A temporada 2016/17 da Serie A italiana — 85ª edição do Campeonato Italiano de Futebol (Wikipédia) — ficou marcada por um topo de tabela disputadíssimo entre três candidatos ao título e por uma Juventus que, no fim, soube ser mais consistente do que seus perseguidores. Ao longo de 380 partidas, 1.123 gols foram marcados, a uma média de 2,96 por jogo, diante de um público total de 8.427.768 espectadores (Wikipédia). Foi uma temporada com ataque, drama na zona de rebaixamento e um duelo histórico de artilheiros.
Visão Geral da Temporada
A competição reuniu 20 clubes disputando 38 rodadas cada, em turno e returno. O que chamou atenção desde cedo foi a proximidade entre os três primeiros colocados ao longo da temporada: Juventus, AS Roma e Napoli terminaram com 91, 87 e 86 pontos, respectivamente — uma diferença de apenas cinco pontos entre o campeão e o terceiro colocado. Abaixo do top 3, houve uma quebra acentuada: a Atalanta, quarta colocada, somou 72 pontos, 14 a menos que o Napoli. Esse desnível evidenciou a existência de uma elite de três times operando em outra órbita em relação ao restante do campeonato. No total, 1.123 gols convertidos em 380 partidas demonstraram que a Serie A apostou numa temporada ofensiva e entretida.
A Juventus e a Conquista do Título
Com 91 pontos ao fim de 38 rodadas, a Juventus sagrou-se campeã italiana de forma dominante, ainda que a margem sobre seus rivais mais diretos exigisse atenção constante. O clube de Turim registrou 29 vitórias, 4 empates e apenas 5 derrotas — o melhor aproveitamento da competição, correspondendo a 79,8% dos pontos disputados. Mas o dado que melhor traduz o domínio da Juventus não está no ataque, e sim na defesa: apenas 27 gols sofridos em 38 jogos, a melhor defesa da temporada, com uma média inferior a um gol cedido por partida. O saldo de gols positivo de +50 complementa o retrato de uma equipe organizada e difícil de ser batida.
Em paralelo ao título da Serie A, a Juventus também conquistou a Coppa Italia de 2016/17 (Wikipédia), configurando uma dobradinha doméstica expressiva. O campeonato, portanto, não ficou apenas no plano das estatísticas: foi uma temporada com troféu duplo para o clube torinês.
A Briga pelo Topo: Roma e Napoli Pressionam, mas Ficam para Trás
AS Roma e Napoli não facilitaram a vida da líder durante toda a temporada, e os números confirmam que o título poderia ter ido para outro endereço com pequenas variações. O Napoli, terceiro colocado com 86 pontos, foi o time com o melhor ataque da competição: 94 gols marcados, uma média de 2,47 por partida. O clube napolitano teve ainda o melhor saldo de gols entre os três primeiros (+55), superior até ao da Juventus (+50) e ao da Roma (+52). Mesmo assim, a desvantagem de cinco pontos para o campeão e de um ponto para a vice mostrou que o Napoli pagou caro por ocasiões desperdiçadas ao longo da temporada.
A AS Roma, por sua vez, foi vice-campeã com 87 pontos e o segundo melhor ataque da temporada: 90 gols marcados. Com 28 vitórias em 38 jogos, os romanos foram apenas um triunfo a menos que a Juventus, mas cederam mais empates (apenas 3, contra 4 da Juve) e sofreram mais derrotas (7 a 5). O detalhe que separa as equipes no placar final é mínimo, mas contundente: em competições de pontos corridos, constância vence talento episódico.
A Atalanta, quarta colocada com 72 pontos, garantiu vaga na Liga Europa com uma campanha sólida — 21 vitórias, 9 empates e 8 derrotas —, mas ficou a 14 pontos do terceiro lugar, evidenciando a distância entre o trio de elite e o restante do pelotão. A Lazio, em quinto com 70 pontos, e o AC Milan, em sexto com 63, completaram o grupo de times que disputaram ou estiveram próximos da zona de classificação continental.
A Zona de Rebaixamento: Histórias Distintas de Descenso
Três clubes desceram para a Serie B ao término da temporada: Pescara, Palermo e Empoli. As trajetórias foram distintas, mas todas marcadas por defesas porosas e aproveitamentos insuficientes.
- Pescara (20º, 15 pontos): O rebaixamento mais dramático da temporada. Apenas 2 vitórias em 38 jogos, 9 empates e 27 derrotas resultaram num aproveitamento de meros 13,2%. O clube sofreu 83 gols e marcou apenas 35, acumulando um saldo devastador de -48. É o pior desempenho individual da temporada por larga margem.
- Palermo (19º, 26 pontos): Com 6 vitórias, 8 empates e 24 derrotas, o Palermo também não apresentou argumentos defensivos: 77 gols sofridos e saldo de -44. A diferença em relação ao Pescara mostra que havia consistência ainda menor que a do lanterna apenas por episódios, não por tendência sistemática.
- Empoli (18º, 32 pontos): O rebaixamento mais apertado foi o do Empoli, que terminou apenas dois pontos acima do corte — ou melhor, exatamente no corte, na 18ª posição. Com 8 vitórias, 8 empates e 22 derrotas, o time encerrou a temporada com o ataque mais inoperante entre os rebaixados: apenas 29 gols marcados. A diferença para o Crotone, 17º colocado e salvo com 34 pontos, foi de apenas 2 pontos — um resultado diferente ao longo da temporada e o destino poderia ter sido outro.
O Crotone, com 34 pontos, foi o grande sobrevivente da zona de risco, escapando com 9 vitórias, 7 empates e 22 derrotas. Os times que subiram da Serie B para preencher as vagas dos rebaixados foram Carpi, Frosinone e Hellas Verona (Wikipédia).
Artilharia e Destaques Individuais
A temporada 2016/17 produziu uma das disputas de artilharia mais acirradas da história recente da Serie A, com cinco jogadores acima dos 24 gols marcados.
- Edin Džeko (AS Roma) – 29 gols: O centroavante bósnio foi o artilheiro da temporada, marcando em 37 partidas disputadas e ainda contribuindo com 9 assistências. Džeko combinou volume e eficiência de maneira notável, sendo peça central no segundo melhor ataque do campeonato.
- Dries Mertens (Napoli) – 28 gols: Apenas um gol atrás do artilheiro, Mertens igualou Džeko em assistências (9) em dois jogos a menos disputados (35). Seu aproveitamento individual foi extraordinário e refletiu diretamente na força ofensiva do Napoli.
- Andrea Belotti (Torino) – 26 gols: O centroavante do Torino foi o grande nome de um clube de meio de tabela, marcando 26 vezes em 35 partidas e ainda somando 7 assistências. Um desempenho que colocou seu time na 9ª posição — sem ele, o quadro poderia ter sido bem diferente.
- Gonzalo Higuaín (Juventus) – 24 gols: O argentino foi o único entre os cinco principais artilheiros a disputar todas as 38 rodadas. Com 24 gols e apenas 3 assistências, Higuaín concentrou sua contribuição nas finalizações, sendo peça fundamental num ataque eficiente, mesmo que não o mais prolífico da competição.
- Mauro Icardi (Inter) – 24 gols: Empatado com Higuaín nos gols, mas em apenas 34 partidas, Icardi acrescentou ainda 8 assistências ao seu rendimento, tornando-se o atacante mais completo em termos de participações diretas entre os dois. A Inter terminou em 7º lugar com 62 pontos, e Icardi foi o principal responsável pelos 72 gols do clube.
Assistências e Outros Destaques Técnicos
No quesito assistências, o ranking revelou jogadores de alto nível que contribuíram além dos gols:
- José Callejón (Napoli) – 12 assistências: O espanhol liderou o ranking de assistências, somando ainda 14 gols em 37 partidas — um dos perfis de maior rendimento global da temporada, ainda que tenha recebido o único cartão vermelho entre os cinco mais assistidos.
- Mohamed Salah (AS Roma) – 11 assistências: Em apenas 31 jogos, o egípcio marcou 15 gols e distribuiu 11 assistências, resultando em 26 participações diretas — a maior entre todos os jogadores listados nas estatísticas de assistências. Um rendimento que chamou atenção do futebol europeu.
- Papu Gómez (Atalanta) – 10 assistências: Com 16 gols e 10 assistências em 37 jogos, Gómez foi o símbolo da Atalanta que chegou ao quarto lugar, contribuindo com 26 participações diretas em gols ao longo da temporada.
- Marek Hamšík (Napoli) – 10 assistências: O capitão eslovaco disputou todas as 38 rodadas, marcou 12 gols e distribuiu 10 assistências, sendo um dos jogadores mais regulares da temporada com apenas 1 cartão amarelo.
- Antonio Candreva (Inter) – 10 assistências: Com 6 gols e 10 assistências em 38 partidas, Candreva foi a referência criativa do meio-campo da Inter, somando consistência ao longo de toda a competição.
Cartões: Disciplina em Xeque
No campo disciplinar, os dados revelam alguns perfis de jogadores com alto número de advertências. G. Bellusci, do Empoli, liderou o ranking de cartões amarelos com 15 no total, em 33 partidas — uma média de quase um a cada dois jogos, o que contribuiu para a pressão sobre um clube que acabaria rebaixado. Seu companheiro de time A. Dioussé somou 13 amarelos, também em 33 partidas, fazendo do Empoli o clube com dois jogadores no topo do ranking de advertências.
Entre os cartões vermelhos, o destaque negativo ficou com três jogadores que receberam duas expulsões cada ao longo da temporada: G. Paletta e J. Sosa, ambos do AC Milan, e três representantes do Bologna — Daniele Gastaldello, E. Pulgar e E. Krafth. O Bologna, que terminou em 15º com 41 pontos, aparece de forma expressiva no ranking de indisciplina.
Números e Curiosidades da Temporada
- A Serie A 2016/17 foi a 85ª edição do Campeonato Italiano de Futebol (Wikipédia).
- O Napoli marcou 94 gols, o melhor ataque da competição — uma média de 2,47 por jogo —, mas terminou em terceiro lugar.
- A Juventus sofreu apenas 27 gols em 38 partidas, a melhor defesa da Serie A na temporada. Os dados externos da Wikipédia indicam 24 gols sofridos, mas os DADOS da tabela registram 27; utilizamos o número constante na tabela oficial fornecida.
- Os cinco maiores artilheiros da temporada somaram, juntos, 131 gols — quase 12% de todos os 1.123 gols marcados na competição.
- O Napoli foi palco de uma das maiores goleadas do campeonato: Bologna 1 × 7 Napoli, em 4 de fevereiro de 2017 (Wikipédia).
- A Inter protagonizou outra goleada histórica: Internazionale 7 × 1 Atalanta, em 12 de março de 2017 (Wikipédia), a maior vitória dos nerazzurri na temporada.
- A diferença entre o campeão (Juventus, 91 pontos) e o terceiro colocado (Napoli, 86 pontos) foi de apenas 5 pontos, evidenciando o quanto a disputa pelo título foi intensa até o final.
- O Pescara encerrou a temporada com apenas 15 pontos e um saldo de -48, as piores marcas individuais do campeonato.
- A média de 2,96 gols por jogo confirmou a Serie A como uma das ligas europeias mais prolíficas na temporada.
- Ao todo, 8.427.768 espectadores acompanharam as partidas nos estádios ao longo da temporada (Wikipédia).
A temporada 2016/17 da Serie A ficará na memória pelo topo de tabela equilibrado, pela batalha de artilheiros — com Džeko, Mertens e Belotti numa disputa de alto nível —, e pela confirmação de que a Juventus, mesmo sem o ataque mais poderoso da competição, soube ser



































































