A Série B de 2013 do Campeonato Brasileiro entrou para a história como uma das edições mais marcantes da segunda divisão nacional: reuniu um gigante em busca de redenção, revelou ao país a força de um clube do interior catarinense, produziu quase mil gols em 380 partidas e coroou o centroavante mais dominante que a categoria viu naquela geração. Em 38 rodadas disputadas por 20 equipes, a competição entregou dramatismo, superação e números que merecem ser lembrados com rigor.
Visão Geral da Temporada
A edição de 2013 reuniu 20 clubes em turno e returno, totalizando 380 jogos e impressionantes 998 gols — uma média de 2,63 tentos por partida. O volume ofensivo refletiu uma competição de alto ritmo, com times que chegaram a marcar mais de 60 gols na temporada. No topo, o abismo em relação ao restante do pelotão foi visível desde cedo: o campeão encerrou a competição com 79 pontos, enquanto o quarto colocado somou 60 — uma diferença de 19 pontos entre o primeiro e o último acesso. A zona de rebaixamento, por outro lado, ficou distante do pelotão intermediário apenas na pontuação, com quatro clubes incapazes de superar a barreira dos 41 pontos.
O Campeão: Palmeiras de Volta à Elite
Rebaixado à Série B em 2012, o Palmeiras viveu em 2013 uma temporada de reconquista que terminou com números difíceis de contestar. O clube alviverde encerrou a competição com 79 pontos, fruto de 24 vitórias, 7 empates e apenas 7 derrotas em 38 jogos — aproveitamento de 69,3%. O ataque palmenense foi o melhor da Série B, com 71 gols marcados, e a defesa, também a mais sólida, concedeu somente 28. O saldo de gols de +43 ficou muito acima do segundo colocado, que registrou +29.
O acesso foi confirmado com antecedência: o Palmeiras garantiu o retorno à Série A com seis rodadas de sobra, após empate sem gols com o São Caetano no Pacaembu (Wikipédia). O título, por sua vez, veio na antepenúltima rodada com uma vitória por 3 a 0 sobre o Boa Esporte, também no Pacaembu (Wikipédia). A temporada foi um exercício de eficiência coletiva: enquanto o vice-campeão perdeu apenas 6 partidas, o Palmeiras perdeu 7, mas compensou na consistência ofensiva e no número de triunfos — 24 contra 20 da Chapecoense.
Entre os destaques individuais do elenco alviverde, Leandro foi um dos jogadores mais atuantes do torneio, somando 13 gols e 30 partidas disputadas, embora também tenha acumulado 12 cartões amarelos — entre os mais advertidos da competição. Alan Kardec contribuiu com 14 gols em 27 jogos, mesmo carregando o histórico de 7 cartões amarelos e 1 vermelho, o que o coloca entre os atacantes mais vigiados do torneio.
A Briga pelo G4: Acesso com Drama e História
Além do Palmeiras, outros três clubes conquistaram o acesso à Série A: Chapecoense, Sport Recife e Figueirense. A trajetória de cada um teve características distintas.
A Chapecoense encerrou como vice-campeã com 72 pontos — 7 a menos que o Palmeiras —, tendo vencido 20 partidas e empatado 12, com apenas 6 derrotas. O clube catarinense garantiu o acesso histórico ao empatar em 1 a 1 com o Bragantino em Chapecó (Wikipédia), encerrando um jejum de décadas fora da elite: o time retornou à Série A pela primeira vez desde 1979 (Wikipédia). O saldo de gols da Chapecoense foi de +29, com 60 gols marcados e 31 sofridos — números que refletem solidez defensiva e produção ofensiva equilibrada.
O Sport Recife terminou em terceiro com 63 pontos. Apesar das 20 vitórias, o Leão sofreu 15 derrotas e apresentou o sistema defensivo mais exposto entre os promovidos, concedendo 56 gols e encerrando com saldo de apenas +8. O acesso leonino foi selado na 37ª rodada (Wikipédia). Já o Figueirense, quarto colocado com 60 pontos, retornou à Série A um ano após o rebaixamento: o acesso foi confirmado apenas na última rodada, em empate de 1 a 1 com o Bragantino (Wikipédia). Com 63 gols marcados e 52 sofridos, o Furacão mostrou produção ofensiva relevante, embora o saldo de +11 revelasse uma defesa ainda vulnerável.
Fora do G4, a disputa pela zona de acesso foi intensa. Icasa, Joinville e Ceará terminaram empatados com 59 pontos — apenas um ponto atrás do Figueirense —, evidenciando o quão estreita foi a linha entre o acesso e a permanência na segunda divisão. O Paraná e o América Mineiro, com 57 pontos cada, também ficaram perto, reforçando o equilíbrio do pelotão intermediário.
A Zona de Rebaixamento: Quatro Descidas, Números Claros
Os quatro rebaixados de 2013 foram ASA, São Caetano, Paysandu e Guaratinguetá. A separação entre o 16º colocado (Atlético Goianiense, com 44 pontos) e o 17º (Guaratinguetá, com 41) foi de apenas 3 pontos — a menor margem da tabela naquele desfecho. O Atlético Goianiense escapou do rebaixamento por essa diferença mínima.
- Guaratinguetá (17º – 41 pontos): 11 vitórias, 8 empates e 19 derrotas. Saldo de -12, com 42 gols marcados e 54 sofridos.
- Paysandu (18º – 40 pontos): 10 vitórias, 10 empates e 18 derrotas. Saldo de -16, com 40 gols marcados e 56 sofridos.
- São Caetano (19º – 36 pontos): 9 vitórias, 9 empates e 20 derrotas. O rebaixamento foi confirmado antes mesmo de entrar em campo, por combinação de resultados (Wikipédia).
- ASA (20º – 35 pontos): O lanterna teve a pior campanha do torneio — 11 vitórias, apenas 2 empates e 25 derrotas. Com 41 gols marcados e 75 sofridos, o saldo de -34 foi o mais negativo da competição, quase o dobro do segundo pior. O rebaixamento foi selado após derrota por 4 a 1 para o ABC em Natal (Wikipédia).
Artilharia e Destaques Individuais
Se a temporada teve um protagonista individual incontestável, esse nome é Bruno Rangel. O centroavante da Chapecoense balançou as redes 31 vezes em 34 jogos — uma média de 0,91 gol por partida —, terminando como artilheiro isolado com margem expressiva sobre o segundo colocado. Com apenas 3 cartões amarelos e nenhum vermelho, Bruno Rangel entregou produção absurda com disciplina invulgar para um atacante de área. Seus 31 gols representaram mais da metade dos 60 que a Chapecoense marcou no torneio inteiro.
- Bruno Rangel (Chapecoense) – 31 gols em 34 jogos (média: 0,91/jogo; 3 amarelos, 0 vermelho)
- Marcos Aurélio (Sport Recife) – 22 gols em 35 jogos (média: 0,63/jogo; 5 amarelos, 0 vermelho)
- Magno Alves (Ceará) – 20 gols em 33 jogos (média: 0,61/jogo; 1 amarelo, 0 vermelho)
- Rafael Costa (Figueirense) – 14 gols em 30 jogos (0 cartões)
- Alan Kardec (Palmeiras) – 14 gols em 27 jogos (7 amarelos, 1 vermelho)
A diferença entre o líder da artilharia e o segundo colocado foi de 9 gols — uma vantagem expressiva que demonstra o domínio de Bruno Rangel sobre a categoria naquele ano. Vale destacar também Lulinha, do Ceará, que marcou 11 gols em 30 jogos, acumulando 6 cartões amarelos e 1 vermelho.
Cartões: Os Mais Advertidos da Série B
No campo disciplinar, a Série B de 2013 revelou jogadores que acumularam advertências em ritmo preocupante. Três atletas dividiram a liderança em cartões amarelos, com 13 cada:
- Carlos César Matheus (RB Bragantino) – 13 amarelos em 26 jogos (1 gol)
- Bileu (ABC) – 13 amarelos em 31 jogos (1 gol)
- Augusto Recife (Joinville) – 13 amarelos em 33 jogos (0 gols)
Na lista de cartões vermelhos, Fábio Sanches, do Paysandu, liderou com 2 expulsões em 27 partidas, além de 5 amarelos. Flávio Boaventura, do ABC, acumulou 11 amarelos e 1 vermelho em apenas 24 jogos — uma das médias disciplinares mais altas do torneio.
Números e Curiosidades da Temporada
A Série B de 2013 produziu dados que merecem destaque:
- 998 gols em 380 partidas, média de 2,63 por jogo — edição de alto volume ofensivo.
- O Palmeiras foi o único clube a liderar simultaneamente o melhor ataque (71 gols) e a melhor defesa (28 gols sofridos) da competição.
- O saldo de gols do campeão (+43) foi quase 50% superior ao do vice (+29), evidenciando a superioridade técnica alviverde.
- A maior goleada registrada na temporada foi América Mineiro 5 a 0 sobre o Sport Recife, na 11ª rodada, no Estádio Independência, em 30 de julho (Wikipédia).
- Três equipes — Icasa, Joinville e Ceará — encerraram o torneio empatadas em 59 pontos, apenas 1 ponto atrás do último acesso.
- O ASA foi o time com menos empates na competição: apenas 2 em 38 jogos, uma estatística que expõe um perfil de resultados extremos — ou vencia ou perdia, raramente ficava no meio-termo.
- A Chapecoense perdeu apenas 6 partidas em 38 rodadas, mas mesmo assim ficou 7 pontos atrás do campeão — sinal de que o Palmeiras foi consistente numa medida raramente vista na segunda divisão.
- O retorno histórico da Chapecoense à elite nacional, após mais de três décadas de ausência (Wikipédia), foi o fato mais simbólico da temporada fora do campo de resultados.
A Série B de 2013 fechou um ciclo rico: um campeão que cumpriu sua missão de redenção com eficiência e folga, um vice que escreveu história ao voltar à elite após décadas, uma artilharia individual de 31 gols que marcou uma geração e uma disputa de acesso que foi decidida no detalhe para quase uma dezena de clubes. Os números ficam como registro fiel de uma temporada que entregou futebol em quantidade, qualidade e emoção.


















































