A Série B de 2019 do Campeonato Brasileiro entrou para a história como uma das edições mais dominantes da competição na última década. Ao longo de 38 rodadas e 380 partidas disputadas, o RB Bragantino impôs um ritmo que nenhum rival conseguiu acompanhar, acumulando 75 pontos e exibindo simultaneamente o melhor ataque e a melhor defesa do torneio. Enquanto o clube paulista escrevia seu capítulo de volta à elite, Sport Recife, Coritiba e Atlético Goianiense completaram o G4 de acesso, e quatro clubes — Londrina, São Bento, Criciúma e Vila Nova — não resistiram à pressão da parte inferior da tabela.
Visão geral da temporada
Os 20 clubes da competição produziram 791 gols em 380 jogos, resultando em média de 2,08 tentos por partida — número que traduz uma temporada razoavelmente produtiva em termos ofensivos, sem extremos de equilíbrio defensivo ou de abertura excessiva. A tabela final revelou uma hierarquia clara no topo, com o RB Bragantino separado do vice Sport Recife por sete pontos, e uma compressão notável na parte de baixo: os quatro rebaixados terminaram com 39 pontos cada um, separados apenas pelo saldo de gols. Entre o quinto colocado, América Mineiro, com 61 pontos, e o 16º, Figueirense, com 41, havia apenas 20 pontos de diferença — sinal de uma zona intermediária razoavelmente disputada.
O campeão: RB Bragantino e a temporada de domínio absoluto
O RB Bragantino não apenas venceu a Série B de 2019 — venceu-a com autoridade estatística difícil de questionar. Foram 22 vitórias, 9 empates e apenas 7 derrotas em 38 jogos, com 64 gols marcados e somente 27 sofridos. O saldo positivo de 37 gols é reflexo de uma equipe que produzia muito e concedia pouco, acumulando o melhor ataque e a melhor defesa da competição simultaneamente — feito que, por si só, já seria suficiente para explicar os 75 pontos conquistados.
O aproveitamento do Bragantino ao longo da temporada foi de 65,8%, correspondente a pouco mais de dois pontos por jogo. O acesso à Série A foi confirmado na 33ª rodada, com vitória sobre o Guarani por 3 a 1 (Wikipédia). O título em si veio na antepenúltima rodada, selado com empate de 1 a 1 diante do Criciúma, no Estádio Nabi Abi Chedid (Wikipédia). Era o segundo título da história do clube na competição, o primeiro desde 1989 (Wikipédia).
Um papel de destaque na campanha do Bragantino pertenceu a Claudinho, o líder em assistências da temporada. Em 34 jogos, o meia somou 10 gols e 10 assistências — uma dupla cifra de participações diretas que ilustra sua importância no sistema ofensivo do clube. Nenhum outro jogador da competição chegou à marca de dois dígitos em ambas as categorias simultaneamente.
A briga pelo G4: acesso decidido nas últimas rodadas
Se no topo o RB Bragantino não deixou dúvidas, a disputa pelas demais vagas de acesso foi mais equilibrada e teve definição tardia. O Sport Recife terminou na vice-liderança com 68 pontos — sete a menos que o campeão —, registrando a campanha mais consistente no quesito empates: foram 17 ao longo da temporada, o mesmo número de vitórias. O acesso leonino foi confirmado na penúltima rodada, com triunfo sobre a Ponte Preta por 2 a 1 (Wikipédia).
O Coritiba fechou o terceiro lugar com 66 pontos, fruto de 18 vitórias e 12 empates, com déficit defensivo um pouco maior que o dos dois primeiros — 34 gols sofridos contra 29 do Sport. O Atlético Goianiense, quarto colocado, terminou com 62 pontos, resultado de 15 vitórias e 17 empates, o maior número de empates entre os quatro promovidos. Coritiba e Atlético Goianiense confirmaram presença na Série A apenas na última rodada (Wikipédia).
O América Mineiro, quinto colocado com 61 pontos, ficou a apenas um ponto do G4 e viu o acesso escapar nas rodadas finais — uma diferença mínima que ilustra o quanto a regularidade ao longo de 38 rodadas é determinante nesse formato de competição.
- 1º RB Bragantino — 75 pts | 22V 9E 7D | GP 64 GC 27 SG +37
- 2º Sport Recife — 68 pts | 17V 17E 4D | GP 49 GC 29 SG +20
- 3º Coritiba — 66 pts | 18V 12E 8D | GP 48 GC 34 SG +14
- 4º Atlético Goianiense — 62 pts | 15V 17E 6D | GP 44 GC 29 SG +15
- 5º América Mineiro — 61 pts | 17V 10E 11D | GP 42 GC 34 SG +8
A zona de rebaixamento: quatro clubes, mesma pontuação
O Z4 da Série B de 2019 produziu uma das situações mais incomuns da história recente da competição: os quatro rebaixados — Londrina (17º), São Bento (18º), Criciúma (19º) e Vila Nova (20º) — encerraram o torneio com exatamente 39 pontos cada um, sendo separados exclusivamente pelo saldo de gols. A posição final de cada clube foi determinada pelos seguintes critérios:
- 17º Londrina — 39 pts | 11V 6E 21D | GP 37 GC 53 SG -16
- 18º São Bento — 39 pts | 10V 9E 19D | GP 46 GC 54 SG -8
- 19º Criciúma — 39 pts | 8V 15E 15D | GP 30 GC 38 SG -8
- 20º Vila Nova — 39 pts | 7V 18E 13D | GP 27 GC 40 SG -13
O Londrina, apesar de ter obtido 11 vitórias — o maior número entre os rebaixados —, sofreu 21 derrotas e acumulou saldo negativo de 16 gols, o pior do grupo. O São Bento foi o clube que mais balançou as redes entre os quatro descensos (46 gols marcados), mas também o que mais sofreu (54 gols). O Vila Nova chegou ao fim com apenas 27 gols marcados em 38 jogos, o pior ataque de toda a competição. O Criciúma, ironicamente, havia empatado com o Bragantino na rodada do título adversário sem conseguir escapar do rebaixamento. A definição dos quatro descensos veio na penúltima rodada (Wikipédia).
Para efeito de comparação, o Figueirense, 16º colocado e primeiro time fora da zona de rebaixamento, terminou com 41 pontos — apenas dois a mais que todo o quarteto descenso. A margem foi, portanto, estreitíssima.
Artilharia e destaques individuais
A artilharia da Série B de 2019 ficou com Guilherme, do Sport Recife, que anotou 17 gols em 35 jogos, superando por dois tentos os quatro jogadores empatados na segunda posição. O atacante também contribuiu com 6 assistências, acumulando participação direta em 23 gols ao longo da campanha — desempenho central para o vice-campeonato leonino. Destaca-se ainda que Guilherme terminou a temporada sem nenhum cartão vermelho, com 6 amarelos em 35 partidas.
Na segunda colocação entre os artilheiros, três nomes aparecem com 14 gols cada: Hernane, também do Sport Recife, que juntou ainda 5 assistências e foi determinante no mesmo clube do artilheiro; Léo Ceará, do CRB, com 14 gols em 32 jogos e perfil mais discreto no quesito criação; e Roger Rodrigues da Silva, da Ponte Preta, que igualmente marcou 14 vezes mas liderou os artilheiros em cartões amarelos com 9 recebidos em 32 partidas. Fábio Gomes, do Oeste, aparece em segundo no ranking geral com 15 gols em 32 jogos.
- 1º Guilherme (Sport Recife) — 17 gols | 6 ast | 35 jogos
- 2º Fábio Gomes (Oeste) — 15 gols | 32 jogos
- 3º Léo Ceará (CRB) — 14 gols | 1 ast | 32 jogos
- 3º Hernane (Sport Recife) — 14 gols | 5 ast | 32 jogos
- 3º Roger Rodrigues da Silva (Ponte Preta) — 14 gols | 3 ast | 32 jogos
No ranking de assistências, Claudinho, do RB Bragantino, liderou com 10 passes para gol em 34 partidas — além dos próprios 10 gols marcados. Em segundo e terceiro, Alisson Farias (CRB) e Rodolfo (São Bento) somaram 7 assistências cada, sendo que Rodolfo alcançou essa marca em apenas 23 jogos disputados, o menor número entre os cinco primeiros colocados na tabela de assistências.
Cartões e disciplina
O jogador mais advertido da Série B de 2019 foi Victor Ramos, do CRB, que recebeu 14 cartões amarelos em apenas 24 partidas — média de 0,58 amarelo por jogo, a mais alta entre os destaques disciplinares da temporada. Em seguida, Gilvan, do Atlético Goianiense, somou 13 amarelos em 33 jogos, e três jogadores dividiram a terceira posição com 12 cartões cada: Leandro Leite Mateus (Brasil de Pelotas), Zé Roberto (São Bento) e Índio (Operário-PR).
Nenhum jogador acumulou mais de um cartão vermelho na temporada. O ranking dos expulsos listou cinco atletas com um vermelho cada: Marquinhos (Ponte Preta), Léo Rigo (Londrina), Rodolfo Filemon (Paraná), Ligger (RB Bragantino) e Luiz Otávio (Botafogo SP). Marquinhos, da Ponte Preta, combinava ainda 10 cartões amarelos em 25 jogos, tornando-se o jogador com o perfil disciplinar mais acumulado entre todos os listados.
Números e curiosidades da temporada
A Série B de 2019 deixou uma série de marcas numéricas e situações dignas de registro:
- O RB Bragantino reuniu melhor ataque (64 gols) e melhor defesa (27 gols sofridos) na mesma campanha — combinação que reflete o equilíbrio e a superioridade do clube ao longo dos 38 jogos (Wikipédia).
- Os quatro rebaixados terminaram com 39 pontos cada, situação de empate quádruplo na lanterna que raramente se repete em ligas de pontos corridos.
- O Sport Recife terminou com apenas 4 derrotas em 38 jogos — o menor número entre todos os 20 clubes —, mas os 17 empates custaram pontos suficientes para que o título ficasse fora de alcance.
- Claudinho foi o único jogador da competição a atingir dois dígitos tanto em gols (10) quanto em assistências (10).
- O Sport Recife colocou dois jogadores entre os cinco maiores artilheiros: Guilherme (1º, 17 gols) e Hernane (empatado em 3º, 14 gols), somando 31 gols só pela dupla.
- Zé Roberto, do São Bento, marcou 14 gols e distribuiu 5 assistências, mas coleccionou 12 cartões amarelos em 33 jogos — um dos perfis mais intensos da temporada.
- O título foi o segundo do Bragantino na Série B, com intervalo de 30 anos em relação ao primeiro, conquistado em 1989 (Wikipédia).
- A média de 2,08 gols por jogo indica uma competição equilibrada entre ataque e defesa, sem distorções expressivas em nenhuma das 38 rodadas.
A Série B de 2019 será lembrada, acima de tudo, pelo domínio técnico e estatístico do RB Bragantino, que regressou à elite do futebol brasileiro de forma incontestável, e pelo drama matemático de uma zona de rebaixamento que só se resolveu nos metros finais de uma temporada de 380 partidas e 791 gols.
































































