O Chile escreveu história na Copa América de 2015, disputada em solo chileno entre 11 de junho e 4 de julho (Wikipédia). Diante de sua torcida, a seleção anfitriã conquistou o título inédito da competição, encerrando uma longa espera que marcava a história do futebol sul-americano. A Argentina chegou à final, mas saiu sem a taça. Doze seleções — dez membros da CONMEBOL e os convidados México e Jamaica (Wikipédia) — disputaram o torneio em formato de três grupos e mata-mata, com a fase de grupos servindo de vitrine para o que viria a seguir.
O Campeão e o Caminho até o Título
O Chile não apenas ganhou o título pela primeira vez em sua história (Wikipédia), como o fez de maneira dominante e consistente ao longo de toda a competição. Na fase de grupos, a seleção da casa liderou o Grupo A com sete pontos em três jogos — duas vitórias e um empate —, ostentando o melhor ataque de toda a fase de grupos com dez gols marcados e apenas três sofridos, um saldo de gols de +7 que não deixava dúvidas sobre a superioridade ofensiva da equipe. A goleada sobre a Bolívia por 5 a 0, em 19 de junho no Estádio Nacional de Santiago (Wikipédia), foi a maior do torneio e traduz bem o poder de fogo chileno naquela campanha.
A Argentina, por sua vez, também demonstrou solidez na fase de grupos, igualando o Chile em sete pontos no Grupo A, com o mesmo número de vitórias e empates. Sua campanha no mata-mata levou-a à decisão, onde encontrou justamente o anfitrião. A final consagrou o Chile como campeão continental pela primeira vez (Wikipédia), garantindo também a vaga da seleção na Copa das Confederações FIFA de 2017 (Wikipédia).
A Final e o Vice-Campeão
Argentina e Chile se reencontraram na final depois de já terem se cruzado na fase de grupos — um encontro que certamente acrescentou tensão ao mata-mata. A Argentina, que ao longo do torneio contou com nomes de peso como S. Agüero — terceiro maior artilheiro da competição, com três gols em cinco partidas —, não conseguiu superar os chilenos no momento decisivo. O título chileno foi o desfecho de uma campanha coletiva coesa, sustentada por um ataque produtivo e por uma defesa capaz de limitar os adversários.
Destaques da Campanha: Peru e a Surpresa Paraguaia
Fora do duelo entre finalistas, duas seleções merecem menção especial pela consistência apresentada. O Peru terminou na terceira colocação e ainda foi laureado com o prêmio Fair Play (Wikipédia), um reconhecimento que vai além do campo e reflete o comportamento da delegação durante toda a competição. Na fase de grupos, o Peru somou quatro pontos com uma vitória, um empate e uma derrota, marcando dois gols e sofrendo dois, com saldo zerado — números modestos, mas suficientes para avançar e, depois, chegar ao terceiro lugar.
O Paraguai também chamou atenção ao passar pela fase de grupos com cinco pontos, sendo a única seleção no grupo a não sofrer derrota em três jogos (uma vitória e dois empates). Sua trajetória no mata-mata, no entanto, foi interrompida com uma das maiores goleadas do torneio: a Argentina aplicou 6 a 1 no Paraguai em 30 de junho, no Estádio Municipal de Concepción (Wikipédia), eliminando os paraguaios de forma contundente.
A Fase de Grupos: Equilíbrio e Surpresas
A Copa América 2015 utilizou um formato com três grupos de quatro equipes cada, totalizando doze participantes. O Grupo A reuniu Chile, Argentina e Brasil entre os líderes de suas chaves, com os três somando respectivamente sete, sete e seis pontos — um bloco de alto nível que concentrou as seleções mais cotadas. O Brasil, apesar dos seis pontos (duas vitórias e uma derrota), ficou fora do trio que somou sete, evidenciando a densidade do grupo.
Nos demais grupos, o equilíbrio foi notável. Uruguai, Colômbia e Peru avançaram com quatro pontos cada, enquanto Equador, Venezuela e México foram eliminados. A Jamaica encerrou sua participação com três derrotas em três jogos e saldo de -3, confirmando a distância técnica dos convidados da CONCACAF em relação ao restante do campo. O México, outro convidado, somou apenas dois pontos em três partidas sem nenhuma vitória.
Uma ausência notável na competição foi a de Luis Suárez, suspenso para todo o torneio pela FIFA em razão de punição aplicada ainda durante a Copa do Mundo de 2014 (Wikipédia). O Uruguai, privado de seu atacante mais influente, terminou a fase de grupos com quatro pontos, mas foi eliminado antes das semifinais.
A Colômbia merece destaque defensivo: foi a equipe com menos gols sofridos na fase de grupos, com apenas um gol cedido em três partidas (Wikipédia). Apesar disso, a seleção colombiana também marcou somente um gol — o que resultou em um saldo zerado e uma campanha ofensiva tímida, insuficiente para ir além do mata-mata.
Artilharia e Destaques Individuais
A artilharia da Copa América 2015 foi dividida entre dois jogadores que encerraram o torneio com quatro gols cada: Eduardo Vargas, do Chile, e Paolo Guerrero, do Peru. Ambos disputaram seis partidas, o número máximo possível para quem chegou às semifinais ou além, e nenhum dos dois recebeu cartão vermelho ao longo do torneio — Guerrero acumulou um amarelo, Vargas ficou sem nenhuma advertência.
O fato de o artilheiro compartilhado pertencer a duas seleções de trajetórias distintas — o campeão Chile e o terceiro colocado Peru — sublinha o equilíbrio individual da competição. Vargas, como peça central do ataque campeão, contribuiu diretamente para o título chileno, enquanto Guerrero liderou o ataque peruano com eficiência comparável.
Na terceira posição da artilharia, três jogadores empataram com três gols: Arturo Vidal (Chile), Sergio Agüero (Argentina) e Lucas Barrios (Paraguai). Vidal, que disputou todos os seis jogos do Chile, acumulou ainda um cartão amarelo e reforçou a imagem de um torneio no qual os chilenos tiveram contribuição coletiva para o ataque — afinal, dois dos três maiores artilheiros eram da mesma seleção. Agüero fez seus três gols em apenas cinco jogos, mantendo uma média elevada, enquanto Barrios alcançou a mesma marca em apenas quatro partidas, a mais baixa carga de jogos entre os cinco primeiros colocados.
No quesito individual fora de campo, o goleiro Claudio Bravo, do Chile, foi eleito o melhor goleiro do torneio (Wikipédia), contribuindo para uma defesa que cedeu apenas três gols na fase de grupos e segurou os adversários ao longo do mata-mata. A revelação da competição foi Jeison Murillo (Wikipédia), outro nome a emergir do torneio com destaque entre os jovens da competição.
Números, Cartões e Curiosidades
O comportamento disciplinar da Copa América 2015 trouxe algumas marcas dignas de registro. No ranking de cartões amarelos, três jogadores terminaram o torneio com três advertências cada: Javier Mascherano e Marcos Rojo, ambos da Argentina, e R. Ortiz, do Paraguai. A Argentina, finalista, foi a seleção com mais jogadores no topo das advertências amarelas — um indicativo do perfil físico e combativo da equipe ao longo das seis partidas disputadas.
O caso mais emblemático entre os cartões vermelhos foi o de Neymar, expulso durante sua participação pelo Brasil. O jogador recebeu dois cartões amarelos e um vermelho em apenas duas partidas disputadas — a menor carga de jogos entre todos os relacionados nos rankings individuais. Com um gol marcado nessas duas partidas, Neymar deixou o torneio de forma precoce e conturbada, privando o Brasil de seu principal nome ofensivo no mata-mata.
Carlos Zambrano, do Peru, e o venezuelano Fernando Gabriel Amorebieta Mardaras também foram expulsos durante a competição, assim como Carlos Bacca, da Colômbia, que levou vermelho direto em duas partidas disputadas.
- Melhor ataque da fase de grupos: Chile, com 10 gols marcados (Wikipédia)
- Melhor defesa da fase de grupos: Colômbia, com apenas 1 gol sofrido (Wikipédia)
- Maior goleada: Chile 5 a 0 Bolívia, em 19 de junho, Estádio Nacional, Santiago (Wikipédia)
- Segunda maior goleada: Argentina 6 a 1 Paraguai, em 30 de junho, Estádio Municipal, Concepción (Wikipédia)
- Artilheiros: E. Vargas (Chile) e P. Guerrero (Peru), com 4 gols cada
- Melhor goleiro: Claudio Bravo (Wikipédia)
- Revelação: Jeison Murillo (Wikipédia)
- Prêmio Fair Play: Peru (Wikipédia)
- Jogador com mais cartões amarelos: J. Mascherano e M. Rojo (Argentina) e R. Ortiz (Paraguai), com 3 cada
- Única seleção sem pontuação na fase de grupos: Jamaica, com 0 pontos em 3 jogos
A Copa América 2015 ficará registrada como a edição do título histórico chileno — o primeiro da história da seleção (Wikipédia) —, conquistado em casa, diante da Argentina, com um futebol coletivo que sustentou o melhor ataque da fase de grupos e carregou dois dos principais artilheiros do torneio. Para além do campeão, a competição revelou talentos, registrou goleadas marcantes e confirmou o nível elevado do futebol sul-americano em seu principal palco continental.



























































