A Copa América Centenário 2016 entrou para a história antes mesmo de sua abertura: realizada nos Estados Unidos entre 3 e 26 de junho, foi a primeira edição do torneio continental sul-americano disputada fora da América do Sul e a primeira a reunir 16 seleções, unindo as dez federadas à CONMEBOL e seis da CONCACAF (Wikipédia). O palco inédito, contudo, não alterou o desfecho — o Chile confirmou sua hegemonia continental ao conquistar o segundo título consecutivo, mais uma vez às custas da Argentina e mais uma vez nos pênaltis.
O Campeão e a Final
A decisão, disputada em 26 de junho, foi a reedição exata da final de 2015: Chile e Argentina. O placar permaneceu em 0 a 0 após os noventa minutos regulamentares e a prorrogação, e a definição foi novamente nas cobranças de penalidade. Os chilenos venceram por 4 a 2 nos pênaltis e levantaram a taça pela segunda vez em dois anos — feito inédito para uma seleção que, até 2015, nunca havia conquistado o torneio (Wikipédia).
A Argentina chegou à final com a melhor campanha da fase de grupos — nove pontos, três vitórias em três jogos, dez gols marcados e apenas um sofrido — e tinha em Lionel Messi e Gonzalo Higuaín seus dois maiores goleadores do torneio. A incapacidade de converter o domínio em gols na decisão custou ao país a taça pela segunda vez consecutiva no mesmo confronto. Para os argentinos, a frustração foi ampliada pelo contexto: Messi encerrou o torneio como artilheiro da seleção alviceleste, com cinco gols e quatro assistências em cinco jogos.
O caminho chileno ao título incluiu uma das maiores goleadas já registradas no torneio: a vitória por 7 a 0 sobre o México nas quartas de final, considerada a maior goleada da competição (Wikipédia). Do outro lado do mata-mata, Argentina eliminou progressivamente seus adversários com folga, mas esbarrou no bloqueio chileno quando o título estava mais próximo.
Destaques e Seleções de Maior Campanha
O Chile foi, sem dúvida, a seleção mais completa da competição. Além do título, dominou as premiações individuais: Alexis Sánchez foi eleito o melhor jogador do torneio e Claudio Bravo levou o prêmio de melhor goleiro (Wikipédia). Nos números, a equipe comandada por Juan Antonio Pizzi marcou sete gols apenas na goleada sobre o México, terminando com o ataque mais prolífico entre as equipes que disputaram o mata-mata.
A Argentina foi a seleção de melhor desempenho na fase de grupos, com aproveitamento de 100% — três vitórias, dez gols marcados e apenas um sofrido. O saldo de gols de +9 foi o melhor de todos os participantes. Messi encerrou o torneio com o maior número de assistências: quatro, ante o segundo colocado (Alexis Sánchez, com duas). A combinação de gols e assistências fez do camisa 10 argentino o jogador mais participativo na criação de oportunidades de todo o certame.
Entre as surpresas, Venezuela e Peru tiveram campanhas sólidas na fase de grupos. A Venezuela terminou com sete pontos em seu grupo — mesmo número do Peru — e ambas avançaram ao mata-mata com desempenho acima do esperado, considerando o histórico recente das duas seleções na competição. O Equador, por sua vez, foi eliminado com cinco pontos, mas se notabilizou pela contribuição ofensiva de E. Valencia, que somou dois gols e duas assistências em apenas quatro jogos.
A Fase de Grupos
Com 16 seleções divididas em quatro grupos de quatro equipes, a fase de grupos da Copa América Centenário revelou um torneio bastante competitivo, com poucos jogos unilaterais entre os cabeças de chave e os representantes da CONCACAF.
- Argentina foi soberana em seu grupo: 9 pontos, 3V-0E-0D, saldo de gols +9. Atacou com eficiência raramente vista na fase classificatória do torneio.
- México liderou seu grupo com 7 pontos (2V-1E-0D), saldo +4, antes de sofrer o revés histórico de 7 a 0 para o Chile nas quartas de final.
- Peru avançou com 7 pontos (2V-1E-0D), saldo +2, mostrando consistência defensiva — apenas dois gols sofridos em três jogos.
- Venezuela foi outra que terminou a fase de grupos com 7 pontos (2V-1E-0D), e o melhor aproveitamento defensivo entre os classificados com menos tradição: apenas um gol sofrido.
- Chile avançou com 6 pontos, mesmo sofrendo uma derrota — o que evidencia que a campanha na fase de grupos não antecipou o domínio que viria no mata-mata.
- Colômbia também somou 6 pontos (2V-0E-1D), com saldo positivo de +2.
- USA, anfitriã, avançou com 6 pontos em seu grupo, na segunda colocação, aproveitando o fator local para se classificar ao mata-mata.
- Ecuador foi o oitavo classificado, com 5 pontos (1V-2E-0D) e saldo de +4 — uma das mais eficientes no ataque entre os eliminados na sequência.
Entre os eliminados na fase de grupos, Haiti foi a lanterna absoluta do torneio: zero pontos, zero vitórias, apenas um gol marcado e doze sofridos em três partidas — um saldo de -11. Jamaica e Bolívia também encerraram a fase sem pontuação, com três derrotas cada. Paraguai somou apenas um ponto (um empate, duas derrotas), com o pior ataque entre os sul-americanos presentes: apenas um gol marcado.
O Brasil, por sua vez, viveu fase de grupos aquém do esperado: 4 pontos (1V-1E-1D), terminando em terceiro lugar em seu grupo. Com sete gols marcados e apenas dois sofridos, o saldo era positivo (+5), mas os tropeços impediram uma classificação mais tranquila — e a campanha irregular foi um presságio de eliminação precoce no mata-mata.
Artilharia e Destaques Individuais
Eduardo Vargas foi o artilheiro da Copa América Centenário com seis gols em seis jogos — média de um por partida, ao longo de toda a campanha do Chile até o título (Wikipédia). O atacante foi peça fundamental no ciclo vitorioso da seleção chilena, e sua eficiência contrasta com o fato de não ter recebido nenhum cartão amarelo sequer durante o torneio: seis jogos, seis gols, comportamento disciplinar impecável.
Lionel Messi terminou na segunda posição da artilharia, com cinco gols, mas em apenas cinco jogos — aproveitamento por partida superior ao de qualquer outro jogador entre os cinco primeiros colocados. Acrescentando suas quatro assistências, o argentino somou participação direta em nove dos dez gols da Argentina na fase de grupos — uma dominância estatística raramente vista em grandes torneios.
Gonzalo Higuaín foi o terceiro maior artilheiro, com quatro gols em seis jogos. A dupla Messi-Higuaín respondeu, juntos, por nove gols — o que revela o quanto o ataque argentino dependia dessencialmente de seus dois principais nomes.
Alexis Sánchez completou o quarteto de destaque com três gols e duas assistências, além do prêmio de melhor jogador do torneio (Wikipédia). Junto a Vargas, formou o ataque mais letal da competição. Clint Dempsey, representando os Estados Unidos, igualou Sánchez na artilharia com três gols em seis jogos — o melhor desempenho entre os jogadores da CONCACAF.
Na liderança de assistências, Messi foi isolado com quatro passes para gol, seguido por Alexis Sánchez e Arturo Vidal (Chile), E. Valencia (Equador) e Paolo Guerrero (Peru), todos com duas assistências. Vidal, em particular, foi figura de dupla contribuição: dois gols e dois passes para gol, além de três cartões amarelos em cinco jogos — o mesmo número que Jean André Beausejour e A. Figuera (Venezuela).
Números e Curiosidades
- A Copa América Centenário registrou 91 gols em 32 jogos, média de 2,84 por partida — torneio de alto rendimento ofensivo (Wikipédia).
- O público total foi de 1.483.855 espectadores ao longo de toda a competição, reflexo da realização nos Estados Unidos (Wikipédia).
- Foi a primeira vez desde 1952 que a competição reuniu seleções da CONMEBOL e da CONCACAF em um mesmo torneio oficial (Wikipédia).
- O Chile tornou-se o primeiro bicampeão consecutivo da Copa América desde a Argentina, nos anos 1940, ao vencer os títulos de 2015 e 2016 (Wikipédia).
- A goleada de Chile 7 x 0 México nas quartas de final foi o maior placar registrado na competição (Wikipédia).
- A Argentina teve o ataque mais eficiente da fase de grupos — dez gols em três jogos —, enquanto o Haiti sofreu o maior volume defensivo, com doze gols concedidos.
- Jermaine Jones, dos Estados Unidos, foi o único jogador listado nos dados a acumular cartão vermelho de forma inequívoca ao longo do torneio, com dois amarelos e um vermelho em cinco jogos.
- O Equador foi a única equipe eliminada ainda na fase de grupos que terminou invicta — um empate e dois empates, sem nenhuma derrota —, com saldo de gols positivo (+4).
- Venezuela e Peru encerram a fase de grupos com a mesma pontuação (7), o mesmo número de vitórias (2) e o mesmo saldo de gols (+2), evidenciando um grupo de alto equilíbrio.
A Copa América Centenário 2016 ficará marcada pela confirmação de uma geração chilena excepcionalmente competitiva, pela recorrente frustração argentina nos momentos decisivos e pela envergadura de um torneio que, ao expandir fronteiras geográficas e ampliar o número de participantes, entregou ao mundo do futebol noventa e um gols, recordes históricos e uma final digna de encerrar um centenário com autoridade.





























































