As Eliminatórias CONMEBOL para a Copa do Mundo de 2018 encerraram um ciclo de 18 rodadas que revelou tendências, consolidou protagonistas e colocou à prova os dez selecionados sul-americanos em uma das fases classificatórias mais disputadas e imprevisíveis do futebol continental. Com formato de liga — todos contra todos em turno e returno —, a competição produziu um retrato fiel das hierarquias e das fragilidades do futebol da América do Sul, com destaque para artilheiros de elite, campanhas sólidas e um Brasil que encerrou o torneio com os melhores números coletivos da chave.
Visão Geral da Competição
As Eliminatórias CONMEBOL 2018 reuniram dez seleções em disputa direta, com cada equipe enfrentando todas as demais duas vezes ao longo de 18 rodadas. O sorteio que definiu os confrontos foi realizado em 25 de julho de 2015 (Wikipédia), com a novidade de que a FIFA pré-definiu os duelos entre Brasil e Argentina para a 3ª e a 11ª rodadas (Wikipédia), garantindo que o clássico sul-americano fosse distribuído de maneira estratégica ao longo da tabela. O formato de pontos corridos, sem eliminatórias diretas, premiou a regularidade e castigou as irregularidades — e foi justamente a consistência ao longo de toda a campanha que separou os classificados daqueles que ficaram pelo caminho.
Os dados da temporada apontam para uma competição de alto volume ofensivo, com o Brasil liderando amplamente os dois extremos da tabela de desempenho coletivo: melhor ataque, com 41 gols marcados, e melhor defesa, com apenas 11 gols sofridos (Wikipédia). Esses números isolados já contam boa parte da história da campanha brasileira, mas há muito mais a ser analisado nas estatísticas individuais e no retrato do restante do pelotão.
Brasil: Domínio Coletivo e Equilíbrio no Ataque
Com 41 gols marcados e somente 11 sofridos, o Brasil encerrou as Eliminatórias como a seleção de melhor desempenho coletivo da competição (Wikipédia). A diferença de gols — saldo de +30 — revela não apenas eficiência ofensiva, mas uma solidez defensiva muito acima da média do torneio. Para efeito de comparação, a defesa brasileira foi, ao mesmo tempo, a mais eficiente e a que menos comprometeu o resultado geral da equipe.
No plano individual, o Brasil contribuiu de forma expressiva para as listas de destaques. Neymar registrou 6 gols e 3 assistências em 14 jogos, tornando-se o principal criador da equipe e o líder absoluto no ranking de assistências da competição — embora com o preço de 6 cartões amarelos, o que o coloca entre os mais advertidos do torneio. Paulinho somou 6 gols e 2 assistências em 11 partidas, com impressionante aproveitamento de participações diretas em gols considerando seu número reduzido de jogos. Gabriel Jesus, por sua vez, foi ainda mais eficiente: 7 gols e 1 assistência em apenas 10 partidas, o que o tornou o artilheiro brasileiro e um dos mais produtivos do torneio em termos de gols por jogo disputado. Willian completou o quarteto ofensivo nacional com 4 gols e 2 assistências em 17 partidas, sendo o jogador brasileiro de maior frequência no grupo.
A goleada de 5 a 0 aplicada sobre a Bolívia em Natal, em 6 de outubro de 2016 (Wikipédia), ficou como um dos resultados mais expressivos da competição e sintetizou o poder de fogo da seleção brasileira em seu auge durante as Eliminatórias.
A Disputa pela Classificação: Uruguai, Argentina e o Pelotão
Se o Brasil dominiu com folga os números coletivos, as demais vagas diretas para a Copa do Mundo foram palco de disputas mais acirradas. O Uruguai se destacou não apenas pelo desempenho da dupla de ataque, mas também pela consistência ao longo da campanha. Argentina, Chile, Colômbia e Peru figuraram na briga pelo G4 e pela vaga no repescagem, cada qual com seus momentos de oscilação.
A Argentina contou com Lionel Messi como referência ofensiva — 7 gols em 10 partidas —, aproveitamento semelhante ao de Gabriel Jesus em eficiência bruta. No entanto, a seleção argentina também carregou um histórico de turbulências disciplinares: Nicolás Otamendi acumulou 7 cartões amarelos em 15 jogos, o maior número de advertências entre todos os jogadores da competição, e Rodrigo Funes Mori somou 6 amarelos em apenas 10 partidas — indicando uma equipe que frequentemente operou no limite das regras.
O Chile trouxe Alexis Sánchez como seu principal nome ofensivo: 7 gols e 1 assistência em 17 jogos. Arturo Vidal complementou a contribuição chilena com 6 gols em 15 partidas, mas também com 6 cartões amarelos — um dos mais advertidos ao lado de Neymar e Otamendi. Gary Medel, zagueiro da Roja, acumulou 3 amarelos e 1 vermelho em 14 jogos, retrato de uma equipe que combinou qualidade técnica com intensidade física.
A Colômbia teve em Juan Cuadrado um dos jogadores mais presentes, mas o lateral-meia acumulou 1 cartão vermelho e 3 amarelos em 15 partidas. O Peru contou com Christian Cueva como elemento de criação: 4 gols, 2 assistências e 16 jogos, sendo também o único jogador do ranking de assistências a ter recebido cartão vermelho na competição — 1 expulsão e 2 amarelos em 16 partidas.
Equador, Venezuela e a Zona de Rebaixamento
Entre as seleções que lutaram para se manter competitivas, o Equador contou com Felipe Caicedo como principal referência ofensiva: 7 gols em 13 partidas, com destaque para a disciplina — zero cartões amarelos ou vermelhos em toda a campanha. Uma exceção ao comportamento equatoriano foi Michael Antonio Arroyo Mina, que recebeu 2 cartões vermelhos em apenas 5 jogos disputados, tornando-se o jogador com mais expulsões de toda a competição.
A Venezuela, tradicional coadjuvante nas Eliminatórias sul-americanas, marcou presença nas estatísticas negativas: A. Figuera acumulou 6 cartões amarelos em 10 jogos, e W. Ángel somou 4 amarelos e 1 vermelho em 8 partidas. No entanto, a seleção venezuelana protagonizou um dos resultados mais impactantes do torneio ao vencer a Bolívia por 5 a 0 em Maturín, em 10 de novembro de 2016 (Wikipédia) — placar idêntico ao que o Brasil aplicou na mesma adversária. A Bolívia, portanto, cedeu duas goleadas de cinco gols ao longo da competição, o que ilustra sua condição de equipe mais fragilizada do grupo.
O Paraguai, por sua vez, teve em Gustavo Gómez um dos representantes nos registros disciplinares: 3 amarelos e 1 vermelho em 11 jogos.
Artilharia e Destaques Individuais
O grande nome individual das Eliminatórias foi Edinson Cavani, artilheiro da competição com 10 gols em 15 jogos disputados (Wikipédia). O centroavante do Uruguai terminou isolado no topo da lista de artilheiros, com três gols de vantagem sobre o grupo de quatro jogadores empatados em segundo lugar. Sua média supera dois terços de gol por partida — um índice notável em competições eliminatórias de nível continental, onde o equilíbrio tático tende a suprimir as diferenças individuais.
- Artilheiros: E. Cavani (Uruguai) – 10 gols em 15 jogos; A. Sánchez (Chile), Gabriel Jesus (Brasil), F. Caicedo (Equador) e L. Messi (Argentina) – 7 gols cada
- Assistências: Neymar (Brasil) – 3 assistências em 14 jogos; Paulinho (Brasil), L. Suárez (Uruguai), Willian (Brasil) e C. Cueva (Peru) – 2 assistências cada
- Cartões amarelos: N. Otamendi (Argentina) liderou com 7 amarelos; A. Vidal (Chile), Neymar (Brasil), A. Figuera (Venezuela) e R. Funes Mori (Argentina) acumularam 6 cada
- Cartões vermelhos: Michael Antonio Arroyo Mina (Equador) foi expulso 2 vezes em 5 jogos; W. Ángel (Venezuela), J. Cuadrado (Colômbia), G. Medel (Chile), G. Gómez (Paraguai) e C. Cueva (Peru) receberam 1 vermelho cada
Cavani terminou sua campanha com apenas 2 cartões amarelos em 15 jogos, sinal de que sua dominância foi construída com eficiência técnica e sem excesso de infrações. Messi, curiosamente, encerrou as Eliminatórias sem nenhum cartão — 7 gols em 10 partidas sem qualquer advertência disciplinar. Caicedo, do Equador, apresentou o mesmo perfil: 7 gols em 13 jogos sem um sequer cartão recebido.
A dupla uruguaia Cavani-Suárez merece menção coletiva: juntos, somaram 15 gols e 2 assistências em menos de 30 partidas combinadas, com apenas 4 cartões amarelos entre os dois e nenhum vermelho — uma parceria altamente produtiva e relativamente equilibrada na disciplina.
Números e Curiosidades da Temporada
As Eliminatórias CONMEBOL 2018 deixaram registros que vão além da tabela de classificação. A campanha do Brasil nos dois extremos do desempenho coletivo — melhor ataque e melhor defesa simultaneamente — é estatisticamente rara e denota uma equipe que dominou tanto na criação quanto na contenção ao longo de todo o torneio. A diferença de 30 gols no saldo (41 marcados, 11 sofridos) representa um índice de domínio que raramente se vê em competições de pontos corridos com dez participantes de nível semelhante.
A Bolívia foi a única seleção a sofrer duas goleadas de cinco gols na mesma competição — de Brasil e Venezuela —, o que aponta para vulnerabilidades defensivas acentuadas e coloca a seleção boliviana como a equipe de menor desempenho proporcional do torneio, ainda que os dados da tabela completa não estejam disponíveis para quantificar com precisão seu aproveitamento final.
No plano individual, a eficiência de Gabriel Jesus merece destaque analítico: 7 gols em apenas 10 partidas representam o melhor aproveitamento entre os cinco maiores artilheiros da competição, à frente até de Cavani — que marcou 10 gols, mas em 15 jogos. Neymar, por outro lado, foi o jogador de maior impacto combinado entre gols e assistências: 9 participações diretas em gols em 14 partidas, com a ressalva dos 6 cartões amarelos acumulados.
A disputa pela artilharia individual concentrou-se em um grupo muito específico: quatro jogadores terminaram empatados com 7 gols, representando seleções distintas — Chile, Brasil, Equador e Argentina. Isso demonstra que a competição distribuiu seus principais artilheiros de maneira relativamente uniforme geograficamente, sem que nenhuma seleção além do Uruguai conseguisse isolar seu principal goleador acima do restante do grupo.
As Eliminatórias CONMEBOL 2018 ficam, portanto, marcadas por um ciclo de clara hegemonia brasileira nos números coletivos, artilharia individual de Edinson Cavani, ampla participação do trio Neymar-Paulinho-Gabriel Jesus na produção ofensiva do Brasil, e um equilíbrio entre as demais seleções que tornou a classificação para a Copa do Mundo uma corrida de fôlego longo — e não de arrancadas pontuais.







































































