos revelou quais equipes chegaram em melhor forma ao segundo semestre da competição. Alguns desempenhos merecem destaque especial:
- São Paulo (Grupo D): Liderou sua chave com 16 pontos — a maior pontuação de qualquer time na fase de grupos — e encerrou as seis rodadas sem sofrer nenhum gol. Cinco vitórias e um empate, 13 gols marcados e saldo de +13. Uma campanha de excelência defensiva que rendeu ao clube o melhor aproveitamento geral dos grupos, com 88,9%.
- Newells Old Boys (Grupo E): Também chegou a 16 pontos, igualando o São Paulo. Cinco vitórias, um empate, 11 gols marcados e apenas 4 sofridos. Aproveitamento igualmente de 88,9%, sendo a outra equipe a atingir esse patamar.
- Fortaleza (Grupo H): 15 pontos, cinco vitórias, um empate, 17 gols marcados e apenas 5 sofridos — saldo de +12. A equipe cearense foi o ataque mais produtivo entre os líderes de grupo, o que anunciava uma campanha sólida até a final.
- Defensa y Justicia (Grupo F): Também 15 pontos, com cinco vitórias, uma derrota e saldo positivo de +7. O time argentino marcou 15 gols na fase inicial, o segundo maior volume entre todos os grupos.
- RB Bragantino (Grupo C): 14 pontos, invicto, com 21 gols marcados — o melhor ataque da fase de grupos em toda a competição (Wikipédia) — e saldo de +18. Dividiu a liderança em pontos com o Estudiantes LP, mas se impôs pelo saldo avassalador.
Na ponta oposta, o Oriente Petrolero (Grupo C) e o Puerto Cabello (Grupo D) encerraram a fase de grupos com zero pontos, seis derrotas em seis jogos. O Peñarol (Grupo F), clube de tradição uruguaia, também terminou sua participação sem pontuar, sofrendo 18 gols e marcando apenas 4.
A fase de grupos: equilíbrio, goleadas e números
O Grupo C foi, sem dúvida, o mais desequilibrado da fase inicial. RB Bragantino e Estudiantes LP — ambos com 14 pontos e invictos em seis rodadas — varreram Tacuary e Oriente Petrolero de maneira contundente. O Bragantino chegou a aplicar 7 a 1 sobre o Tacuary em 28 de junho (Wikipédia), a maior goleada da fase de grupos na edição. O saldo combinado dos dois times eliminados foi de -31, evidenciando um grupo de dois blocos separados por uma distância técnica enorme.
O Grupo D foi dominado de forma absoluta pelo São Paulo, que não cedeu gol algum em seis partidas — um dado que, por si só, representa a melhor defesa da fase de grupos da competição (Wikipédia). O Tigre passou em segundo com 10 pontos, mas a distância de seis pontos para o líder ilustra o domínio tricolor paulista.
O Grupo F apresentou uma curiosidade: América Mineiro e Millonarios terminaram empatados em 10 pontos, na segunda e terceira posições respectivamente, com o clube brasileiro levando a melhor provavelmente pelo saldo de gols (+4 contra +3). A diferença de apenas um ponto e um gol no saldo evidenciou a disputa acirrada pela segunda vaga.
O Grupo A teve LDU Quito como líder destacado, com 12 pontos e saldo de +8, seguido de perto pelo Botafogo, que somou 10 pontos — também invicto, com dois empates a mais e três vitórias a menos — e saldo de +5. Com 10 gols marcados cada, os dois times formaram uma das fases de grupos mais ofensivas entre as duplas classificadas.
Artilharia e destaques individuais
No plano individual, G. Mastriani, do América Mineiro, foi o artilheiro da Sudamericana 2023 com 9 gols em 12 jogos, uma média de 0,75 gol por partida. O atacante uruguaio terminou a competição com folha disciplinar impecável: sem nenhum cartão amarelo ou vermelho ao longo de toda a campanha. Sua equipe, que terminou em segundo lugar no Grupo F, serviu de trampolim para que Mastriani acumulasse números expressivos.
O segundo colocado na artilharia foi N. Fernández, do Defensa y Justicia, com 8 gols e 2 assistências em 10 jogos — uma participação direta em gols que demonstra sua importância no ataque argentino. B. Rollheiser, do Estudiantes LP, e F. Santander, do Club Guarani, dividiram o terceiro lugar com 6 gols cada — Rollheiser com 2 assistências adicionais em 11 jogos, Santander com 9 partidas disputadas. A. Bareiro, do San Lorenzo, também marcou 6 vezes, mas foi o mais advertido entre os cinco primeiros, com 4 cartões amarelos.
Entre os garçons da competição, G. Togni, do Defensa y Justicia, liderou as assistências com 6 passes para gol em 12 partidas, também anotando 5 gols — tornando-se um dos jogadores mais completos ofensivamente da edição. M. Benítez, do América Mineiro, e Rafinha, do Blooming, apareceram empatados com 4 assistências cada, em apenas 6 partidas disputadas. Eduardo Sasha, do RB Bragantino, somou 5 gols e 3 assistências em 8 jogos, sendo um dos pilares do melhor ataque da fase inicial.
Números e curiosidades
- Melhor ataque da fase de grupos: RB Bragantino, com 21 gols marcados em 6 partidas — média de 3,5 gols por jogo (Wikipédia).
- Melhor defesa da fase de grupos: São Paulo, com zero gols sofridos em 6 partidas (Wikipédia).
- Maior pontuação individual na fase de grupos: São Paulo e Newells Old Boys, ambos com 16 pontos e aproveitamento de 88,9%.
- Maior goleada da fase de grupos: RB Bragantino 7 a 1 sobre o Tacuary, em 28 de junho (Wikipédia).
- Maior goleada geral da competição: Blooming 6 a 0 sobre o Atlético Palmaflor, em 9 de março (Wikipédia) — partida da fase preliminar.
- Jogador mais cartunado da competição: L. Lollo, do Estudiantes LP, com 6 amarelos e 1 vermelho em 9 partidas — o maior volume disciplinar registrado nos dados.
- Pior campanha da fase de grupos: Oriente Petrolero encerrou com zero pontos, zero gols aproveitados e 20 gols sofridos em 6 jogos — saldo de -18.
- Total de gols e partidas: 396 gols em 157 jogos ao longo de toda a edição (Wikipédia), com média superior a 2,5 por partida.
- Campeã da artilharia individual: G. Mastriani (América Mineiro), com 9 gols — margem de um tento sobre o segundo colocado, N. Fernández, do Defensa y Justicia.
- Campeão bicampeão: A LDU Quito tornou-se bicampeã da Sudamericana (Wikipédia), consolidando o clube equatoriano entre as maiores referências do torneio continental.
A Sudamericana 2023 encerrou-se como uma edição que uniu números ofensivos notáveis, campanhas de grupos marcadas por extremos — do domínio total à eliminação sem pontos — e uma final dramática que só se decidiu nas penalidades. O novo formato ampliou o caminho para a fase decisiva e trouxe ainda mais clubes ao centro das atenções. A LDU Quito soube aproveitar cada etapa com consistência e, em Maldonado, converteu melhor do que o adversário para inscrever seu nome pela segunda vez na história do torneio.








































































































