O Brasileirão Série C de 2023 ficará marcado por um feito histórico: pela primeira vez na história, um clube do estado do Amazonas conquistou um título nacional. O Amazonas FC encerrou a temporada como campeão da terceira divisão, superando o Brusque na final e garantindo acesso à Série B de 2024. A edição reuniu 20 clubes, percorreu uma fase de grupos unificada e uma segunda fase eliminatória, produziu 465 gols em 216 jogos (Wikipédia) e apontou Sassá, do próprio Amazonas, como o artilheiro isolado do torneio, com 18 gols em 23 partidas.
Visão Geral da Temporada
A edição 2023 da Série C seguiu o formato tradicional da competição: uma fase de grupos com todos os 20 participantes disputando entre si em turno único, da qual os oito melhores avançavam às quartas de final, seguidas de semifinais e grande final em jogos de ida e volta. Os quatro finalistas garantiriam acesso à Série B, enquanto os quatro lanterneiros da fase de grupos seriam rebaixados à Série D.
A fase classificatória apresentou um pelotão de frente bastante homogêneo. A diferença de pontos entre o primeiro colocado, o Operário-PR, com 36 pontos, e o oitavo classificado, o São Bernardo, com 29, foi de apenas sete pontos. Entre o segundo e o oitavo lugar, a variação foi ainda menor: apenas quatro pontos separavam Volta Redonda (33) de São Bernardo e Paysandu (29 cada). Esse equilíbrio revelou uma das fases de grupos mais disputadas da história recente da competição.
No extremo oposto da tabela, a zona de rebaixamento também teve seus contornos definidos com relativa antecedência. Pouso Alegre e Altos foram as primeiras equipes matematicamente rebaixadas, ainda na antepenúltima rodada da primeira fase (Wikipédia). Manaus se salvou momentaneamente, mas acabou confirmando sua queda na última rodada após empatar sem gols com o Figueirense (Wikipédia). América-RN completou o quarteto descido à Série D.
O Campeão e a Final
O Amazonas FC escreveu sua página mais importante. Fundado em 2019 e disputando sua primeira Série C em 2023, o clube de Manaus não apenas avançou às fases finais como foi longe o suficiente para conquistar o título (Wikipédia). A decisão foi contra o Brusque, clube de Santa Catarina com história mais longa na terceira divisão.
O duelo pelo título foi resolvido no placar agregado de 2 a 1 em favor do Amazonas. O jogo de ida, disputado em Manaus, terminou em empate sem gols. Na partida de volta, em solo catarinense, o Amazonas venceu e garantiu o troféu (Wikipédia). O resultado coroou uma campanha que havia começado na fase de grupos com 32 pontos em 19 jogos — terceiro melhor aproveitamento da fase classificatória — e que ganhou consistência nas fases eliminatórias.
O título representou um marco histórico não apenas para o clube, mas para o futebol do estado do Amazonas: nenhuma equipe da região havia conquistado um campeonato nacional antes desse momento (Wikipédia). Junto com o Brusque, o Operário-PR e o Paysandu, o Amazonas garantiu seu passaporte à Série B de 2024.
Destaques e Clubes de Maior Campanha
Quatro clubes merecem atenção especial pela trajetória ao longo da temporada:
- Operário-PR: Foi o melhor time da fase de grupos, com 36 pontos, 10 vitórias, 6 empates e apenas 3 derrotas em 19 jogos. Ostentou a melhor defesa de toda a competição, com apenas 10 gols sofridos (Wikipédia) — média inferior a um gol por jogo. Com saldo de +9, foi o clube mais sólido defensivamente e encerrou a fase classificatória com aproveitamento de 63,2%. Avançou à fase final e garantiu o acesso à Série B.
- Volta Redonda: Terminou a fase de grupos na segunda colocação, com 33 pontos, e liderou a estatística de melhor ataque da competição, com 33 gols marcados (Wikipédia) — média de 1,7 gols por jogo. O saldo positivo de +14 foi o melhor entre todos os participantes. Além do acesso garantido na fase final, o clube fluminense contribuiu com Ítalo Carvalho para a disputa da artilharia, com 11 gols.
- Brusque: Encerrou a fase de grupos na quarta posição, com 31 pontos e a segunda melhor defesa do torneio (14 gols sofridos, saldo +11). No mata-mata, chegou à final e ainda bateu o Operário-PR por 2 a 1 de virada em jogos da segunda fase (Wikipédia). O vice-campeonato garantiu também o acesso à Série B, e o clube catarinense terminou a temporada com destaque coletivo e individual, com Guilherme Queiróz na terceira posição entre os artilheiros.
- Paysandu: A equipe paraense concluiu a fase de grupos na sétima colocação, com 29 pontos, e saldo de gols negativo (-5). No mata-mata, porém, avançou e garantiu o acesso à Série B. Curiosamente, a campanha do Paysandu incluiu a maior goleada sofrida no torneio: 5 a 0 para o Ypiranga-RS no Estádio Colosso da Lagoa, em 11 de maio (Wikipédia). Ainda assim, o clube conseguiu o acesso superando o critério de saldo de gols em relação a um rival (Wikipédia).
A Fase de Grupos
A fase classificatória reuniu os 20 clubes em um único grupo, com jogos no modelo de pontos corridos. Os oito primeiros avançavam ao mata-mata; os quatro últimos, rebaixados à Série D.
O Operário-PR foi o líder isolado da tabela, com 36 pontos. Abaixo dele, o Volta Redonda somou 33 pontos, seguido do Amazonas com 32. Entre o quarto e o oitavo colocados — Brusque (31), São José (31), Botafogo-PB (30), Paysandu (29) e São Bernardo (29) —, a diferença máxima foi de apenas dois pontos, o que evidencia o nível de disputas acirradas ao longo das 19 rodadas.
Na zona intermediária, os clubes que ficaram entre o 9.º e o 16.º lugar somaram entre 22 e 28 pontos, todos eles acima dos 21 pontos que definem a média mínima para o acesso. A maior parte desses times oscilou entre vitórias pontuais e sequências de empates, sem consistência suficiente para figurar no G-8.
A zona de rebaixamento ficou composta por Manaus (20 pontos), América-RN (19), Altos (13) e Pouso Alegre (12). O Altos somou apenas 14 gols marcados em 19 jogos e sofreu 28, encerrando a fase com saldo de -14. O Pouso Alegre foi ainda mais dramático: 11 gols marcados, 26 sofridos e saldo de -15. Entre os quatro rebaixados, nenhum atingiu 50% de aproveitamento sequer nos jogos disputados. A Região Nordeste registrou o maior número de representantes no torneio pelo segundo ano consecutivo, com sete equipes (Wikipédia).
Artilharia e Destaques Individuais
O nome da temporada com a bola nos pés foi Sassá. O centroavante do Amazonas terminou como artilheiro isolado com 18 gols em 23 jogos disputados — média de 0,78 gols por partida. Sua produção foi determinante para que o Amazonas construísse sua campanha histórica. Vale notar que Sassá acumulou 8 cartões amarelos ao longo da temporada, reflexo de uma postura agressiva dentro de campo, mas sem nenhuma expulsão.
O ranking de artilheiros completo dos cinco primeiros colocados:
- Sassá (Amazonas) – 18 gols em 23 jogos
- Ítalo Carvalho (Volta Redonda) – 11 gols em 24 jogos
- Guilherme Queiróz (Brusque) – 10 gols em 23 jogos
- Thayllon (São José) – 9 gols em 25 jogos
- Mário Sérgio (Paysandu) – 9 gols em 22 jogos
Chama atenção a diferença entre o primeiro e o segundo colocados: sete gols separam Sassá de Ítalo Carvalho. Uma margem considerável que confirma o domínio absoluto do atacante do Amazonas na artilharia do campeonato. Guilherme Queiróz, do Brusque, fechou o pódio com 10 gols, mas recebeu a única expulsão entre os cinco primeiros artilheiros.
No quesito disciplina, os destaques negativos ficaram com Rodrigo Souza (São Bernardo), João Vieira (Paysandu) e Renato Vischi (Pouso Alegre), cada um com 10 cartões amarelos ao longo do torneio — líderes isolados nessa estatística. Pouso Alegre, que foi rebaixado, teve dois jogadores entre os cinco mais amarelados da competição, o que pode indicar uma relação entre indisciplina e queda de rendimento.
Números e Curiosidades
A edição 2023 da Série C foi rica em estatísticas que ajudam a dimensionar o torneio:
- A competição produziu 465 gols em 216 jogos (Wikipédia), o que representa uma média de aproximadamente 2,15 gols por partida — ritmo típico para a terceira divisão brasileira.
- O melhor ataque da fase de grupos foi o Volta Redonda, com 33 gols marcados (Wikipédia). A melhor defesa foi o Operário-PR, com apenas 10 gols sofridos (Wikipédia).
- A maior goleada do torneio foi Ypiranga-RS 5 a 0 Paysandu, disputada no Estádio Colosso da Lagoa, em 11 de maio (Wikipédia). Curiosamente, o Paysandu sobreviveu ao revés e ainda terminou entre os quatro promovidos à Série B.
- O Amazonas foi o primeiro clube do estado a conquistar um título nacional (Wikipédia), tornando 2023 um ano de referência para o futebol amazonense.
- Entre os rebaixados, Pouso Alegre e Altos foram confirmados na Série D antes da última rodada da fase classificatória (Wikipédia), enquanto o Manaus dependeu do resultado da última rodada para definir sua situação e acabou rebaixado após empate sem gols com o Figueirense (Wikipédia).
- A Região Nordeste foi a que mais enviou representantes ao torneio, com sete clubes, pelo segundo ano seguido (Wikipédia).
- O artilheiro Sassá marcou 18 gols — o equivalente a 3,87% de todos os gols da competição, uma concentração expressiva para um único jogador em um torneio tão longo.
A Série C de 2023 cumpriu seu papel de palco de redenções, histórias inéditas e disputas equilibradas. O título inédito do Amazonas, o vice do Brusque, o retorno do Paysandu e a solidez do Operário-PR compuseram um quadro de acessos merecidos. Na ponta oposta, Altos, América-RN, Manaus e Pouso Alegre iniciaram 2024 na quarta divisão. Ao final, o saldo foi de um campeonato que cumpriu sua função de movimentar o futebol brasileiro em suas camadas intermediárias, com protagonistas reais e números que sustentam cada narrativa.




































































