O Real Madrid ergueu pela décima quarta vez a taça da UEFA Champions League, consolidando sua hegemonia histórica na maior competição de clubes do mundo. A edição 2021–22 da Liga dos Campeões da UEFA — a 67ª da história do torneio — reuniu 32 clubes, produziu 125 partidas e resultou em 380 gols, numa temporada marcada por campanhas dominantes na fase de grupos, surpresas no mata-mata e um desfecho protagonizado pelos merengues diante do Liverpool.
O Campeão e a Final
O Real Madrid encerrou a temporada europeia como o clube mais vitorioso da história da competição, ao derrotar o Liverpool por 1 a 0 na final disputada no Stade de France, em Saint-Denis, França (Wikipédia). O encontro foi a reedição das finais de 1981 e 2018 entre as duas equipes, reforçando a rivalidade histórica entre os clubes (Wikipédia). Com o 14º título, o Real Madrid isolou-se ainda mais no topo do ranking de vencedores da Champions League (Wikipédia).
A capital francesa recebeu a decisão em substituição a Munique, cidade inicialmente prevista para sediar o evento. A mudança de sede ocorreu em decorrência da invasão da Ucrânia pela Rússia, que tornou politicamente inviável a realização da final na Alemanha (Wikipédia). O contexto geopolítico fez-se presente na maior final do futebol de clubes e marcou a edição de forma indelével.
O Liverpool chegou à final como um dos times de maior produtividade na fase de grupos — única equipe a vencer todos os seis jogos no Grupo B, com aproveitamento de 100% —, mas sucumbiu diante da eficiência madridista na decisão. A campanha dos reds ao longo do torneio foi notável, mas não suficiente para superar os espanhóis no momento mais importante.
A Fase de Grupos: Domínio, Equilíbrio e Surpresas
A fase de grupos revelou contrastes marcantes entre os oito grupos. Três equipes terminaram com campanha perfeita de seis vitórias em seis jogos: Liverpool (Grupo B), Ajax (Grupo C) e Bayern München (Grupo E). Estas três campanhas impolutas produziram números individuais impressionantes: o Liverpool marcou 17 gols e sofreu apenas 6; o Ajax anotou 20 e cedeu somente 5, melhor saldo líquido da fase (+15); o Bayern München atingiu o maior volume ofensivo de todos os grupos, com 22 gols marcados e apenas 3 sofridos, saldo de +19.
O Grupo A foi o mais equilibrado dos oito: Manchester City e Paris Saint-Germain avançaram separados por apenas um ponto (12 a 11), enquanto o RB Leipzig ficou a apenas quatro pontos do segundo colocado. O Club Brugge KV encerrou a fase com saldo de -14, a maior sangria defensiva da rodada entre os clubes eliminados na etapa inicial.
No Grupo C, Ajax e Sporting CP avançaram, mas o Borussia Dortmund foi eliminado com os mesmos 9 pontos do clube português — diferenciado pelo saldo de gols. O Besiktas foi o único time a encerrar a fase de grupos com pontuação zero, sofrendo 19 gols e marcando apenas 3 em seis partidas.
O Grupo D trouxe a presença do Sheriff Tiraspol, representante de Tiraspol, na Moldávia — uma das participações mais inéditas da história recente da competição. O clube moldavo terminou em terceiro lugar com 7 pontos, à frente do Shakhtar Donetsk, que somou apenas 2 pontos e marcou somente 2 gols em seis jogos. O Real Madrid dominou o grupo com 15 pontos e melhor defesa entre os líderes de grupo que não tiveram campanha perfeita: apenas 3 gols sofridos.
O Grupo E foi palco de um episódio notável: o Barcelona, um dos grandes tradicionais da competição, terminou em terceiro lugar com apenas 7 pontos e 2 gols marcados em seis jogos — o pior ataque entre todos os 32 participantes da fase de grupos. A equipe catalã ficou atrás de Benfica e Bayern, sendo relegada à Liga Europa.
No Grupo G, Lille e Red Bull Salzburg avançaram em um dos grupos mais disputados: o campeão francês terminou com 11 pontos, um a mais que o Salzburg, com Sevilla e VfL Wolfsburg separados por apenas um ponto (6 e 5, respectivamente). O Grupo H também foi competitivo, com Juventus (15 pontos) e Chelsea (13 pontos) avançando de forma confortável, mas o Chelsea chegou à fase seguinte com o melhor saldo de gols entre os vice-líderes de grupo: +9.
Destaques e Maiores Campanhas
Além de Real Madrid e Liverpool, protagonistas da final, outras equipes construíram campanhas de destaque ao longo do torneio. O Bayern München, que havia conquistado o título em 2020, voltou a demonstrar poderio ofensivo e chegou a produzir a maior goleada registrada nos dados desta edição: 7 a 1 sobre o Red Bull Salzburg nas oitavas de final (Wikipédia), placar que ilustra a brutalidade do conjunto bávaro quando em plena forma.
O Ajax, da Holanda, foi a equipe mais dominante na fase de grupos em termos de saldo (20 gols marcados, 5 sofridos, saldo de +15), mas a campanha no mata-mata não sustentou o nível da etapa inicial. O Manchester City, dono do grupo mais aberto, avançou com 12 pontos e 18 gols marcados — segundo maior volume ofensivo entre todos os líderes de grupo — mas também não chegou à decisão.
Artilharia e Destaques Individuais
A artilharia da edição 2021–22 pertenceu a Karim Benzema, do Real Madrid, que encerrou a competição com 15 gols em 12 jogos (Wikipédia) — uma média de 1,25 gol por partida. O francês também distribuiu 2 assistências, recebeu apenas 1 cartão amarelo e nenhum vermelho, combinando eficiência técnica com disciplina.
- K. Benzema (Real Madrid): 15 gols, 2 assistências em 12 jogos
- R. Lewandowski (Bayern München): 13 gols, 3 assistências em 10 jogos
- S. Haller (Ajax): 11 gols, 2 assistências em 8 jogos
- Mohamed Salah (Liverpool): 8 gols, 2 assistências em 13 jogos
- C. Nkunku (RB Leipzig): 7 gols, 1 assistência em apenas 6 jogos
A margem de Benzema sobre o segundo colocado, Robert Lewandowski, foi de 2 gols, numa disputa que envolveu dois dos centroavantes mais produtivos do futebol europeu. Lewandowski, porém, atuou em menos partidas (10 contra 12) e ainda somou mais assistências (3). Sebastien Haller, do Ajax, impressionou ao marcar 11 gols em somente 8 partidas — a melhor média entre os cinco primeiros artilheiros: 1,375 gol por jogo.
Mohamed Salah foi o jogador com mais partidas disputadas entre os artilheiros (13), reflexo da longa jornada do Liverpool até a final. Christopher Nkunku, do RB Leipzig, produziu 7 gols em apenas 6 jogos, sinalizando um dos desempenhos mais compactos do torneio antes da eliminação de sua equipe.
No ranking de assistências, três jogadores chegaram a 6 passes decisivos: Leroy Sané (Bayern München), Vinícius Júnior (Real Madrid) e Bruno Fernandes (Manchester United). Vinícius Júnior foi o único dos três a combinar 6 assistências com 4 gols marcados em 13 partidas, sendo peça central na campanha do clube que viria a conquistar o título. Kylian Mbappé (PSG) e Thomas Müller (Bayern) completaram o top 5 com 4 assistências cada, além de 6 e 4 gols marcados, respectivamente.
Números, Curiosidades e Contexto
A edição foi a primeira desde a temporada 1998–99 a contar com três grandes competições europeias de clubes em simultâneo: a Liga dos Campeões, a Liga Europa e a recém-criada Liga Conferência Europa (Wikipédia). A ampliação do calendário europeu trouxe mais clubes ao circuito continental e diversificou a representatividade das ligas menores.
Outro marco regulatório desta edição foi a abolição definitiva pela UEFA da regra do gol fora de casa em todas as competições de clubes (Wikipédia) — uma mudança que alterou a dinâmica das disputas no mata-mata, eliminando a vantagem histórica das equipes visitantes que marcavam em estádios adversários.
No ranking de disciplina, o defensor A. Ahmedhodžić, do Malmo FF, liderou os cartões amarelos com 5 advertências e ainda recebeu 1 vermelho em 12 partidas — o jogador mais punido da competição em volume total. O Malmo FF foi o clube com pior retrospecto em termos de eliminação, encerrando a fase de grupos com apenas 1 ponto, 1 gol marcado e 14 sofridos no Grupo H.
Do lado dos cartões vermelhos, Felipe, do Atlético de Madrid, e Ahmedhodžić foram expulsos uma vez cada, junto a Y. En-Nesyri (Sevilla), S. Hefti (BSC Young Boys) e Angeliño (RB Leipzig). A distribuição geográfica das expulsões refletiu clubes de diferentes ligas e portes, sem concentração em um único grupo ou fase.
Com 380 gols em 125 jogos, a média da edição ficou em aproximadamente 3,04 gols por partida — índice que evidencia o alto nível técnico e a abertura das disputas ao longo de toda a temporada europeia. O Real Madrid, ao levantar o troféu pela 14ª vez, encerrou uma edição de números expressivos com a consistência que define sua história singular na competição mais importante do futebol de clubes.






































































































































