A Copa do Mundo FIFA 2022, realizada no Catar entre novembro e dezembro, encerrou-se com a Argentina erguendo o troféu pela terceira vez na história, encerrando um jejum de 36 anos (Wikipédia). O torneio — o primeiro disputado no Oriente Médio e o último no formato com 32 seleções — ficou marcado por surpresas na fase de grupos, pelo histórico avanço de Marrocos até as semifinais e por uma final dramática que só se definiu nos pênaltis (Wikipédia).
O Campeão e a Final
A Argentina chegou à decisão com uma campanha que reuniu consistência e superação. No confronto pela taça, a seleção albiceleste enfrentou a França e precisou superar uma virada no placar durante o tempo normal e a prorrogação, antes de sagrar-se campeã na disputa de pênaltis (Wikipédia). Com o título, a Argentina interrompeu uma sequência de cinco edições consecutivas de domínio europeu no torneio — todas desde 2006 tinham sido vencidas por seleções do Velho Continente (Wikipédia).
A França, vice-campeã, chegou à final com Kylian Mbappé em estado avassalador. O atacante terminou como artilheiro isolado da competição com 8 gols em 7 jogos, média de 1,14 por partida — número que reflete a supremacia individual do francês na chave de gols. Do lado argentino, Lionel Messi foi eleito o melhor jogador do torneio (Wikipédia), acumulando 7 gols e 3 assistências nos mesmos 7 jogos. O goleiro Emiliano Martínez foi premiado como melhor goleiro da competição (Wikipédia), e o jovem Enzo Fernández levou o prêmio de revelação do torneio (Wikipédia).
Destaques e Seleções de Maior Campanha
Além da Argentina campeã e da França finalista, a Croácia repetiu a façanha de 2018 e conquistou o terceiro lugar. Ivan Perišić foi um dos destaques individuais croatas, disputando todos os 7 jogos e distribuindo 3 assistências — empatado na liderança desta categoria ao lado de Messi, Harry Kane e Bruno Fernandes.
A grande revelação da fase final foi Marrocos. Os Leões do Atlas tornaram-se a primeira seleção africana a alcançar uma semifinal de Copa do Mundo (Wikipédia), chegando à competição vindo de uma fase de grupos impecável — 7 pontos em 3 jogos, com apenas 1 gol sofrido. O feito reescreveu a história do futebol africano e continental.
Portugal, com 6 pontos na fase de grupos, também avançou em boa forma, mas foi eliminado na sequência. O destaque lusitano individual ficou com Gonçalo Ramos, que marcou 3 gols em apenas 4 jogos disputados — melhor aproveitamento por partida entre os cinco primeiros artilheiros —, e com Bruno Fernandes, que somou 3 assistências e 2 gols em 4 partidas.
A Fase de Grupos
Os oito grupos da fase inicial entregaram resultados surpreendentes e números expressivos.
- Grupo A: Netherlands liderou com 7 pontos (2V 1E 0D, saldo de +4), a melhor defesa do grupo com apenas 1 gol sofrido. Senegal avançou em segundo com 6 pontos. O Catar, país-sede, encerrou sem nenhum ponto em 3 jogos, com 7 gols sofridos e apenas 1 marcado — e protagonizou um episódio histórico negativo: foi a primeira vez que uma seleção anfitriã perdeu a partida de abertura do torneio (Wikipédia), caindo diante do Equador.
- Grupo B: England foi a equipe com o melhor ataque absoluto da fase de grupos, marcando 9 gols em 3 partidas — saldo de +7, o maior de todos os grupos. Os norte-americanos (USA) avançaram em segundo com 5 pontos sem nenhuma derrota. Wales terminou com apenas 1 ponto e 1 gol marcado, sofrendo 6.
- Grupo C: Argentina classificou-se em primeiro com 6 pontos, mas não sem sustos: a seleção sofreu uma derrota para a Arábia Saudita (Wikipédia) — um dos resultados mais inesperados do torneio. Poland avançou em segundo por critérios de desempate sobre Mexico, ambos com 4 pontos e mesma quantidade de gols marcados.
- Grupo D: France e Australia avançaram com 6 pontos cada. A Tunísia terminou em terceiro com 4 pontos, mas ficou fora. Denmark decepcionou e somou apenas 1 ponto, com saldo de -2.
- Grupo E: O grupo mais competitivo da fase, com Germany e Spain empatados em 4 pontos, mas foi Japan que liderou com 6 pontos (2V 1D). Spain avançou em segundo apesar de ter sofrido uma derrota para os japoneses, com o melhor saldo de gols do grupo (+6) — reflexo de uma goleada que ficou registrada nos maiores placares do torneio: 7 a 0 sobre Costa Rica, a maior goleada da Copa 2022 (Wikipédia). Germany, com o mesmo volume ofensivo (6 gols marcados), ficou de fora por critérios de desempate.
- Grupo F: Morocco liderou com 7 pontos e a melhor defesa conjunta ao lado de outras seleções — apenas 1 gol sofrido. Croatia avançou em segundo com 5 pontos. Belgium, considerada uma das favoritas, foi eliminada com 4 pontos e apenas 1 gol marcado em 3 jogos. Canada terminou sem pontos e com saldo de -5.
- Grupo G: Brazil avançou em primeiro com 6 pontos, mas não passou incólume: sofreu derrota para Cameroon (Wikipédia), que terminou em terceiro com 4 pontos. Switzerland também avançou com 6 pontos. Serbia ficou com apenas 1 ponto e saldo de -3.
- Grupo H: Portugal liderou com 6 pontos. South Korea classificou-se em segundo com 4 pontos, à frente de Uruguay pelo mesmo motivo de saldo de gols (ambos com 4 gols marcados e 4 sofridos, 0 de saldo). Japão e Coreia do Sul disputaram novamente uma fase final de Copa após 20 anos (Wikipédia). Ghana terminou com 3 pontos e saldo de -2.
Artilharia e Destaques Individuais
A briga pela artilharia foi uma das narrativas centrais do torneio, com os dois melhores jogadores do mundo na época — Mbappé e Messi — dominando a lista de gols de forma esmagadora.
- Kylian Mbappé (França) — 8 gols, 2 assistências em 7 jogos: artilheiro isolado da competição, sem nenhum cartão amarelo ou vermelho ao longo de toda a campanha. Média de mais de um gol por partida.
- Lionel Messi (Argentina) — 7 gols, 3 assistências em 7 jogos: melhor jogador do torneio (Wikipédia) e co-líder em assistências. Seu único cartão amarelo foi o único registro disciplinar de um jogador que percorreu toda a Copa na pele do capitão campeão.
- Julian Álvarez (Argentina) — 4 gols em 7 jogos: compôs o ataque argentino como eficiente parceiro ofensivo de Messi, sem nenhum cartão recebido.
- Olivier Giroud (França) — 4 gols em 6 jogos: o centroavante francês foi peça-chave na campanha da finalista, igualando Álvarez na contagem de gols.
- Gonçalo Ramos (Portugal) — 3 gols e 1 assistência em apenas 4 jogos: o jogador mais eficiente por partida entre os cinco primeiros da artilharia, destacando-se como a grande revelação portuguesa da competição.
No quesito assistências, Messi dividiu a liderança com Harry Kane (Inglaterra), Bruno Fernandes (Portugal), Ivan Perišić (Croácia) e Antoine Griezmann (França), todos com 3 passes para gol. Griezmann merece menção especial: registrou 3 assistências sem marcar nenhum gol, atuando em todos os 7 jogos da França — papel de arquiteto, não de finalizador.
No campo disciplinar, a Argentina concentrou os jogadores mais advertidos: Marcos Acuña e Gonzalo Montiel lideraram o ranking de cartões amarelos com 3 cada, seguidos por Cristian Romero, Matías Kovačić (Croácia) e Nicolás Otamendi — todos com 2 amarelos. O único cartão vermelho registrado nos dados entre os destaques disciplinares foi o do goleiro Wayne Hennessey (País de Gales), em apenas 2 jogos disputados.
Números e Curiosidades
- A Copa 2022 foi a primeira disputada no Oriente Médio e a primeira realizada em novembro e dezembro, fora do calendário tradicional de verão europeu (Wikipédia).
- Foi também a última edição com 32 seleções participantes — a partir de 2026, o torneio passará a contar com 48 equipes (Wikipédia).
- England e Spain dividiram o título de melhor ataque da fase de grupos, ambas com 9 gols marcados (Wikipédia). Seis seleções diferentes terminaram os grupos com apenas 1 gol sofrido — a maior concentração de defesas sólidas já registrada numa fase de grupos (Wikipédia).
- A maior goleada foi Spain 7 a 0 sobre Costa Rica (Wikipédia). Costa Rica, por sua vez, terminou com o pior saldo de gols de todo o torneio na fase de grupos: -8, com 11 gols sofridos em 3 partidas.
- Qatar encerrou a fase de grupos com zero pontos, tornando-se a primeira seleção anfitriã a abrir a competição com uma derrota (Wikipédia) — e a que registrou o pior desempenho entre as 32 participantes.
- Arábia Saudita e Camarões protagonizaram as maiores zebras da fase de grupos, vencendo Argentina e Brasil, respectivamente (Wikipédia) — ambas as seleções, no entanto, avançaram às oitavas de final e seguiram suas campanhas.
- A Rússia não participou da competição por ter sido banida pela FIFA durante as eliminatórias (Wikipédia).
Ao final, a Copa do Mundo 2022 entregou o que as grandes edições do torneio sempre prometem: uma fase de grupos recheada de surpresas, mata-matas tensos e uma final que só encontrou seu desfecho na cobrança de pênaltis. A Argentina sagrou-se campeã; Mbappé ficou com a artilharia; Messi, com o reconhecimento de melhor jogador. E Marrocos deixou para a história africana do futebol uma das marcas mais duradouras do torneio.










































































