A Eurocopa de 2016, disputada em solo francês, ficou marcada por uma reviravolta histórica: Portugal, que sequer venceu uma partida na fase de grupos, ergueu o troféu de campeão europeu pela primeira vez em sua história (Wikipédia). Com 24 seleções competindo pela primeira vez no mesmo torneio — expansão em relação ao formato de 16 equipes vigente desde 1996 (Wikipédia) —, o torneio entregou uma fase de grupos recheada de surpresas e um mata-mata de alto drama, coroado por uma final em que a favorita anfitriã França saiu derrotada.
Visão Geral da Competição
A edição foi a primeira da história do Campeonato Europeu de Nações a reunir 24 seleções, formato que trouxe representantes inéditos ao palco continental e ampliou significativamente o calendário, chegando a 51 jogos disputados ao longo do torneio (Wikipédia). A França, escolhida como sede em 28 de maio de 2010 após superar candidaturas da Itália e da Turquia (Wikipédia), recebeu ao todo 2.437.303 espectadores nas arquibancadas (Wikipédia). O sorteio dos grupos havia sido realizado em Paris, em 12 de dezembro de 2015 (Wikipédia), definindo uma chave com candidatos tradicionais ao título e estreantes ilustres.
O torneio se dividiu em seis grupos de quatro seleções cada, com os dois primeiros de cada grupo e os quatro melhores terceiros classificados avançando às oitavas de final. Esse mecanismo, próprio do novo formato ampliado, permitiu que Portugal — terceiro colocado no Grupo F — chegasse ao título mesmo sem uma vitória sequer na fase inicial.
O Campeão e a Final
Portugal conquistou seu primeiro título europeu (Wikipédia), encerrando um longo ciclo de vice-campeonatos e campanhas semifinais que marcaram o futebol português nas décadas anteriores. A trajetória lusitana foi, paradoxalmente, das mais modestas na fase de grupos: três empates em três jogos, terceiro lugar no Grupo F com apenas três pontos, saldo de gols zerado (quatro marcados, quatro sofridos). A classificação às oitavas só veio pela condição de melhor terceiro colocado.
A partir do mata-mata, a seleção portuguesa transformou-se. O caminho até o título passou pelas fases eliminatórias, nas quais Portugal despachou adversários progressivamente mais difíceis até chegar à final contra a França, anfitriã e favorita (Wikipédia). A decisão terminou com a vitória de Portugal sobre os franceses, consagrando o título inédito (Wikipédia). O vice-campeonato da França foi especialmente amargo: a seleção havia sido a mais regular da competição desde a fase de grupos — líder do Grupo A com sete pontos, melhor ataque e melhor saldo entre os primeiros colocados —, mas não converteu o favoritismo no momento mais importante.
Cristiano Ronaldo, capitão e símbolo de Portugal, disputou todos os sete jogos da campanha e marcou três gols, acumulando também um cartão amarelo. Nani complementou o ataque lusitano com outros três gols e uma assistência, a maior contagem de passes para gol entre todos os jogadores do torneio com pelo menos um gol marcado.
Destaques e Seleções de Maior Campanha
Além de Portugal e França, que chegaram à final, outras seleções protagonizaram campanhas notáveis ao longo da competição:
- País de Gales: liderou o Grupo B com seis pontos e avançou pelo mata-mata até as semifinais (Wikipédia), surpreendendo a Europa com uma das campanhas mais romantizadas do torneio. Aaron Ramsey encerrou o torneio com dois cartões amarelos e um gol em cinco jogos disputados, enquanto James Chester somou dois amarelos em seis partidas como titular defensivo.
- Islândia: classificada em segundo no Grupo F com cinco pontos — mesma pontuação da Hungria, líder do grupo —, a seleção islandesa seguiu avançando no mata-mata e escreveu um capítulo inesquecível em sua estreia em Eurocopas (Wikipédia).
- Alemanha: apresentou a melhor defesa entre todos os grupos, com três pontos conquistados sem sofrer um gol sequer na fase de grupos — único time a chegar ao mata-mata com saldo positivo máximo e zero gols sofridos no Grupo C.
- Croácia: foi a seleção mais pontuada do Grupo D, com sete pontos, cinco gols marcados e saldo positivo de dois.
A Fase de Grupos: Análise por Chave
Os seis grupos ofereceram cenários distintos, alguns muito equilibrados, outros com hierarquias bem definidas:
- Grupo A: A França dominou com sete pontos, dois a mais que a Suíça, que avançou invicta (um triunfo e dois empates). A Albânia somou três pontos com uma vitória, enquanto a Romênia encerrou com apenas um ponto e saldo negativo de dois.
- Grupo B: O País de Gales impressionou ao liderar com seis pontos, à frente da Inglaterra (cinco pontos, invicta, mas sem brilho). A Eslováquia ficou na terceira posição com quatro pontos e a Rússia encerrou com saldo de -4, a pior diferença de gols do grupo.
- Grupo C: O mais equilibrado no topo: Alemanha e Polônia empataram em sete pontos cada, com a Alemanha levando a liderança por critérios de desempate — melhor saldo de gols (3 contra 2) e, notavelmente, ambas as seleções fecharam a fase sem sofrer gol algum. A Ucrânia encerrou sem pontuar, com cinco gols sofridos e zero marcados.
- Grupo D: Croácia (7 pontos) e Espanha (6 pontos) avançaram confortavelmente, com a Turquia somando três pontos e a República Tcheca apenas um.
- Grupo E: Itália e Bélgica dividiram a liderança com seis pontos cada. A Itália levou a primeira posição com melhor saldo defensivo (apenas 1 gol sofrido contra 2 da Bélgica). A República da Irlanda avançou com quatro pontos como um dos melhores terceiros, enquanto a Suécia ficou pelo caminho com somente um ponto.
- Grupo F: O mais dramático: Hungria e Islândia avançaram com cinco pontos cada, enquanto Portugal — futuro campeão — terminou em terceiro com três pontos e nenhuma vitória. A Áustria encerrou sem vencer, com apenas um empate e saldo de -3.
Artilharia e Destaques Individuais
Antoine Griezmann, atacante da França, encerrou a Eurocopa 2016 como artilheiro isolado com seis gols em sete jogos — o dobro da marca dos quatro jogadores que dividiram o segundo lugar (Wikipédia). Griezmann ainda foi eleito o melhor jogador do torneio (Wikipédia), distinção rara em Eurocopas para quem está no lado perdedor de uma final. Sua campanha individual foi incontestável mesmo diante do tropeço coletivo francês.
Na sequência da artilharia, quatro jogadores compartilharam a segunda posição com três gols cada:
- Nani (Portugal): 3 gols e 1 assistência em 7 jogos, sem nenhum cartão — o mais completo entre os vice-artilheiros em termos de contribuição ofensiva direta.
- Dimitri Payet (França): 3 gols em 7 jogos, sem cartões.
- Cristiano Ronaldo (Portugal): 3 gols em 7 jogos, com 1 cartão amarelo.
- Olivier Giroud (França): 3 gols em 6 jogos, com 1 cartão amarelo — o único vice-artilheiro que não disputou todos os jogos da campanha de seu time.
Na categoria de assistências, Kamil Grosicki, da Polônia, foi o único jogador a registrar duas passagens para gol no torneio, em cinco jogos disputados. Nani aparece em segundo com uma assistência, mas se destaca por ter combinado essa marca com três gols.
Renato Sanches, jovem português, foi eleito a revelação da competição (Wikipédia), reconhecimento que refletiu o impacto de sua atuação no caminho de Portugal ao título.
Números e Curiosidades
A Eurocopa 2016 produziu estatísticas e situações que merecem registro:
- Foi a primeira edição disputada por 24 seleções, rompendo com o formato de 16 times utilizado desde 1996 (Wikipédia). A ampliação permitiu estreias históricas no torneio continental.
- Portugal é o único campeão europeu que terminou a fase de grupos sem vencer uma partida — três empates, terceiro lugar no grupo, e título na mão ao fim do mata-mata.
- A França foi a seleção mais prolífica e consistente na fase de grupos, mas não converteu esse desempenho no resultado final.
- A Bélgica aplicou uma goleada de 4 a 0 na Hungria nas oitavas de final, disputada em Toulouse em 26 de junho (Wikipédia) — o resultado mais expressivo registrado nos fatos do torneio.
- Alemanha e Polônia são as únicas seleções que encerraram a fase de grupos sem sofrer gol: 3 jogos, 0 gols concedidos cada uma.
- A Ucrânia foi o único time a fechar a fase de grupos sem marcar gol algum — três derrotas, cinco sofridos, zero marcados.
- William Carvalho, de Portugal, e N'Golo Kanté, da França — curiosamente, um jogador de cada finalista — lideraram a tabela de cartões amarelos com três amarelos cada, em cinco e quatro jogos respectivamente.
- O único cartão vermelho efetivamente aplicado no torneio, conforme os dados disponíveis, foi para Shane Duffy, da República da Irlanda, em dois jogos disputados.
- Os 51 jogos do torneio foram assistidos por um total de 2.437.303 espectadores (Wikipédia), média próxima de 47.800 por partida.
A Eurocopa 2016 ficará na memória coletiva do futebol europeu pela reescrita de roteiros: o favorito caiu diante do improvável, um selecionado sem vitórias na fase inicial ergueu o troféu mais desejado do continente, e Antoine Griezmann encantou individualmente sem poder celebrar no final. A competição consolidou o formato expandido de 24 equipes como a nova normalidade e entregou ao futebol português sua conquista mais simbólica.





























































