A primeira edição da UEFA Conference League encerrou um ciclo histórico para o futebol europeu: pela primeira vez desde a temporada 1998–99, três grandes competições continentais de clubes organizadas pela UEFA funcionaram simultaneamente (Wikipédia). A nova competição, criada para ampliar o acesso de federações menores ao futebol europeu de elite, reuniu 183 equipes de 54 das 55 federações filiadas à UEFA (Wikipédia) e entregou, ao fim de uma jornada longa e tecnicamente variada, um título que marcará a história do clube romano para sempre.
Visão Geral da Competição
Criada como o terceiro nível do calendário europeu de clubes da UEFA, a Conference League nasce com vocação explícita de democratização. Ao incorporar equipes de ligas menores que jamais competiriam em Champions League ou Europa League, o torneio trouxe representantes de federações do Atlântico ao Cáucaso — do Lincoln Red Imps de Gibraltar ao Qarabag do Azerbaijão, passando pelo Alashkert da Armênia e pelo Flora Tallinn da Estônia. Ao todo, oito grupos de quatro times cada compuseram a fase classificatória, antes de o mata-mata selecionar os protagonistas da caminhada até Tirana.
O Campeão e a Final
A AS Roma sagrou-se campeã da UEFA Conference League 2021–22, derrotando o Feyenoord Rotterdam por 1 a 0 na Arena Kombëtare, em Tirana, Albânia, no dia 25 de maio de 2022 (Wikipédia). O título foi o primeiro troféu europeu da história do clube italiano, conquistado sob o comando técnico de José Mourinho, e garantiu à Roma classificação automática para a fase de grupos da UEFA Europa League de 2022–23 (Wikipédia).
O adversário na final, o Feyenoord, foi o clube holandês que mais longe chegou na competição entre as equipes de países com tradição europeia média, sustentado por uma dupla de ataque que dominou os rankings individuais da temporada. A decisão em Tirana consagrou a Roma como protagonista de uma edição inaugural que ficará registrada nos livros do futebol continental.
Destaques e Clubes de Maior Campanha
Além de Roma e Feyenoord, outros clubes chamaram atenção pela consistência ao longo da competição:
- FC Basel 1893 — O clube suíço foi o mais sólido na fase de grupos, encerrando a etapa invicto (4V, 2E, 0D) com 14 pontos e saldo de gols de +8. Foi também a casa do artilheiro individual da competição, Arthur Cabral.
- Feyenoord — Terminou a fase de grupos com 14 pontos, igualmente invicto, e avançou até a final. Seus dois principais atacantes, Sinisterra e Dessers, figuraram entre os três maiores goleadores do torneio.
- AS Roma — Terminou a fase de grupos na liderança do Grupo C com 13 pontos, mas com o ataque mais prolífico de toda a fase de grupos: 18 gols marcados em seis jogos.
- FC Copenhagen — Liderou o Grupo F com campanha impressionante: 5 vitórias, 0 empates, 1 derrota e 15 gols marcados com apenas 5 sofridos, somando 15 pontos — o maior total individual entre todos os líderes de grupo.
- Bodo/Glimt — O clube norueguês encerrou a fase de grupos invicto (3V, 3E, 0D) com saldo de gols de +9, em segundo lugar no Grupo C, notabilizando-se como uma das revelações da edição inaugural.
- Rennes — O clube francês também terminou a fase de grupos invicto (4V, 2E, 0D) com 14 pontos, marcando 13 gols e sofrendo apenas 7 no Grupo G.
A Fase de Grupos
A fase de grupos revelou contrastes marcantes de desempenho. De um lado, times que dominaram suas chaves com autoridade; de outro, clubes que não conseguiram vencer sequer uma partida.
O Grupo A foi o mais desequilibrado em termos defensivos: o LASK Linz austríaco encerrou a fase com aproveitamento de 88,9% (16 pontos em 18 possíveis), cinco vitórias e apenas um gol sofrido em seis jogos — a defesa mais sólida de toda a fase de grupos. O Alashkert, da Armênia, somou somente 1 ponto e sofreu 15 gols.
O Grupo C foi o mais equilibrado no topo, com apenas 1 ponto separando Roma (13) e Bodo/Glimt (12). A diferença de saldo de gols, porém, foi expressiva: o clube norueguês registrou +9 contra +7 dos romanos. Ambos os times marcaram ao menos 14 gols na fase, tornando a chave a mais produtiva da etapa.
O Grupo F teve o maior contraste da competição: o FC Copenhagen acumulou 15 pontos e 15 gols marcados, enquanto o Lincoln Red Imps terminou com zero pontos, zero vitórias, zero empates e saldo de –15 — o pior desempenho registrado em toda a fase de grupos.
O Grupo G ficou marcado pela presença do Tottenham Hotspur, um dos clubes de maior torcida na história da competição. Os ingleses terminaram em terceiro lugar com apenas 7 pontos (2V, 1E, 3D), ficando atrás do Rennes e do Vitesse na classificação.
Nos demais grupos, o AZ Alkmaar (Grupo D) foi o único líder a terminar a fase invicto além de Roma, Basel, Feyenoord, Rennes e Copenhagen, com 14 pontos e saldo de +5. O Gent (Grupo B) e a AS Roma (Grupo C) confirmaram o favoritismo sem maiores sustos.
Artilharia e Destaques Individuais
A disputa pela artilharia foi um dos capítulos mais interessantes da temporada inaugural. O brasileiro Arthur Cabral, do FC Basel 1893, terminou como o maior goleador da edição com 13 gols em 12 jogos — uma média superior a um gol por partida. O desempenho foi notável também pela disciplina: apenas 1 cartão amarelo e nenhum vermelho ao longo da campanha.
Em segundo lugar ficou o colombiano Luis Sinisterra, do Feyenoord, com 11 gols e 4 assistências em 18 jogos. Sinisterra foi também o líder no ranking de assistências, dividindo a posição de topo com Pep Biel, do FC Copenhagen, que registrou 7 gols e 4 assistências em 14 partidas.
O compatriota de Sinisterra no Feyenoord, Cyriel Dessers, marcou 10 gols em 13 jogos e foi reconhecido como artilheiro oficial da competição segundo os registros da Wikipédia (Wikipédia) — diferença que pode refletir os critérios adotados pela UEFA para cômputo em fases distintas do torneio. Dessers contribuiu ainda com 1 assistência, mantendo apenas 2 cartões amarelos sem nenhuma expulsão.
O inglês Tammy Abraham, da AS Roma, aparece na quarta posição entre os artilheiros com 9 gols em 13 jogos — desempenho que ajudou a sustentar o ataque mais produtivo da fase de grupos. O italiano Nicolò Zaniolo, também da Roma, foi um dos destaques no ranking combinado: 5 gols e 4 assistências em apenas 10 jogos.
Números e Curiosidades
- A Conference League 2021–22 foi a primeira edição da história da competição (Wikipédia), inaugurando o terceiro nível do futebol de clubes organizado pela UEFA.
- O torneio reuniu 183 equipes de 54 federações, tornando-se a competição de clubes com maior abrangência geográfica da UEFA até então (Wikipédia).
- A final em Tirana foi historicamente significativa: foi a primeira vez que a capital albanesa sediou uma grande decisão europeia (Wikipédia).
- O FC Copenhagen foi o líder de grupo com maior pontuação da fase: 15 pontos em 18 possíveis, com aproveitamento de 83,3% e saldo de gols de +10.
- O LASK Linz registrou a defesa mais eficiente da fase de grupos: apenas 1 gol sofrido em 6 jogos.
- O Lincoln Red Imps, de Gibraltar, encerrou a fase de grupos com zero pontos e saldo de –15, o pior desempenho da etapa.
- O Feyenoord foi o clube com o maior número de jogos disputados por jogadores individuais: Sinisterra participou de 18 partidas, o maior número entre todos os jogadores listados nos rankings individuais.
- Três jogadores acumularam 6 cartões amarelos cada — o goleiro I. Vujačić (FK Partizan), J. Kurtič (PAOK) e G. Mancini (AS Roma) —, liderando o ranking disciplinar sem nenhuma expulsão direta.
- Arthur Cabral alcançou seus 13 gols em apenas 12 jogos, a melhor relação gols-por-jogo entre os cinco maiores artilheiros da competição.
- A AS Roma marcou 18 gols na fase de grupos — o maior volume ofensivo de qualquer equipe nessa etapa —, apesar de ter sofrido 11, o segundo maior número entre os líderes de grupo.
A edição inaugural da UEFA Conference League cumpriu sua promessa de democratizar o futebol europeu ao mesmo tempo em que entregou um campeão à altura da expectativa gerada. A AS Roma levantou o troféu em Tirana, escreveu o primeiro capítulo de uma competição que chegou para ficar, e presenteou seus torcedores com o primeiro título europeu da história do clube — um desfecho que dificilmente será esquecido.




































































































































































































































