O Boca Juniors dominou a Primera División argentina de 2017 de ponta a ponta, erguendo o título com sobras e números que poucos clubes conseguem reunir em uma mesma campanha: melhor ataque, melhor defesa e sete pontos de vantagem sobre o segundo colocado ao fim das 15 rodadas disputadas. Em um campeonato de 28 times e 209 partidas, foram registrados 454 gols, a uma média de 2,17 por jogo, mas nenhum conjunto chegou perto da consistência xeneize.
Visão Geral da Temporada
A edição 2017 da Primera División argentina reuniu 28 equipes em formato de liga, com cada clube disputando 15 jogos ao longo da competição. O torneio foi marcado por uma concentração de forças na parte superior da tabela — os quatro primeiros somaram 122 pontos, enquanto a zona de rebaixamento exibiu números alarmantes de times que simplesmente não encontraram consistência durante a temporada. No total, 454 gols foram marcados em 209 partidas, uma média de 2,17 por jogo, indicando que o futebol argentino daquele ano foi relativamente produtivo ofensivamente, mas sem exageros. O pelotão intermediário foi compacto e disputado: dez equipes ficaram entre 22 e 26 pontos, criando um bloco denso onde qualquer escorregão poderia significar tanto a queda para a zona de rebaixamento quanto uma aproximação ao G4.
O Campeão e Como Conquistou o Título
O Boca Juniors foi soberano. Em 15 jogos, o clube da Boca venceu 12, empatou 1 e perdeu apenas 2, totalizando 37 pontos — marca que representa um aproveitamento de impressionantes 82,2%. Não bastasse o volume de vitórias, os xeneizes também foram o time mais eficiente nas duas fases do jogo: marcaram 29 gols (melhor ataque) e sofreram apenas 6 (melhor defesa), construindo um saldo de gols de +23, o maior da competição por larga margem. Para efeito de comparação, o vice-campeão Talleres Córdoba terminou com saldo de +13 — 10 gols a menos que o campeão.
A diferença de sete pontos para o Talleres, segundo colocado com 30 pontos, evidencia que o título do Boca não foi conquistado em uma batalha apertada. Foi uma demonstração de superioridade técnica e tática sustentada durante toda a campanha. Com apenas seis gols sofridos em 15 partidas — uma média de 0,4 por jogo —, a equipe construiu uma muralha defensiva que nenhum adversário conseguiu superar com regularidade.
No campo individual, o destaque do Boca em termos de criação foi C. Pavón, que terminou a temporada como o líder em assistências de todo o campeonato, com 11 passes para gol em 26 jogos, além de 6 gols marcados. P. Pérez foi outro nome de destaque no setor criativo, registrando 5 gols e 2 assistências em 19 partidas, embora também tenha acumulado 12 cartões amarelos — o maior número da competição, reflexo de um estilo combativo e presente em todas as fases do jogo.
A Briga pelo G4 e as Vagas Continentais
Atrás do campeão, a disputa pelo restante do G4 foi mais equilibrada. O Talleres Córdoba surpreendeu ao terminar na segunda posição com 30 pontos, resultado de 9 vitórias, 3 empates e 3 derrotas, com saldo de +13. A presença do clube de Córdoba no topo da tabela representou uma das revelações do torneio, já que o time equilibrou produção ofensiva (20 gols marcados) com solidez defensiva (apenas 7 sofridos).
O San Lorenzo ficou com o terceiro posto, acumulando 28 pontos em 14 jogos disputados — o que significa que sua média por partida (2,0 pontos) foi a segunda melhor do campeonato, atrás apenas do Boca. Com 8 vitórias, 4 empates e 2 derrotas, o clube tricolor demonstrou consistência, mas não teve a mesma regularidade ofensiva do líder: 19 gols marcados contra 9 sofridos, com saldo de +10.
Godoy Cruz fechou o G4 com 27 pontos, fruto de 8 vitórias, 3 empates e 4 derrotas. O time mendocino foi o mais vulnerável defensivamente entre os quatro primeiros, cedendo 16 gols e terminando com saldo de apenas +5. Ainda assim, sua produção ofensiva de 21 gols foi a segunda melhor entre os classificados para as vagas continentais.
O Union Santa Fe ficou a um passo do G4, terminando na quinta posição com 26 pontos — apenas um a menos que Godoy Cruz. A equipe santafesina teve uma campanha sólida, com 7 vitórias, 5 empates e 3 derrotas, e contou com contribuições relevantes tanto de F. Soldano (11 gols, artilheiro da equipe e terceiro do campeonato) quanto de L. Gamba (7 gols e 7 assistências), tornando-se um dos conjuntos mais completos ofensivamente entre aqueles que não alcançaram o top 4.
A Zona de Rebaixamento
Na outra extremidade da tabela, quatro equipes não resistiram à pressão e encerraram a temporada rebaixadas: Arsenal Sarandí, Olimpo Bahía Blanca, Temperley e Tigre.
- Arsenal Sarandí (28º, 7 pontos): A campanha mais fraca de toda a competição. Apenas 1 vitória em 15 jogos, com 4 empates e 10 derrotas. Marcou somente 7 gols e sofreu 17, fechando com saldo de -10. O aproveitamento de 15,6% fez do Arsenal o time mais distante de qualquer zona de segurança.
- Olimpo Bahía Blanca (27º, 9 pontos): Dois triunfos e dez derrotas em 15 partidas. O saldo de gols de -14 (9 marcados, 23 sofridos) revelou uma equipe frágil especialmente no campo defensivo, o segundo pior entre todos os 28 participantes.
- Temperley (26º, 12 pontos): Três vitórias e nove derrotas, com o pior saldo de gols da temporada inteira: -16. O time sofreu 25 gols e marcou apenas 9, demonstrando uma defesa incapaz de segurar adversários mesmo de padrão intermediário. M. Nani, jogador do clube, ainda acumulou 6 cartões amarelos e 1 vermelho em apenas 15 partidas, ilustrando as dificuldades da equipe dentro de campo.
- Tigre (25º, 12 pontos): Com os mesmos 12 pontos do Temperley, o Tigre escapou da última posição por ter melhor saldo de gols (-7 contra -16), mas igualmente não resistiu. Foram 2 vitórias, 6 empates e 7 derrotas — o time que mais empatou entre os rebaixados, incapaz de transformar pontos compartilhados em sequências de triunfo.
A distância entre o décimo quarto colocado (Defensa y Justicia, com 21 pontos) e o décimo quinto (San Martín de San Juan, também com 21 pontos) para a zona de rebaixamento inicial (Chacarita Juniors, com 12) foi de 9 pontos, o que ilustra como o pelotão intermediário conseguiu se distanciar com certa tranquilidade dos clubes em queda.
Artilharia e Destaques Individuais
A artilharia da temporada terminou empatada numericamente, mas com perfis distintos. Lautaro Martínez, do Racing Club, e S. Ribas, do Patronato, dividiram o topo da tabela de gols com 13 cada. O atacante do Racing, porém, fez isso em apenas 21 jogos, enquanto Ribas precisou de 25 partidas para alcançar a mesma marca — o que confere ao jogador do Racing um rendimento por jogo superior.
Lautaro Martínez também contribuiu com 4 assistências e não recebeu nenhum cartão vermelho durante toda a campanha, acumulando apenas 4 amarelos em 21 jogos. O número corrobora a eficiência técnica do atacante, que equilibrou produção e disciplina em uma temporada que projetou seu nome nacionalmente.
- Artilheiros: Lautaro Martínez (Racing Club) e S. Ribas (Patronato) — 13 gols cada; F. Soldano (Union Santa Fe) — 11 gols; F. Márquez (Defensa y Justicia) — 10 gols; I. Pussetto (Huracán) — 9 gols.
- Assistências: C. Pavón (Boca Juniors) liderou com folga: 11 passes para gol em 26 jogos. M. Vargas (Vélez Sarsfield) veio em segundo com 10 assistências. L. Gamba (Union Santa Fe) e B. Alemán (Gimnasia LP) dividiram o terceiro posto com 7 cada, seguidos por P. Mouche (Banfield), também com 7.
- Cartões amarelos: P. Pérez (Boca Juniors) foi o mais advertido do campeonato, com 12 cartões amarelos em 19 jogos — uma média de 0,63 por partida. P. Díaz (San Lorenzo), E. Pérez (River Plate), G. Ortiz (Colón Santa Fe) e C. Lema (Belgrano Córdoba) dividiram o segundo lugar com 10 amarelos cada.
- Cartões vermelhos: F. Tobio (Rosario Central) e B. Cufré (Vélez Sarsfield) lideraram com 2 expulsões cada. Cufré acumulou esse número em apenas 14 jogos. Mauricio Leonel Martínez, também do Rosario Central, foi outro a ser expulso duas vezes na temporada.
Números e Curiosidades da Temporada
A Primera División argentina de 2017 gerou uma série de dados que merecem destaque:
- O Boca Juniors foi simultaneamente o melhor ataque (29 gols marcados) e a melhor defesa (6 gols sofridos) — uma combinação rara que demonstra domínio absoluto em ambos os lados do campo.
- O saldo de gols do campeão (+23) foi exatamente 10 gols superior ao do vice-campeão Talleres (+13), traduzindo em números a larga vantagem qualitativa do título.
- O Defensa y Justicia, 14º colocado com 25 gols marcados, foi o time com maior produção ofensiva entre os que ficaram fora do G4 — mas seus 23 gols sofridos revelaram a fragilidade defensiva que impediu uma classificação mais alta.
- Lanus terminou na 21ª posição com apenas 12 gols marcados, mas sofreu 25 — o pior saldo ofensivo entre os times que não foram rebaixados.
- A média de 2,17 gols por jogo ao longo de 209 partidas indica uma temporada com nível técnico razoável, mas sem excessos produtivos — o futebol argentino de 2017 foi disputado mais pelo ponto do que pelo espetáculo.
- River Plate terminou apenas na 19ª posição, com 18 pontos, 5 vitórias e 7 derrotas — desempenho incomum para um dos clubes mais tradicionais do país. A defesa millionária cedeu 20 gols, contra apenas 18 marcados, fechando a campanha com saldo negativo de -2.
- O Chacarita Juniors, com 12 pontos e saldo de -5, escapou do rebaixamento por ter melhor aproveitamento que o Tigre (mesmo número de pontos), evidenciando como pequenos detalhes definiram destinos naquele torneio.
A temporada 2017 da Primera División argentina ficará registrada, acima de tudo, como a do domínio quase absoluto do Boca Juniors: sete pontos de vantagem, o melhor ataque, a melhor defesa e um saldo de gols que não teve nem sombra de rival. Em torno do campeão, uma liga competitiva no meio e dramática nas extremidades — com times rebaixados que combinaram fragilidade defensiva e esterilidade ofensiva de formas distintas, mas com o mesmo resultado: o descenso.






































































