A Copa América 2021 entrou para a história muito antes de sua bola rolar. Gestada em plena pandemia de COVID-19, adiada de 2020 para 2021 (Wikipédia), disputada num Brasil que se tornou sede de último momento após a desistência da Colômbia e da Argentina (Wikipédia), a edição ficará marcada sobretudo pelo seu desfecho: a Argentina encerrou um jejum de 28 anos e ergueu seu 15º título continental (Wikipédia), derrotando o Brasil no palco mais simbólico possível — o Maracanã.
Contexto: uma Copa sob a sombra da pandemia
A edição deveria ter acontecido em 2020, com sede compartilhada entre Argentina e Colômbia. A pandemia de COVID-19 forçou o adiamento de um ano (Wikipédia). Em maio de 2021, a Colômbia desistiu da organização em razão dos protestos contra o governo do presidente Iván Duque Márquez; dias depois, a Argentina também abriu mão por conta das restrições sanitárias vigentes no país (Wikipédia). Brasil foi anunciado como sede substituta em 31 de maio de 2021 (Wikipédia), com pouco mais de duas semanas para o início da competição. Foi também a primeira edição realizada sem equipes convidadas de outras confederações desde 1991 (Wikipédia), conferindo à disputa um caráter estritamente sul-americano.
O campeão e a final
A Argentina chegou à final como a seleção mais consistente da fase de grupos, terminando o Grupo A na liderança com dez pontos em quatro jogos — três vitórias e um empate, com saldo de gols de +5. No mata-mata, a equipe comandada por Lionel Scaloni seguiu avançando até a grande decisão diante do Brasil, no Estádio do Maracanã, em Rio de Janeiro (Wikipédia).
A final terminou com vitória argentina por 1 a 0 (Wikipédia). O resultado não apenas entregou o troféu à Albiceleste, como inscreveu uma marca dolorosa na história anfitriã: foi a primeira vez que a Seleção Brasileira foi derrotada em casa numa decisão da Copa América (Wikipédia). Para a Argentina, significou o fim de um longo jejum — o primeiro título continental desde 1993, quando a mesma Copa América foi conquistada (Wikipédia).
O prêmio de melhor jogador do torneio foi para Lionel Messi, e o troféu de melhor goleiro ficou com Emiliano Martínez (Wikipédia), peça fundamental na campanha argentina.
As campanhas de destaque
Além da campeã Argentina, outros times protagonizaram trajetórias relevantes ao longo do torneio:
- Brasil foi vice-campeão e chegou à final como o time de melhor desempenho ofensivo da fase de grupos — dez gols marcados e apenas dois sofridos, saldo de +8. Os comandados de Tite venceram três jogos e empataram um no Grupo B.
- Peru avançou como segundo colocado do Grupo B com sete pontos e manteve campanha sólida ao longo do torneio, com jogadores como G. Lapadula e Y. Yotún entre os destaques individuais.
- Uruguai foi o segundo colocado do Grupo A com sete pontos — duas vitórias, um empate e uma derrota — e saldo positivo de +2.
- Colômbia terminou em terceiro lugar no Grupo B com quatro pontos, mas mesmo assim avançou no formato da competição, exibindo irregularidade: uma vitória, um empate e duas derrotas na fase de grupos.
A fase de grupos em números
O torneio foi dividido em dois grupos de cinco seleções. O Grupo A teve Argentina e Uruguai como os dois primeiros classificados; o Grupo B foi encabeçado por Brasil e Peru.
Grupo A — classificação final:
- 1º Argentina — 10 pts | 4J | 3V 1E 0D | GP 7, GC 2, SG +5
- 2º Uruguai — 7 pts | 4J | 2V 1E 1D | GP 4, GC 2, SG +2
- 3º Paraguai — 6 pts | 4J | 2V 0E 2D | GP 5, GC 3, SG +2
- 4º Chile — 5 pts | 4J | 1V 2E 1D | GP 3, GC 4, SG -1
- 5º Bolívia — 0 pts | 4J | 0V 0E 4D | GP 2, GC 10, SG -8
Grupo B — classificação final:
- 1º Brasil — 10 pts | 4J | 3V 1E 0D | GP 10, GC 2, SG +8
- 2º Peru — 7 pts | 4J | 2V 1E 1D | GP 5, GC 7, SG -2
- 3º Colômbia — 4 pts | 4J | 1V 1E 2D | GP 3, GC 4, SG -1
- 4º Equador — 3 pts | 4J | 0V 3E 1D | GP 5, GC 6, SG -1
- 5º Venezuela — 2 pts | 4J | 0V 2E 2D | GP 2, GC 6, SG -4
No Grupo A, a Bolívia encerrou a fase sem pontuar e com saldo de -8, maior déficit de toda a competição. A Argentina foi a única equipe do grupo a não sofrer derrota. No Grupo B, o Brasil destacou-se com folga: marcou dez gols em quatro jogos, aproveitamento de 83,3%, e registrou a maior goleada da Copa América 2021 — 4 a 0 sobre o Peru, em 17 de junho de 2021 (Wikipédia). O Equador passou todos os quatro jogos sem vencer, acumulando três empates e uma derrota. A Venezuela somou apenas dois pontos sem vencer nenhuma partida.
Artilharia e destaques individuais
A artilharia da Copa América 2021 foi compartilhada por três jogadores com quatro gols cada (Wikipédia):
- L. Messi (Argentina) — 4 gols em 7 jogos, sem cartões. Eleito melhor jogador do torneio (Wikipédia), Messi percorreu toda a campanha argentina sem advertências disciplinares, combinando eficiência ofensiva com liderança na conquista do título.
- L. Díaz (Colômbia) — 4 gols em 5 jogos. O colombiano foi um dos jogadores mais desequilibrantes do torneio, mas encerrou sua participação com um cartão vermelho — penalidade que não apagou o brilho de uma campanha individual notável.
- G. Lapadula (Peru) — 3 gols em 7 jogos, sem cartões. Disputou todas as sete partidas possíveis e foi o jogador mais regular do Peru ao longo de toda a competição.
Logo atrás, Lautaro Martínez (Argentina) somou 3 gols em 6 jogos, consolidando a dupla de ataque argentina como a mais produtiva do torneio. Y. Yotún (Peru) completou o top 5 com dois gols em sete jogos, sendo o peruano de maior presença na competição ao lado de Lapadula e C. Cueva.
No quesito assistências, C. Cueva (Peru) foi o líder absoluto com dois passes para gol em sete jogos — a maior marca individual no setor. Fred (Brasil) e E. Valencia (Equador) completaram o pódio com uma assistência cada.
Disciplina: amarelos e vermelhos
A Copa América 2021 apresentou um cenário disciplinar relativamente controlado, mas com alguns jogadores acumulando advertências relevantes. Quatro atletas terminaram com três cartões amarelos cada:
- A. Carrillo (Peru) — 3 amarelos e 6 jogos disputados
- W. Barrios (Colômbia) — 3 amarelos em 7 jogos
- G. Lo Celso (Argentina) — 3 amarelos em 6 jogos
- J. Cuadrado (Colômbia) — 3 amarelos em 6 jogos, além de 1 gol marcado
Nos cartões vermelhos, três jogadores foram expulsos ao longo do torneio: P. Hincapié (Equador), Gabriel Jesus (Brasil) e L. Díaz (Colômbia). Destaque para Díaz, que combinou a artilharia dividida — quatro gols — com a expulsão, tornando-se o único artilheiro do torneio a ser desclassificado disciplinarmente. Gabriel Jesus (Brasil) foi expulso em quatro jogos disputados, o que limitou sua participação na reta final da campanha brasileira.
Números e curiosidades
- A Copa América 2021 foi a segunda edição consecutiva sediada pelo Brasil (Wikipédia), algo inédito na história da competição.
- Foi a primeira Copa América sem convidados de outras confederações desde 1991 (Wikipédia), disputada exclusivamente pelas dez seleções sul-americanas afiliadas à Conmebol.
- A Argentina encerrou 28 anos sem título continental, conquistando sua 15ª Copa América (Wikipédia).
- O Brasil terminou o Grupo B com dez gols marcados e apenas dois sofridos — o melhor ataque e a melhor defesa da fase de grupos entre todas as dez seleções participantes.
- A Bolívia encerrou a fase de grupos com saldo de -8, sofreu dez gols e não pontuou — pior campanha absoluta do torneio na etapa inicial.
- Messi disputou sete jogos sem receber nenhum cartão, combinando presença máxima e disciplina exemplar com a artilharia dividida e o prêmio de melhor jogador (Wikipédia).
- A partir desta edição, a Copa América passou a ser realizada em anos pares, em paralelo ao Campeonato Europeu de Futebol (Wikipédia).
A Copa América 2021 ficará na memória como uma edição de circunstâncias excepcionais que gerou um desfecho de enorme significado histórico. Organizada às pressas, disputada sem público expressivo em função das condições sanitárias e marcada por incertezas logísticas até o último momento, a competição entregou um campeão que esperou quase três décadas para voltar ao topo do continente. A Argentina de Messi encerrou o ciclo da espera; o Maracanã, palco do fracasso histórico brasileiro de 1950, voltou a guardar uma memória amarga para a seleção da casa.































































