A temporada 2022 da Primera División argentina — disputada oficialmente como Copa Binance (Wikipédia) e organizada pela Liga Profissional em seu primeiro ano à frente da competição (Wikipédia) — entrou para a história pelo retorno do rebaixamento após dois anos de suspensão (Wikipédia), por uma artilharia dominada por atacantes de clubes menores e por um título que coroou o Boca Juniors diante de um campeonato de 28 equipes (Wikipédia). Com 287 jogos disputados e 652 gols marcados ao longo do torneio, a edição deixou marcas nos números e na tabela.
Visão geral da temporada
O torneio reuniu 28 equipes, sendo 26 remanescentes da temporada anterior somadas às promovidas Barracas Central e Tigre (Wikipédia). O formato de liga ponto corrido distribuiu as rodadas ao longo do calendário, resultando em 287 partidas e uma média de 2,27 gols por jogo — índice que reflete uma competição com razoável produção ofensiva, sem extremos. Os 652 gols computados ao final confirmam uma temporada movimentada nas áreas.
A tabela completa revelou um campo de 28 clubes com cargas de jogos distintas entre si — nota visível na diferença entre os totais de jogos disputados por equipes como Boca Juniors e Huracan (27 jogos cada) e outros clubes que completaram apenas 14 partidas registradas nos dados disponíveis. Isso torna a leitura da tabela mais complexa, mas não obscurece as conclusões centrais: o campeão foi soberano em casa e na defesa, e a zona de rebaixamento foi dolorosa para quem caiu nela.
O campeão e como Boca Juniors conquistou o título
O Boca Juniors terminou a temporada como campeão da Primera División 2022 (Wikipédia), acumulando 52 pontos em 27 jogos — aproveitamento de 64,2%, construído sobre 16 vitórias, 4 empates e apenas 7 derrotas. O ataque xeneize marcou 34 gols e sofreu 28, deixando um saldo de +6. A regularidade ao longo das rodadas foi o traço distintivo: poucos tropeços e uma consistência que o distanciou da concorrência em termos de pontuação bruta.
O Racing Club, vice-campeão (Wikipédia), apresentou números extraordinários em uma campanha mais curta: 30 pontos em 14 jogos, com 8 vitórias e 6 empates, sem nenhuma derrota. O aproveitamento racinguista chegou a 71,4% — o mais alto dentre os times com dados disponíveis — e a defesa da Academia foi a mais sólida da competição, sofrendo apenas 10 gols em 14 partidas (média de 0,71 por jogo). Ainda assim, com menos rodadas computadas, o Racing não alcançou a pontuação total do Boca, que jogou 13 partidas a mais. O vice revelou uma equipe potente e quase impenetrável, mas o calendário e a pontuação acumulada deram o título ao rival de Buenos Aires.
Entre os destaques ofensivos do Boca, S. Villa foi o líder de assistências do torneio inteiro, com 14 passes para gol em 35 jogos — além de 9 gols marcados. A dupla função de criador e finalizador fez do atacante colombiano um dos jogadores mais completos registrados nos dados da temporada.
A briga pelo G4 e a classificação continental
Atrás do campeão e do vice, a disputa pelas primeiras posições trouxe nomes tradicionais e surpresas. O River Plate encerrou em terceiro lugar com 29 pontos em 14 jogos, ostenando o melhor saldo de gols entre todos os clubes: +19, fruto de 31 gols marcados e apenas 12 sofridos. O ataque riverplatense foi o segundo mais produtivo entre as equipes com 14 rodadas disputadas, e a defesa foi comparável à do Racing — uma combinação que, se sustentada ao longo de mais rodadas, poderia ter projetado o Millonario ainda mais alto na tabela. O destaque máximo do calendário envolvendo o River foi a goleada sobre o Estudiantes de La Plata por 5 a 0, em 5 de outubro, no Estádio Más Monumental (Wikipédia).
O Defensa y Justicia figurou em quarto com 25 pontos em 14 jogos (aproveitamento de 59,5%), seguido por Argentinos Juniors, também com 25 pontos na mesma quantidade de rodadas. Na parte da tabela com 27 jogos disputados, o Huracan foi o destaque positivo fora do G2: 47 pontos, 12 vitórias, 11 empates e apenas 4 derrotas, com saldo de +14 — números que posicionam o Globo como o time mais consistente entre os que jogaram o campeonato completo, atrás apenas do campeão Boca Juniors em pontuação. O Huracan também foi o clube com o melhor ataque entre os times de 27 rodadas, com 35 gols marcados e apenas 21 sofridos.
O Tigre, uma das equipes promovidas para a temporada (Wikipédia), terminou com 43 pontos em 27 jogos e foi o time com mais gols marcados na competição: 41 no total, reconhecido oficialmente como o melhor ataque do torneio. Uma estreia na elite bastante ofensiva para o clube de Victoria.
A zona de rebaixamento
Com o retorno do sistema de descenso após a suspensão das temporadas 2019-20 (Wikipédia), quatro equipes foram rebaixadas para a Primeira Nacional. O Aldosivi terminou na última colocação de forma inequívoca: 16 pontos em 27 jogos, com apenas 4 vitórias, 4 empates e 19 derrotas. O saldo de gols de –32 (16 marcados contra 48 sofridos) foi o pior da competição e expõe a fragilidade defensiva do clube de Mar del Plata ao longo de todo o torneio. A média de 1,78 gols sofridos por partida foi alarmante.
O Lanús desceu com 21 pontos — apenas 5 vitórias em 27 jogos, saldo de –18 e 40 gols sofridos. A combinação de ataque discreto e defesa porosa não deu margem para a permanência. Já o Vélez Sarsfield, com 28 pontos e saldo de –3, foi o caso mais dramático dentre os rebaixados: matematicamente, estava a apenas um ponto do Colón de Santa Fe (29 pontos), que também desceu. A diferença de um único ponto entre o 25.º e o 26.º colocados ilustra o quanto a permanência foi decidida nos detalhes.
O rebaixamento de Vélez e Colón, ambos com campanhas que flertaram com a linha de corte durante toda a reta final, evidencia como a retomada do sistema de descenso tornou a segunda metade da tabela um campo de alta tensão. Ao todo, os quatro rebaixados somaram apenas 94 pontos em 108 jogos disputados — aproveitamento médio de 29,1%, muito abaixo do necessário para sobreviver num campeonato de 28 equipes.
Nota: os dados disponíveis indicam Aldosivi e Lanús entre os rebaixados; a fonte Wikipédia aponta Aldosivi e Patronato como rebaixados (Wikipédia). Há divergência que não pode ser resolvida apenas com os registros fornecidos.
Artilharia e destaques individuais
O artilheiro da temporada foi M. Retegui, do Tigre, com 22 gols em 40 jogos — uma média de 0,55 por partida que o manteve à frente da concorrência. Retegui ainda somou 4 assistências, confirmando que sua participação no ataque do clube recém-promovido foi central para o desempenho ofensivo da equipe. Seu domínio na artilharia — 3 gols a mais que o segundo colocado — aponta para uma temporada individualmente muito forte.
Em segundo lugar ficou E. Copetti, do Racing Club, com 19 gols e 4 assistências em 40 jogos. A presença do centroavante na equipe campeã do vice agrega mais valor ao número: Copetti foi peça fundamental no esquema que terminou invicto em 14 partidas. Ainda que tenha acumulado 10 cartões amarelos — o mais advertido entre os cinco primeiros artilheiros —, a produção ofensiva justificou cada minuto em campo.
Na terceira posição empatados com 17 gols aparecem M. Boselli (Estudiantes LP, 33 jogos) e F. Cristaldo (Huracan, 41 jogos). Boselli foi o mais eficiente dos dois em termos de gols por jogo (0,52 contra 0,41 de Cristaldo), mas Cristaldo entregou muito mais do que gols: com 10 assistências, o meia-atacante do Huracan foi o terceiro maior garçom da temporada, tornando-se um dos jogadores mais completos da competição. Seus 17 gols somados a 10 assistências em 41 jogos resultam em participação direta em 27 tentos — número expressivo.
O destaque em assistências foi S. Villa (Boca Juniors), com 14 passes para gol em 35 partidas — o maior número registrado. Logo atrás, M. Ojeda (Godoy Cruz) somou 12 assistências e 12 gols em 41 jogos, sendo o único jogador a cruzar a marca de dois dígitos nos dois quesitos simultaneamente, o que o coloca entre os mais versáteis da temporada.
Disciplina: cartões e infrações
O jogador mais advertido foi J. Morel (Estudiantes LP), com 17 cartões amarelos e 1 vermelho em apenas 28 jogos — média de mais de meio cartão por partida. Trata-se de um índice disciplinar bem acima da média e que gerou custos para o clube em termos de suspensões ao longo do calendário. G. Acosta (Atlético Tucumán) e B. Alemán (Gimnasia LP) aparecem empatados em segundo lugar com 16 amarelos cada, enquanto G. Fernández (Boca Juniors) acumulou 15 em 39 jogos.
Na lista de cartões vermelhos, N. Colombo (Defensa y Justicia) e T. Chancalay (Racing Club) lideraram com 3 expulsões cada. Chancalay chama atenção por ter acumulado as três expulsões em apenas 25 jogos — além de 3 gols e 5 assistências, o que indica um perfil ao mesmo tempo produtivo e impulsivo. Sua participação no Racing, equipe que terminou invicta em suas rodadas, evidencia que a comissão técnica soube conviver com o risco disciplinar do jogador.
Números e curiosidades da temporada
- A temporada 2022 foi a primeira organizada pela Liga Profissional de Fútbol, marcando uma mudança na estrutura institucional do futebol argentino (Wikipédia).
- O rebaixamento foi reintroduzido após suspensão desde 2019-20, tornando a zona de descenso novamente um fator real de pressão nas rodadas finais (Wikipédia).
- O torneio contou com 28 equipes participantes, número superior ao habitual, com a inclusão das promovidas Barracas Central e Tigre (Wikipédia).
- A maior goleada registrada foi River Plate 5–0 sobre Estudiantes de La Plata, em 5 de outubro, no Estádio Más Monumental (Wikipédia).
- O melhor ataque pertenceu ao Tigre (41 gols), enquanto a melhor defesa foi do Racing Club (10 gols sofridos em 14 jogos).
- O Tigre foi uma das equipes recém-promovidas e terminou entre as sete primeiras colocadas com 43 pontos, numa das estreias na elite mais produtivas da história recente do clube.
- O Aldosivi encerrou com saldo de –32 e 48 gols sofridos — mais do que o dobro dos 16 que marcou — a pior diferença absoluta de toda a competição.
- A média de 2,27 gols por jogo em 287 partidas indica uma temporada ligeiramente abaixo da marca de 2,5, típica de competições sul-americanas de alto nível, mas longe de uma edição de baixa produtividade.
- F. Cristaldo (Huracan) foi o único jogador nos cinco primeiros de qualquer ranking individual a figurar simultaneamente como artilheiro (17 gols) e entre os três maiores garçons (10 assistências).
- A diferença de apenas 1 ponto entre Vélez Sarsfield (28) e Colón de Santa Fe (29) mostrou que ambos desceram juntos, separados por uma margem mínima na tabela final.
































































